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Kleber Galvêas: Quase 500 anos

500 anos

QUASE 500 anos

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Kleber Galvêas, pintor, agitador cultural

Obelisco e coreto foram simplesmente demolidos

 

Há quase 500 anos, no dia 23 de maio de 1535 – exatos 488 anos – a história começa a ser escrita nesta parte do Brasil. Primeiro por portugueses, depois por índios alfabetizados pelos jesuítas, e, durante a monarquia, por descendentes de africanos com manumissão.

Mais tarde chegaram, para colaborar, italianos, alemães, árabes… Assim, juntos, miscigenados, construímos o Espírito Santo. Estatística oficial de 1872 aponta que em todas o Espírito Santo, o número de pardos supera o de brancos, negros e índios, somados.

Lembramos que espírito-santense é quem nasce no Espírito Santo; capixaba é quem vive em Vitória – originalmente – ou mora longe e ama esta nossa terra.

É longa, rica, romântica e heróica a história da colonização do solo espírito-santense, que principia em Vila Velha, batizada originalmente como Espírito Santo. Nossa Vila emprestou seu nome ao Estado e adotou oficialmente o apelido que lhe foi dado após a fundação de Vitória.

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Moleque da Prainha de Vila Velha, tinha sete anos em 1955 e daí em diante acompanhei as comemorações da data maior dos capixabas: o aniversário da colonização do solo espírito-santense, iniciada por Vasco Fernandes Coutinho em 23 de maio de 1535.

As alvoradas festivas aconteciam diante do monumento que chamávamos de “pirulito” (demolido), pertinho da minha casa. Acordado com salva de canhões lá em Piratininga, corria para a pracinha ou aguardava, empoleirado na janela da minha casa, o desfile das autoridades.

Na década de 50, seguiam a pé pela Rua Luciano das Neves, da Prainha para o palanque armado em frente à antiga prefeitura (demolida). A nobre comitiva seguia a banda do 38º BI, que arrepiava com dobrados bem ensaiados.

Regida pelo maestro Benício Cavalcante, era muito apreciada pela população. Nas noites de quinta-feira fazia retretas no coreto (demolido) que existia junto ao obelisco (demolido), marco da colonização.

NEC = Nota do Editor Chefão, Don Oleari – Em 2002, Max Filho era o prefeito de Vila Velha/ES. A legenda da foto diz que o obelisco foi demolido em 2002. Um crime contra a memória do Espírito Santo.

500 anos

Na década de 60, a alvorada musical com a banda marcial da Marinha, bem maior, substituiu a sonora e virtuosa banda de música do exército e as autoridades passaram a desfilar de carro. Tempo passando, as coisas mudando.

Vila Velha é muito diferente do meu tempo de criança. Perdeu as três praias que tinha: A Prainha foi aterrada, não existe mais; Piratininga foi ocupada pelo Exército; Inhoá foi aterrada e ocupada pela Marinha. A Praia da Costa, ocupada 100 anos depois da ocupação de Copacabana, tem ruas estreitas e nenhuma praça. A praia carioca tem ruas largas e várias praças.

Se poluirmos terra, água e ar, não cuidarmos da ocupação do solo urbano, não respeitarmos os espaços públicos, destruirmos marcos históricos, e permanecermos desatentos, vamos matar nossa tradição alegre e pacífica, inviabilizar a nossa qualidade de vida e vocação econômica: o turismo.

Kleber Galvêas  – 27 3244 7115. www.galveas.com

Edição, Don Oleari

Vila Velha completa 488 anos dia 23, terça-feira.

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Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham

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