A noite da Coruja: Dinah Lopes narra o encontro com a coruja murucututu de barriga amarela | Aqui Afonso Cláudio | 29/8

a noite da coruja

A   noite da coruja – “corujada noturna”, uma noite inesquecível!

DETALHES DO ANEXO dinah-lopes-2.jpg
dinah lopes, jornalista

(8 fevereiro 2017)

Coluna AQUI AFONSO CLÁUDIO – Dinah Lopes, jornalista

 

NEC = Nota do Editor Chefão, Don Oleari –

Uma vocacionada preservacionista, militante pelas causas ambientais, no bótimo texto a seguir Dinah Lopes exibe seu rumo.

A curiosidade a leva a uma empreitada desconhecida, a um caminho no escuro no meio do mato. No meio do nada? Não, no meio do tudo. A busca dos observadores pela tal coruja é interrompida pela bióloga:

– “É aqui que vamos esperar a coruja”.exclusivo-1.png

Dinah respira fundo, imaginando o momento maior, o encontro com a espécie rara de coruja. Vale a pena percorrer cada palavra de cada linha do seu texto. O Portal Don Oleari se sente privilegiado por levar pro mundão da inferneti este texto inédito e exclusivo. E agradecido por Dinah nos conceder a honra da exclusividade. Degustem (Don Oleari).

A noite da coruja – Dinah Lopes

“Corujada noturna”. Esse termo, por si só, já desperta especulações sobre o seu significado. Dentro das ações de um evento, então, ele ativa ainda mais o imaginário de quem desconhece o assunto. Foi o que aconteceu em agosto de 2013, no I Seminário de Turismo de Observação de Pássaros, realizado em Afonso Cláudio (ES). Na programação, constavam como destaques as “corujadas noturnas” nas matas da região.

DETALHES DO ANEXO claudia-pimenta-2.jpg
claudia pimenta

Eu nunca havia ouvido falar em “corujada”. De imediato me despertou a curiosidade. A floresta à noite já é um cenário inspirador. Tendo como protagonista a coruja, um pássaro místico de muitas estórias, a imaginação cria asas e voa longe.

Movida pelo desejo de desvendar o que seria a tal “corujada noturna”, aproveitei o fato de ajudar na divulgação do Seminário e decidi acompanhar um grupo de observadores de aves inscritos no tal evento. Eram homens e mulheres de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Trajando roupas camufladas e portando equipamentos fotográficos poderosos, tinham como guia a bióloga Cláudia Pimenta.

A noite estava apropriada para a aventura, iluminada pela lua, sem chuva e vento e com uma temperatura agradável. Seguindo os passos da bióloga e em fila indiana, nos embrenhamos por um matagal na localidade de Arrependido. Percorremos silenciosamente uma trilha até entrar numa mata escura, onde penetravam apenas alguns rasgos de luz irradiada pela lua.

A noite da coruja

Paramos em frente a uma árvore frondosa. Ali, a guia quebrou o silêncio, virou-se de frente para o grupo e apontou para um dos galhos da árvore. Como quem promete uma ficção, disse que receberíamos a visita da coruja naquele ponto, em meio à escuridão e à quietude da floresta. A espécie anunciada era a murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana), ave noturna de grande porte encontrada na Mata Atlântica.

Coruja-murucututu.jpg
Coruja murucututu

Tendo em suas mãos um holofote e um gravador com o canto da espécie, Claudia Pimenta foi didática:

– “Eu ligarei o som, a coruja responderá e virá pousar neste galho. Vocês estejam com as câmaras fotográficas preparadas, pois será muito rápido. Quando ela chegar, irei iluminá-la para que as fotos sejam feitas”.

Mais do que uma síntese antecipando a “corujada”, aquela explicação aumentou ainda mais as expectativas do grupo. Enquanto os participantes mantinham-se calados e ajustavam as câmaras dentro da mais absoluta tranquilidade, para evitar qualquer perturbação do ambiente, eu tive dúvidas se aquilo iria realmente acontecer.

Quando todos estavam prontos, a bióloga deu início à sua missão. Acionou o play do gravador e fez ecoar um canto que irradiava pela noite e mata adentro. Como que por encanto, começamos a ouvir um cântico, bem longínquo, brotando do interior da floresta. Era a resposta da coruja, que iniciava ali um diálogo melódico com o gravador.

E foi assim sucessivamente. Cada vez que a guia repetia o play daquele gorjeio gravado, a coruja respondia do outro lado. Com os ouvidos atentos, fomos percebendo que ela se aproximava gradativamente.

Sem dizer nada, entre sombras noturnas, trocávamos olhares de ansiedade sobre o desfecho daquela estranha conversa de cânticos misteriosos. O grupo parecia inquieto, tomado pela emoção e incerteza.

Não podíamos ver a coruja, mas pelo volume crescente do canto, percebíamos que ela vinha, vinha, vinha… em nossa direção, até que pousou solitária e majestosa no mesmo galho apontado inicialmente pela bióloga.

Me impressionou o tamanho da ave, com cerca de 50 cm de altura. Chegou enigmática, com o seu olhar marcante e a plumagem num matiz de cores entre o bege e o marrom escuro. Olhou para baixo como se procurasse o seu interlocutor. Manteve-se imóvel por instantes que, hoje, parecem eternos na memória.

Como numa relação de causa e efeito, a bióloga acendeu rapidamente a lanterna, abrindo uma cortina de luz sobre o pássaro. Simultaneamente, os fotógrafos dispararam suas câmeras e registraram as imagens possíveis até a coruja bater asas e penetrar de volta na escuridão da floresta, levando embora o seu canto e deixando todos perplexos com aquela visita efêmera.

A incredulidade deu lugar à comemoração entre os integrantes do grupo. Festejando o feito, um mostrava sua imagem para o outro e fazia comparações. Entre os observadores participantes, a guia passou a ser chamada de hipnotizadora de corujas. Para mim, aquele poder mágico contribuiu ainda mais para reforçar as lendas de uma ave tão mística e simbólica, companheira da noite, da lua e das florestas (Dinah Lopes).

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham