Dinah Lopes | Abóbora: na roça, um presente! A super batata doce do Jaime Palma | Coluna Aqui Afonso Cláudio | 25/9

abóbora

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NEC = Nota do Editor Chefão, Don Oleari – Resgatando um texto de 2017, anteserior à “pandemonia”, portanto, em que Dinah Lopes se revela uma delicada observadora e anotadora do comportamento do bichomem. Mió ainda, que Dinah registra costumes típicos pessoas da roça. Uma abóbora é levada de presente pro vizinho do lado. Um saco de laranja é outro presentaço. Uma bacia de manga, um sacola de carambola, de goiaba… enfim, tudo serve pra demonstrar amizade, gentileza, afeto pelos outros.

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dinah lopes, jornalista

 

Coluna AQUI AFONSO CLÁUDIO | Dinah Lopes, jornalista | Vale do Empoçado

abóbora, uma gentileza

Uma senhora de 70 anos chega de maneira mansa em nossa casa, trazendo nas mãos um balde de acerolas colhidas do seu terreiro. Humilde, magra, com cabelos grisalhos e pele clara marcada pela idade, Dona Eronilda é uma trabalhadora rural aposentada.

Como muitos da sua geração no meio rural, não aprendeu a ler e nem a escrever, mas sabe pôr na mesa um ingrediente que movimenta a convivência entre vizinhos na vida interiorana: a gentileza.

Na roça, é comum as pessoas se visitarem levando de presente o alimento que tiram da terra. Há sempre uma porção para compartilhar em gestos de amizade e generosidade. Os brindes com abóboras, tomates, quiabos, ovos e outros itens são rotineiros entre moradores da zona rural, gerando um encadeamento de atitudes recíprocas de afeto e cortesia.

A minha casa, localizada num sítio do Vale do Empoçado, integra essa rede, mantendo a tradição de agrados um com o outro. O fluxo de visitas é constante. Assim como Dona Eronilda, também o Vaninho, trabalhador rural da vizinhança, está sempre presente e trazendo mimos com abóboras e tomates de sua plantação.

O Seu Nadir, agricultor septuagenário, tem por hábito nos surpreender com saco de laranjas ou cacho de bananas deixados na varanda. O Zé Borlote, agricultor morador de outra localidade, sempre nos traz uma saca de café torrado de sua produção. A Ticha, uma trabalhadora rural descendente de pomeranos, nos presenteia com quiabos e milho verde, além de mudas de onze horas, lírios e outras plantas ornamentais.

Em retribuição, eles também levam de volta pães ou sabão caseiros preparados pela minha mãe, de 84 anos e com vivência rural herdada da família. Café, manga, peixe, arroz também estão entre os itens da nossa produção que entram na lista de presentes destinados aos vizinhos e amigos.

Além de enriquecer o cardápio, essas trocas reforçam laços de amizade e o senso de comunidade que são marcantes no meio rural. No vaivém de pessoas e generosidades, há sempre uma prosa sobre as experiências com a produção, as notícias familiares e comunitárias, os problemas financeiros e de clima, e as oportunidades.

Como um mundo à margem da chamada vida moderna, os hábitos de quem vive na roça conservam o senso de coletividade, humanidade e solidariedade. Dores e alegrias são compartilhadas. Quando há alguém com problema de saúde, a comunidade manifesta apoio com rifas e sorteios de prêmios para arrecadar dinheiro e ajudar em despesas médicas do  doente.

Nos casos de internações, dependendo da situação da família, há revezamento para acompanhar o paciente no hospital. Um caso emblemático aconteceu recentemente com “Seu Almir”, idoso e aposentado como trabalhador rural.

Vítima de derrame cerebral e outras complicações da idade avançada, ficou hospitalizado vários dias até falecer. Nesse período, os próprios vizinhos, homens trabalhadores rurais da região, entraram na escala para acompanhá-lo durante a internação.

Também na morte, são os vizinhos, a maioria trabalhadores da agricultura familiar, que se juntam e cavam a sepultura no cemitério anexo à igreja da comunidade. Na simplicidade rural, ser gentil e solidário são atributos do homem do campo.

Muito mais que uma  regra, é um valor relacionado ao jeito de ser e ao caráter das pessoas. A troca de abóboras alimenta gestos nobres e cada vez mais raros na sociedade.

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A super batata doce

do Jaime Palma

Aproveitando o gancho do texto, mostro aos leitores da coluna uma foto mandada por Don Oleari, nosso editor, que a recebeu da Marlene Palma, sua vizinha em Vitória.

Oleari conta que recebeu pelo uatizapi – como escreve ele – um áudio da Marlene, dizendo:

“Oleari, olha só o que a Nilcéia me mandou…foto de uma batata que pesou 6,5 ks. Nunca tinha visto uma batata tão grande”, completou Marlene.

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piracema, distrito de afonso cláudio

Ele diz ainda que como se não bastasse a foto da super batata, a Marlene bateu a campainha e levou de presente outra batata de bom tamanho e que ela pesou quase 3 ks, trazida pela Nilcéa Palma, irmã do Jaime.

As batatas foram colhidas na propriedade do Jaime Palma em Bela Vista, perto de Piracema, distrito de Afonso Cláudio.

Café de Afonso Cláudio não precisa de açúcar 

O vídeo foi enviado à coluna pelo nosso colega repórter Anilson Ferreira, que está produzindo a Coluna AQUI VITÓRIA  com Don Oleari.

Fonte:  Giovani Braga

Café Recanto Alto na Feira da Agricultura Familiar e Reforma Agrária da Fetaes, realizada semana passada em Vitória/ES. O Recanto Alto está na Rota Vale do Empoçado.

 

https://donoleari.com.br/semana-das-juventudes/

https://www.facebook.com/oswaldo.oleare/posts/4252771488176903

 

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham