Agricultores podem ganhar para recuperar solos, rios e florestas, mas valor pago ainda é baixo – 22

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Jornal Agropecuário

Agricultores Ganhando sem plantar

VINICIUS GALERA

COLABORAÇÃO PARA O UOL, DE SÃO PAULO

O pagamento por serviços florestais é uma forma dos agricultores lucrarem com a preservação do meio ambiente.

Pela lei, o agricultor tem a possibilidade de receber dinheiro para recuperar solos, rios e florestas, sem plantação comercial ou cultivando produtos e criando animais conforme preceitos ambientais. Mas o valor pago ainda é baixo, dizem agricultores.

O pagamento é feito por empresas privadas, que precisam comprar créditos de carbono, por exemplo. Elas pagam para haver preservação em outro lugar, como compensação do impacto ambiental de suas atividades.

Agricultores

O modelo de pagamento aos produtores está na Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais, aprovada em janeiro, mas os serviços ainda não estão completamente regularizados no Brasil. Não entra dinheiro do governo nesses pagamentos.

– “Existe um problema cultural. O produtor costuma achar que se não está produzindo ele está perdendo espaço na propriedade”, diz Guaraci Diniz Jr., do Sítio Duas Cachoeiras, em Amparo (SP), na Serra da Mantiqueira.

A propriedade tem uma Reserva Particular do Patrimônio Nacional (RPPN).

– “É uma ferramenta de preservação -a única cuja gestão não é pública”, diz Guaraci.

Na propriedade, são desenvolvidos trabalhos de cultivos agroecológicos, criação de animais e conservação e recuperação do solo, da água e das florestas nativas.

Valores pagos ainda são baixos, diz produtor
Para transformar parte de sua propriedade em uma Reserva Particular do Patrimônio Nacional (RPPNs), os produtores devem manifestar essa intenção. O estado faz uma resolução e o produtor passa a seguir a regulamentação federal. As propriedades que aderem não podem mais sofrer alterações.

Segundo Guaraci Diniz Jr, propriedades com essas características ajudam a regulamentar o clima, o microclima e as fontes de água.

Um dos exemplos mais conhecidos desses serviços é a venda de crédito de carbono. Por ela, empresas pagam para produtores plantarem árvores ou florestas de acordo com as emissões de gases de suas atividades.

Guaraci afirma que, apesar de dar retorno, ainda existe pouca informação sobre o tema para o produtor. Além disso, ainda existe a barreira econômica. “Os valores pagos aos produtores normalmente são muito baixos”.

Outro problema é que há serviços que não são considerados para pagamentos, como o bem-estar climático causado pela preservação.

Cidade paga produtores rurais para preservar água
O trabalho no Sítio Duas Cachoeiras começou por acaso, na metade da década de 1980, quando Guaraci assumiu a propriedade da família. No passado, a propriedade integrava o terreno de uma antiga fazenda do ciclo do café na região da Mantiqueira.

Aos poucos, o produtor foi estruturando o sítio para a produção agroecológica. Na época, essa modalidade era chamada de alternativa. Hoje ainda é associada à produção orgânica.

Nos anos 2000, o Laboratório de Engenharia Informática da Unicamp fez um trabalho para calcular o valor dos serviços ambientais no Sítio Duas Cachoeiras.

A finalidade do trabalho era entender quanto a propriedade envolve de recursos naturais e quanto de terra deveria ter disponível para produzir de forma natural. “Eles chegaram num valor de R$ 800 mil para 30 mil hectares por ano”. Ou seja, esse é o custo de manutenção da fazenda.

Como pagamento, segundo Guaraci, para cada hectare eles deveriam receber US$ 4 mil. “É um número muito alto, e ninguém quer pagar, mas já está claro que no futuro pagarão por não ter”, diz.

Como comparativo, ele cita o caso de Extrema, município mineiro que se tornou conhecido por pagar aos produtores rurais pela conservação da água. “Lá os produtores recebem R$ 300 por hectare”.

O estudo ainda mostrou que o sítio tinha 80% de retorno sobre o investimento. Para efeitos comparativos, na época o estudo demonstrou que em uma situação de pecuária e agricultura o número chegava a 10% de retorno.

Divulgação

Trabalho reconhecido pela Unesco
Em maio deste ano, o trabalho da RPPN Duas Cachoeiras foi reconhecido pela Unesco – órgão voltado para a ciência, educação e cultura da ONU – como “Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica”.

O título foi concedido durante a 29ª Reunião do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, realizada de forma virtual.

Apesar do mérito, o Sítio Duas Cachoreiras é um bom exemplo de como a produção ambientalmente correta pode se tornar uma dor de cabeça para os produtores que se dedicam à causa. Recentemente, a deriva – como é chamado o resíduo da aplicação de insumos – de um vizinho do sítio que produz de forma convencional começou a afetar sua produção.

“É uma situação completamente descabida porque eu não posso produzir orgânicos porque ele acaba me contaminando, mas ele pode produzir normalmente”.

https://economia.uol.com.br/reportagens-especiais/agronegocio-ganhando-com-preservacao-ambiental/?utm_source=chrome&utm_medium=webalert&utm_campaign=economia#end-card

Agricultores

https://donoleari.com.br/mg-1-gw-instalada-para-energia-solar/

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham