Kleber Frizzera | Alisamentos e adestramentos

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kleber-frizzera-foto-nova-assinatura-coluna-1-1-1-247x300-1-1-1-150x150-a-boa.jpg 20 de outubro de 2023 11 KB
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ARTIGO |

Kleber Frizzera

Todos estes momentos se perderão como lágrimas na chuva – Blade Runner

Uma profunda infelicidade, uma longa melancolia e um estreito circuito de medos se abatem sobre a vida ordinária, no mundo da família como na experiência cotidiana da cidade,

se estabelece uma ausência que faz necessário preencher com objetos, marcenarias e arranjos que buscam ordenar sentidos ao mundo, onde solitários casais e poucos filhos se debatem entre fracassados afetos e sonhos de acúmulos e riquezas,

em abandonos e inseguranças que erguem regras e muros nas cidades, impedem encontros, demandam normalidade, quando nas ruas, traficantes, policiais e milicias operam o mal, assassinatos e repressões rigorosas, sem contar um mais humano próximo igual,

qual livros de autoajuda, regras sagradas, intensas epifanias, em templos ou academias buscam salvações e satisfações, anseiam viagens, gostos premium, ensaiam gozos que se encerram em segundos, redenções que se desfazem em depressões e sofrimentos.

A cidade, vivida na solidão dos carros, exige fluidez, cobra apressados movimentos entre trabalhos inúteis, inúmeros eventos e agendas, exige ambições desmedidas, diante de outros (des)iguais, diante de ardentes ilusões, diante das somadas doenças que engolem amargas terapias e poções milagrosas,

e este medo que nos consome, suas sombras e segregações, suas histórias de violências e explorações, onde se instala um desejo de morte, um luto permanente, um gosto amargo nas insônias noites.

Os tempos se encerrarão, vencidos, e pouco ainda nos restará, aos humanos e ao planeta, consumidos pelo capitalismo, pelas inteligências e ilusões artificiais, sem mais amigos, esperanças, amores,

enquanto o vento sul sibila nas ruas e bate janelas, movimenta poeira e folhas soltas, anuncia desastres próximos, sujeitos se abrigam silenciosos, inquietos, preocupados em dobrar esquinas e escapar do destino iminente, e

mesmo assim multidões de empreendedores ampliam esforços, disputam a sobrevivência da espécie, em luta com saberes outros que expulsam os músculos e cérebros do orgulho e das recompensas do trabalho.

O fim está próximo, informam cientistas e apocalípticos, nos sobra adiá-lo, ou enfrentá-lo ou ultrapassado o ponto de retorno, quando a casa está em chamas e o presente logo se torna o tempo que resta, acompanhar a máxima estoica – sem esperança e sem medo-, como humanos e animais, indefesos espectadores do Dies Irae.

Kleber Frizzera

janeiro 26

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Kleber Frizzera

Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (1971) e mestrado em Arquitetura pela Ufes Universidade Federal do ES (1998).

Foi secretário municipal de desenvolvimento da Prefeitura de Vitória/ES (2006/2012) e professor adjunto da Universidade Federal do Espírito Santo ( 1978/2015) – https://www.ufes.br/.

Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo, atuando principalmente em projetos de arquitetura, arquitetura teoria e crítica, arquitetura áreas centrais, planejamento territorial e renovação urbana.

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Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham