Casagrande quer partidos de direita na sua reeleição | Um movimento no tabuleiro: Contarato e a filiação ao PT | 5/7

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Casagrande,  Contarato e a filiação ao PT

 

Coluna POLÍTIKA – Alexandre Caetano –

A esperada filiação do senador Fabiano Contarato ao PT, de saída do Rede, subiu no telhado e pode não acontecer mais. Tudo por conta dos entendimentos em nível nacional entre PT e PSB visando o apoio dos pesebistas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais do próximo ano.

A cúpula nacional do PSB colocou como condição para tal apoio, que o PT não lance candidaturas ao governo em Pernambuco e Espírito Santo, hoje administrados por governadores do partido, além de Rio de Janeiro e São Paulo, onde  a sigla possui nomes competitivos para a disputa.

Não se sabe como vai reagir a cúpula nacional petista. Até porque fechar acordos eleitorais faltando 14 meses para o primeiro turno do pleito, parece ser algo prematuro na lógica própria em que se move a política, onde as mudanças de cenário costumam ser rápidas e, não raro, imprevisíveis.

De qualquer maneira, quem mais teria a perder com a possível desistência do senador Contarato é o PT do Espírito Santo, muito combalido e enfraquecido depois dos insucessos eleitorais nos últimos três pleitos no Estado (2016, 2018 e 2020) e pela onda conservadora dos últimos anos que gerou o bolsonarismo.

Há alguns meses, Contarato foi convidado por Lula para se filiar ao PT e ser o candidato a governador do estado do ES, ideia que entusiasmou dirigentes e militantes no Estado. Afinal, o governador Renato Casagrande rejeitou o apoio do partido em 2018 e tem demonstrado claramente que seus aliados preferencias para o projeto da reeleição em 2022 são outros, mais à direita.

Embora se diga que o governador Renato Casagrande iniciou sua militância política no PCdoB, quando ainda era estudante na Universidade Federal de Viçosa (UFV), o pesebista não tem nenhum pendor “esquerdista” ou “socialista” (na definição marxista do termo) que tentam lhe impingir as milícias digitais bolsonaristas nas redes sociais. Casagrande é um político muito mais próximo do Centro do que da Esquerda na arena política.

Além disso, o governador parece acreditar que os ventos conservadores que inflaram o antipetismo nas eleições de 2018 ainda irão determinar os humores do eleitorado capixaba no pleito de 2022 no Espírito Santo.

Também não se pode descartar a permanência de resquícios do ressentimento sobre a posição do PT nas eleições de 2014, quando ele foi derrotado pelo ex-governador Paulo Hartung em sua tentativa de reeleição. Na ocasião, embora lançando a candidatura do então deputado estadual Roberto Carlos, não é novidade que a direção estadual do partido pendeu mesmo foi para Hartung.

Partidário da tática da “unanimidade”, que domina a política do Espírito Santo nos últimos 20 anos, desde o fim da chamada Era Gratz, Casagrande agradeceria de bom grado o apoio das forças bolsonaristas e de extrema-direita ao seu projeto de reeleição. O problema é que eles querem mesmo é sua cabeça numa bandeja, enquanto o taxam de “comunista” e “vermelho” nas redes sociais.

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Musso e Pazolini

Casagrande

Porém, o governador atraiu o PSL do deputado Coronel Alexandre Quintino para a sua base aliada na Assembleia Legislativa (AL/ES).  O mesmo aconteceu com o presidente estadual do Patriota, deputado Rafael Favatto. Só que, nesse caso, dificilmente o partido ficará com o Palácio Anchieta numa disputa eleitoral, já que, semanas atrás, o presidente Jair Bolsonaro e os filhos ingressaram no Patriota.

Além disso, o colega de bancada de Favatto, Capitão Assumção, é o mais ruidoso opositor do governo Casagrande no plenário da AL/ES, a quem faz frequentes ataques e denúncias. Casagrande já fez duras críticas à desastrosa gestão da pandemia por parte do presidente e outras políticas de seu governo.

Roberto Carneiro

No momento, o sonho de Casagrande é embarcar como aliados preferenciais no projeto de reeleição o grupo formado pelo Republicanos, do qual fazem parte o presidente da AL/ES, deputado Erick Musso, o deputado federal Amaro Neto, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, e o secretário de Governo de Vitória, Roberto Carneiro; o Podemos, do ex-prefeito de Viana Gilson Daniel, o deputado estadual Marcelo Santos e o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo.

O PT até poderia ser aceito na aliança. Afinal o projeto é de unanimidade, em que todos podem embarcar, mas como sócio menor. O problema é que entrada de Contarato no PT e a declarada disposição em concorrer ao Palácio Anchieta atrapalharia os planos de Casagrande. E é esse quadro explica a posição do pesebista capixaba, membro da Executiva Nacional do PSB, contrário a uma aliança nacional com o PT, priorizando a centro-direita ou a busca da chamada “terceira via”. Vamos esperar as cenas dos próximos capítulos.

 

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham