Edilson Lucas do Amaral: Casagrande passa no primeiro turno. Mas leva no segundo? Contra quem? | 31/5

Casagrande

Casagrande

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edilson lucas do amaral

 

Coluna PANO DE FUNDO – Edilson Lucas do Amaral, comentarista político

NEC = Nota do Editor Chefão, Don Oleari | A equipe do Portal Don Oleari saúda a chegada do colunista Edilson Lucas do Amaral.

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coluna pano de fundo

Edilson é produtor e promotor de eventos culturais, graduado em História e atuante em consultoria política pela Agência Rox.

No texto abaixo, Lucas do Amaral traça o mapa completo da eleição para governador do ES. Quem quiser saber o que vai acontecer, guarde o texto de Edilson para conferir depois do segundo turno (Don Oleari).

Com vocês, Edilson Lucas do Amaral.

Nos corredores do mercado político, principalmente no interior do Espírito Santo, o nome do atual governador, Renato Casagrande, é tido, já, como o próximo governador do Espírito Santo. Um repasse significativo de verbas pela União, o equilíbrio nas contas e a performance do PIB capixaba (uma das mas altas do país) deram-lhe um poder raro de entrega aos municípios e fazem muitos afirmarem que ele leva  a vitória já no primeiro turno.

Do jeito que as coisas estão hoje, final do mês de maio de 2022, afirmo que dificilmente isto acontecerá. Seus adversários, que são muitos mas que hoje pouco aparecem, terão chance de crescer e ter mais visibilidade assim que a campanha propriamente dita começar. Tempo de TV, alianças, biografia e qualidade da campanha interferem muito. Vejamos.

Os republicanos estão nas ruas de todo o estado com o pré-candidato Erick Musso, deputado estadual, acompanhado sempre do prefeito da Capital Lorenzo Pazolini, que agrega sua densidade eleitoral na Grande Vitória.

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roberto carneiro

Erick competitivo

O ex-prefeito de Colatina, Sérgio Meneguelli, pré-candidato ao Senado, ajuda a dar peso à  base partidária sólida construída pelo presidente do Republicanos no ES, Roberto Carneiro. Hoje, Erick  Musso talvez tenha, seguido pelo PP, a chapa  mais competitiva  dessa disputa.

erick e pazolini – Foto: anilson ferreira

Erick ainda possui o apoio do PSC, com deputados como Lauriete (federal), Renzo Vasconcelos (estadual), do Patriotas do deputado estadual Rafael Favatto.

Pelo que tudo indica, deverá ter apoio também do PSDB – leia-se Vandinho Leite, o presidente. O PSDB também possui uma forte chapa proporcional com nomes como Max Filho e o deputado Sergio Majeski.

Mesmo que Erick Musso não tenha despontado nas pequisas, sua visibilidade tem crescido e a base partidária elevará seu potencial. O mapa político terá representatividade em quase todo o estado. E mesmo se não conseguir crescer muito, Erick  não terá menos que 10% do eleitorado capixaba, devido a essa base eleitoral.

Acredito que o atual presidente da Assembleia Legislativa tem muita chance de emplacar 20%, o que nessa disputa acirrada poderá levá-lo ao segundo turno. Mas é preciso mirar em 25% do eleitorado para  consolidar suas chances de ir para o segundo turno.

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rigoni

Se Rigoni não decolar

Debaixo de sete chaves, há, sim, no mercado, burburinho de que  se o deputado federal Felipe Rigoni não obtiver êxito em sua pré-campanha ao Governo do Estado, recuará e seguirá com o União Brasil, partido que preside, apoiando Erick Musso. Se isto acontecer, o presidente da Assembleia Legislativa terá a maior base partidária da eleição e muito tempo de TV no programa eleitoral. Não é de se desprezar.

O Deputado Federal Felipe Rigoni, do União Brasil, caso mantenha a pré-candidatura, coloca ainda mais a consolidação de uma eleição muito decidida por detalhes. Rigoni terá uma fatia eleitoral de nível mais alto, classes A e B, pela sua capacidade intelectual e sua biografia, mas isso não lhe  dará  densidade eleitoral. Mesmo assim, a participação de Rigoni coloca mais caldo nesse feijão e ajuda a empurrar a disputada eleição para o segundo turno.

E o PT? Este, com eleitorado cativo, poderá ser o fiel da balança na disputa. O senador Fabiano Contarato, candidato do partido ao Governo do Estado, terá um bom percentual de votos de legenda pela liderança do ex-presidente Lula, mostrado pelas pesquisas com maior percentual de votos em nível nacional.

O PT capixaba também não é de deixar seus candidatos falando sozinho, e a votação que Contarato teve para o Senado em 2018 – 1.117.036 votos – pode levá-lo a atingir 20% do colégio eleitoral. Qualquer diferença nessa corrida poderá colocar a eleição em cheque. O jogo será decidido por detalhes.

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audifax

Audífax e Guerino Zanon

E Audifax Barcelos? Caladinho, pouco se fala dele, parece até que corre “por fora’, mas o ex-prefeito da Serra aparece sempre em terceiro lugar nas pesquisas. E um fato não se pode desprezar: seu reduto eleitoral. Audifax hoje é o maior líder político do município e deverá ter uma bela votação.

O serrano vai votar nele como representante local, assim como em eleições municipais se escolhe vereador como representante do bairro.  Com isso Audifax poderá ter, somente na Serra, uma densidade eleitoral tão significativa, que se pode estimar em 200 mil votos no município, mais estimadamente 100 mil na Grande Vitória, o  que lhe dá 10% do eleitorado do ES. Não é pouco.

Seu ponto fraco é que faz caminho solitário nas construções partidárias. Há tempos, entretanto, vem percorrendo o interior, com apoios discretos que, claro, votos contados, podem levá-lo a atingir aí seus 20%, colocando mais um na lista para o segundo turno. Não se pode esquecer dos detalhes.

Talvez Audifax, mesmo que não tenha visibilidade no interior do Estado, seja hoje o candidato com maior chance de atingir esse índice por causa de seu reduto de 350 mil eleitores na Serra. Sua luta é colocar seu nome fora da Grande Vitória.

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guerino zanon

Por sua vez, a força do interior atribuída a Guerino Zanon (PSD), prefeito de Linhares por 5 vezes, não dá a ele a mesma oportunidade que dá a Audifax, pois seu reduto – Linhares – não é suficiente para  consolidá-lo, embora exerça uma forte liderança em todo extremo o Norte. Guerino peca também por não ter uma base partidária forte.

Seu partido tem poucos candidatos de peso nas proporcionais, com exceção do apresentador de tevê Camargão, que quer seguir os passos de Amaro Neto. Ainda novo nos pleitos, deverá seguir voo solo, cuidando somente da sua eleição. Além dele, o partido conta com o nome do ex pré-candidato ao Governo, Cesar Colnago, agora pré-candidato ao Senado, por enquanto.

Assim,  Guerino deve ter dificuldade na Grande Vitória e no Sul do estado. Se mantiver sua candidatura, deverá ter em torno de 10% dos votos do eleitorado, embolando mais ainda o jogo. Essa regionalização política no Espírito Santo  fatia o eleitorado e, claro, embola o jogo.

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manato e bolsonaro

Manato

E o Manato? Ele se coloca como pré-candidato pelo PL, partido do Presidente Bolsonaro, e deverá ter muitos votos de legenda, abocanhando a maior fatia dos fiéis eleitores do Presidente. Porém a coisa não parece assim tão fácil. No mercado eleitoral há quem diga que Manato agora corre contra o tempo para melhorar sua visibilidade e manter sua campanha.

Diz-se que se o partido, PL, presidido pelo candidato ao Senado Magno Malta,  não vir a campanha de Manato decolar, Magno se  coliga com outro partido  da base presidencial, pra garantir a sua eleição ao Senado. Se candidato for,  Manato mantém o nível dos outros candidatos, tendo no mínimo 15 % podendo chegar ao índice para ir ao segundo turno, principalmente por ter sido ele o candidato opositor de Casagrande da eleição passada.

A luta de Manato hoje é oficializar seu nome como candidato a governador nas convenções do PL, trazendo com ele a base partidária que é melhor que a de Audifax e Guerino. Traz  ainda o PTB  de sua esposa Soraya Manato, tentando a reeleição, e do Tenente Assis .

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aridelmo teixeira

O Novo com Aridelmo

O Partido Novo entra na disputa com Aridelmo Teixeira, que deixou a Secretaria da Fazenda do município de Vitória para concorrer. Muito respeitado por sua competência, Aridelmo parte para o desafio certamente sem grandes ilusões.

Mesmo tentando dar visibilidade ao seu nome, Aridelmo aparece nas pesquisas com índices baixos e, a continuar assim, sua candidatura não mexe de forma significativa na realidade da disputa. Mesmo assim ele se manterá no pleito e, com qualquer resultado, ajuda a empurrar a eleição para o segundo turno.

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vidigal deve ficar com casagrande

E o Governador?

Renato Casagrande, que postula sua reeleição pelo PSB e tem forte apoio do PP,  entra na disputa no conforto de entregas importantes em todo o interior do estado, e com muitos apoios  nos municípios de Cariacica e Vila Velha, onde conta com o apoio de ambos  os prefeitos. O prefeito da Serra, Sérgio Vidigal, também caminhará a seu lado.

Nos bastidores políticos, muitos consideram possível a eleição de Renato Casagrande no primeiro turno. De minha parte, digo que, mantidas as candidaturas como estão hoje, isto não é possível e muito menos provável. A se manter essa realidade, o governador poderá não ter 30% dos votos, principalmente por conta da candidatura do senador Contarato que divide a esquerda capixaba.

Certamente o governador vencerá o primeiro turno, tamanho é o apoio que recebe dos prefeitos de todo o interior, quase unanimidade. Mas pode também não acontecer. O certo é que segundo turno é outra eleição. Com tantos candidatos envolvidos na disputa do primeiro turno, tudo vai depender dos acordos  que serão feitos e do sentimento do eleitorado. Uma incógnita.

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fabiano contarato

Assim, concluímos que o nome do candidato que vai com Renato Casagrande para o segundo turno será definido nos detalhes, por muito pouca diferença. Vale lembrar que pode ser até mesmo Fabiano Contarato, o candidato do PT. Isto levaria dois partidos de esquerda à disputa final.

Tudo pode acontecer, em que pese o dever de casa feito por Erick Musso, a liderança incontestável de Audifax Barcelos no maior colégio eleitoral do estado, e a legião de eleitores bolsonaristas do Manato. O fato é que teremos segundo turno, mesmo que dois candidatos recuem.

O tabuleiro está na mesa e falta ainda falar de um personagem, que, embora não seja candidato, tem seus interesses e é um jogador talentosíssimo: Paulo Hartung. Atualmente investindo seu tempo e sua experiência por um espaço no cenário nacional, não se pode menosprezar, muito menos ignorar, seu peso político e sua influência no cenário político do Espírito Santo.

Diante destes nomes e neste cenário, a eleição para o governo do ES não está definida como muitos falam e não está polarizada como a nacional. Muita água ainda para passar embaixo da ponte. Aguardemos para os próximos 60 dias as cenas dos próximos capítulos, com data fatal nas convenções partidárias que acontecerão entre 20 de julho e 5 de agosto.

Prenunciam-se grandes emoções. Pra ficar num jargão bem capixaba: vai pocar a boca do balão e vai ficar marcada como a eleição mais rica da história do nosso estado. Aguardemos. (Edilson Lucas do Amaral).

Foto de capa: governador Casagrande faz muitas entregas em todos os municíos do ES.

https://www.tre-es.jus.br/

Declaração do IR: termina nesta terça-feira prazo de entrega da | 30/5

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham