Chuvisco – uma doce recordação

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As receitas de Anette Musso | Anette Musso, radialista

Faz um bom tempo que tirei esta foto. Um pratinho com chuviscos.  Uma das últimas delicadezas que recebi do meu irmão.

Sempre que ele passava por Campos dos Goytacazes, voltava com um carregamento de goiabada, melado e chuvisco. A palavra carregamento define bem a quantidade. Meu irmão, João Adriano, era assim: intenso, exagerado. Extraordinário.

chuvisco-pratim-da-anette.jpegClaro que tínhamos nossas brigas! E foram muitas. Brigas de irmãos. Que fortalecem o relacionamento, ampliam o amor e deixam uma saudade indescritível e sem fim.

João nasceu em Campos. Tinha um chamego especial pela cidade e pelos doces tradicionais da região.  Os plantios de cana de açúcar influenciaram a gastronomia campista. Meu irmão “Papa Goiaba” costumava dizer que os doces de Campos eram os melhores do mundo.

 goiabada-cascao-de-campos.jpgBairrismos à parte, não resta dúvida que os doces são perfeitos. Da goiabada cascão, ao melado e aos açucarados: fios-de-ovos, babas-de-moça,  rapaduras, quindins, bom-bocados, e o chuvisco, certamente o mais famoso dos doces.

Uma  doce relíquia de Campos, que se tornou símbolo de sabor, delicadeza.

O chuvisco tem uma forte influência da doçaria portuguesa que reúne magistralmente açúcar e gemas. Além de amido de milho ou creme de arroz e duas caldas bem açucaradas. Uma mais rala e outra mais grossa.

chuvisco.jpgDá um trabalhão para fazer. O ponto das caldas é o grande segredo. Além, é claro, da técnica para retirar a película que envolve as gemas e é responsável pelo cheiro forte de “ovo podre” que deixa qualquer preparo intragável.

Para agradar ao filho, minha mãe se aventurou na fabricação do doce. Ficou bom. Mas, foi apenas uma experiência que, em comum acordo, decidimos não repetir.

Cutucando a galeria de imagens do celular encontrei essa foto dos chuviscos (acima). Fiquei feliz e com um gosto doce na boca.

Um gosto que não reflete uma vontade de comer, de provar. Mas, de reviver o momento que ganhei o vidro cheio de chuvisco. Uma das últimas delicadezas que recebi do meu irmão.

Segue a receita para os aventureiros de plantão.

Ingredientes

12 gemas passadas em peneira

1/2 colher de sopa de creme de arroz

1 e 1/2 colheres de sopa de farinha de trigo

1/2 colher de sobremesa de fermento em pó

2 kg de açúcar cristal

Prepare assim

Peneire juntos os ingredientes secos.

Passe as gemas pela peneira dando apenas um corte com uma faca para que escorra naturalmente e bata em batedeira durante 15 minutos.

Desligue a batedeira.

Junte os ingredientes secos aos poucos (peneirados juntos) misturando levemente com uma colher de pau.

Bata bem até engrossar.

Quando a massa der pingos grossos estará no ponto.

CALDA:

Leve ao fogo 2 panelas, uma maior e outra menor.

Na menor, onde são feitos os chuviscos, coloque 1 kg de açúcar cristal e 3 copos de água, deixe ferver.

Na maior, coloque também 1 kg de açúcar e 4 e 1/2 copos de água e deixe ferver em fogo baixo.

Conserve 1 chaleira no fogo com água fervente, para se necessário colocar nas caldas (caso fique muito grossa).

Quando estiver a calda da panela menor borbulhando, jogue 1 colher de sopa de água, a qual juntou 1 colher de chá de gema dissolvida (para espumar a calda).

Assim que espumar pegue uma colher de chá da massa e com o auxílio do dedo, empurre para a panela com espuma e deixe cozinhar um pouco para tomar forma de uma gota.

Passe para a panela pegando com uma escumadeira.

Quando terminar a massa toda, coloque um pouco de água fervente, junte a outra calda grossa, ficando assim uma só calda.

Junte os chuviscos e deixe cozinhar até ficarem transparentes e brilhantes.

Deixe na calda até o dia seguinte.

Anette Musso, radialista