Comida de boteco, Roda de Boteco | 2/6

Comida de boteco

Comida de boteco

A jornalista Lena Mara Leite Gomes faz uma análise do projeto Roda de Boteco e, como militante de boteco, avalia algumas extravagâncias e “invencionices” de alguns cozinheiros sem imaginação.

Por Lena Mara

Como consumidora convicta de bares e botecos, vou fazer aqui um comentário que queria fazer há muito tempo, em especial dirigido aos donos  dessas “instituições sagradas” que se empenham para atrair o público que não dispensa uma mesa de bar.

Mas permitam-me primeiro subir na mesa e aplaudir a iniciativa da Érika e do Raimundo Nonato (na foto de capa), empresários que tiveram essa bela ideia de trazer para o Espírito Santo a Roda de Boteco. Tenho certeza que isto incentivou muitos empreendedores.

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E por que me concedo esse direito? Porque eu e meu parceiro de vida, Oswaldo Oleare, vamos atrás de uma boa indicação de boteco, não importa a distância. E a gente vai, come, bebe, paga a conta e acaba analisando o que encontrou pela frente. Amamos um bar ou boteco.

Tanto é assim que tempos atrás passamos 6 dias em São Paulo com uma programação exclusiva de botecos. Dois botecos por dia, mas em dois dias foram três botecos. Bom demaaaais!

Foi nessa maratona que conhecemos um  bolinho de arroz dos deuses: o Bolinho de Arroz Recheado com Rabada. Pense só que dupla maravilhosa: um bolinho de arroz, uma iguaria simples, feito nas cozinhas domésticas como recurso de aproveitamento de sobras de arroz, e rabada.

Quer coisa mais cara de boteco do que rabada? Vai pura, com agrião e polenta, com feijão manteiga, de qualquer jeito, desde que bem  feita. No tal boteco, Esquina Carioca, em Pinheiros, eles juntaram rabada desfiada dentro de um bolinho de arroz.  Redondo, no tamanho de uma bola de tênis. Meu Deus, que coisa boa! Inesquecível!

Há mais tempo ainda, de vez em quando íamos a um boteco no pé do Bairro da Penha, conhecido como Bar do Baixinho. Sabe qual era a atração? Pedaços de frango fritos na gordura que ele havia fritado as linguiças, que vendiam feito água. E o danado do Baixinho servia os pedaços de frango somente com uma farinha, mas uma farinha fininha, tao gostosa… que todo mundo voltava.

Isto tudo pra dizer que bar ou boteco que decide participar de um evento desses precisa ser criativo mesmo, tentar inovar, mas cá pra nós, sem inventar demais, gourmetizar demais, inadequadamente a ponto de perder a conexão com a magia da comida simples de boteco.

Se vai usar queijo, que se use um queijo mais rústico. Queijo brie, gorgonzola, catupiry, cream cheese, ôôôôôôô gente, isto aqui é Brasil. Não é a França nem a Bélgica não.

É pra ter criatividade com  ingredientes simples. Polvo, lula, , faisão etc nada tem a ver com boteco. Claro que um camarãozinho empanado, simples, tem tudo a ver. Mas não é disto que estou falando. Estou falando é da tal GOURMETIZAÇÃO, da invencionice exacerbada que nada tem a ver com o que se encontra o ano inteiro  nesses templos de comida simples.

Me cite um, apenas um boteco em que você tenha ido num dia qualquer, despretensiosamente, que tivesse encontrado no cardápio um torresminho ao molho de queijo brie e melado? Ou um jiló assado a 200 graus na crosta de queijo grana padano com gergelim negro? Tô inventando pra exemplificar, gente!

Claro, gosto é um lance muito subjetivo, e respeito. Mas meu objetivo aqui é a mais ferrenha defesa pelas VERDADEIRAS COMIDAS DE BOTECO. Simplicidade nos ingredientes e nas técnicas de preparo. Ou vai me dizer que você não cai de boca num torresminho com jiló frito por aí?

Em tempo: não sou chef, não sou dona de boteco e muito menos dona da verdade. Apenas a-mo um boteco. Com comida de boteco. Somos dos que vão longe atrás de um boteco e um petisco com boa indicação (Lena Mara Leite Gomes).

Roda de Boteco: um mês a partir desta sexta, 3

https://www.instagram.com/rodadeboteco/

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham