
“In Memoriam”
– “Se é mal, por que não tentar?”
– disse o Diabo maior, esfregando as mãos.
Belfagor e o computador
– “Chefe, criarei um engenho capaz de atormentar homens e mulheres por todo o sempre”, prometeu o desastrado capeta.
Belfagor, o demônio enviado por Lúcifer a Florença no século XV e fracassado em sua tarefa de destruir a família e as virtudes, segundo o relato de Niccolò Machiavelli, cumpriu quatro séculos de penas infernais.

Não gozou de nenhum benefício de redução da pena, que é a queimação eterna.
Lúcifer não retrocede jamais.
A pior pena do Inferno, sabem os entendidos, não é a queimação perene, de um fogo que não se extingue como a paixão: é a rotina, a chama uniforme, sem brisa ou labaredas, sem cinzas e sem fim.
Pois foi aquela rotina infinita que, um dia, cumpridos os quatro séculos de expiação, levou Belfagor a Lúcifer, animado com nova proposta de baixar à Terra, ao centro do Poder, que se havia deslocado de Florença para Washington, nos Estados Unidos da América.
– “Chefe, criarei um engenho capaz de atormentar homens e mulheres por todo o sempre”, prometeu o desastrado capeta.
– “Seu nome vem do ato de fazer contas e da condenação eterna infligida por Deus aos bichos de duas ou mais pernas, a dor”, explicou Belfagor a Lúcifer, esfregando as mãos de contentamento, enquanto assoprava-lhe o substantivo ao ouvido.
– “Computador! Belo nome!” Aquiesceu o diabo maior e deixou escapar, alto e bom som, para que toda a diabada em volta de seu trono ouvisse:
– “Se é mal, por que não tentar?”

jornalista, escritor
Nota do Editor Chefão:
Os dois últimos livros de Claudio Lachini são “Sperandio” e “Vasco – Memórias de um precursor da globalização”, ambos romances históricos que se misturam à história real do período da colonização do Espírito Santo (o primeiro) e pós descobrimento do Brasil (o segundo).
“Piotaco” do Oleari
Dou um repeteco pro texto delicioso, cheio de simbolismos, pois sempre comungamos, o Cláudio e eu, dos mesmos sentimentos quanto ao que sempre tratei de trolha eletrônica bilgueitiana istivijobiana. Costumávamos dizer:
“esse trem é realmente coisa do Cramulhão”.
Muitos séculos depois a invenção do Capeta foi aperfeiçoada por uns caras aí chamados Bil Gates, Steve Jobs, entroutros, certamente muito familiarizados com o coisa ruim relatado por Cláudio Lachini.
Recadim aos “cabeção” quissão só de “curtir retratim” no maledeto feissibuqui: O Zuckeberg também devidisê aparentado do Belfagor: textim pra ler e se deliciar com a bela fábula do nosso sempre saudoso Cláudio Lachini (Oswaldo Oleari).
Computador
https://donoleari.com.br/lei-de-incentivo/
Repeteco: em 4/out/2016 – Publicado em 21 de agosto de 2013





