Duas Cadeiras Vazias
“As Duas Cadeiras Vazias” para dois rostos desconhecidos, como na imagem destacada.
COLUNA PANO DE FUNDO |

POLÍTICA \ BASTIDORES
EDILSON LUCAS DO AMARAL
Na política majoritária, há um fenômeno antigo e reincidente: quando um mandato se esvazia de prestígio, a cadeira começa a parecer vaga — mesmo que ainda esteja ocupada.
É como se o enfraquecimento de um nome abrisse espaço para a imaginação dos outros. E então, surgem muitos. Sonhadores, estrategistas, ressentidos, reformadores — todos com o mesmo desejo de ocupar o lugar que já não parece tão distante.
Assim se configura o cenário no Espírito Santo diante das duas vagas ao Senado que se abrirão em breve.
Uma disputa que, antes mesmo de começar oficialmente, já se espalha como vento em palha seca. Nunca tantos nomes foram soprados nas esquinas políticas do estado como agora.
O que antes era disputa pontual se transforma em marcha coletiva, quase romaria.
Entre os já colocados, há velhos conhecidos, figuras de gestos contidos e olhos treinados para o horizonte: o ex-governado
r Paulo Hartung, sempre calculado, e o atual governador Renato Casagrande, que carrega a vantagem do cargo e o fardo da responsabilidade.
Mas há também os que vêm da borda, dos lugares onde o poder é mais sonho que lembrança.

Leonardo Monjardim, um vereador que se lança como quem desafia a lógica, confiando na ousadia.
Manato se posiciona com a firmeza de quem já carregou bandeiras maiores. Evair de Melo articulou com cuidado os passos para chegar ao centro da cena.

Luiz Paulo Vellozo Lucas, com seu tempo próprio, já se move como quem volta de uma longa viagem para reclamar o que acredita ser seu por direito.
Ao fundo, outros nomes mantêm a brasa acesa.
É assim com Sérgio Vidigal e Magno Malta.

Fabiano Contarato, já senador, se prepara para defender seu espaço com a voz firme de quem ainda acredita no seu eleitorado fiel.
Marcus do Val, com suas controvérsias, também permanece no jogo.
A paisagem, agora, é de uma estrada larga demais, onde muitos correm — mas não há espaço para todos na linha de chegada. As duas cadeiras no Senado viraram símbolo.
Não apenas de poder, mas de legitimidade. São tronos disputados por vozes distintas, por projetos divergentes, por egos inflados e esperanças sinceras.
Essa eleição, mais do que uma simples escolha, será um espelho. Um reflexo do tempo em que vivemos: fragmentado, ruidoso, impaciente.
E, como todo espelho, poderá mostrar tanto o que somos quanto o que fingimos ser.
No Espírito Santo, o Senado está prestes a mudar de rosto. Resta saber quais rostos sobreviverão à travessia.
Duas Cadeiras Vazias
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