Estado violento
A violência que constrange o Espírito Santo, que está em quinto como o estado violento do Brasil
ARTIGO |

UCHOA DE MENDONÇA
ATENÇÃO, GOOGLE: REPRODUZIDO COM AUTORIZAÇÃO DO AUTOR
O Estado do Espírito Santo aparece nas estatísticas oficiais como o quinto mais violento do Brasil.
Considerando que o território capixaba não chega a cinco milhões de habitantes, o dado revela um quadro ainda mais grave: proporcionalmente, é um dos estados mais violentos da região Centro-Sul.
Essa realidade – que não é responsabilidade exclusiva da atual administração – afeta diretamente a rotina das pessoas.
Transitar a pé, de carro, de moto ou bicicleta, sair do portão de casa para a rua, entrar em um supermercado, padaria ou restaurante: nada disso transmite segurança.
A sensação de vulnerabilidade é cotidiana e generalizada.
Essa brutalidade, que provoca um estado permanente de opressão moral, também trava o desenvolvimento econômico e social.
Nenhuma região próspera quando sua população vive sob medo constante.
O problema não é exclusivo do Espírito Santo.
Recentemente, testemunhamos no estado vizinho do Rio de Janeiro uma tragédia urbana nas comunidades do Alemão e da Penha, hoje reunidas sob o nome de Complexo.
Mais de 200 criminosos e quatro policiais morreram, além de outros feridos. A mudança de nomenclatura, no entanto, não alterou a violência que domina essas áreas.
Há, no país, uma divergência profunda sobre quais caminhos seguir para conter o avanço das facções que controlam o tráfico.
Fala-se em ações sociais e urbanísticas, mas também se reconhece a existência de um paternalismo – ou até medo – por parte de setores do poder público.
Em alguns casos, esse comportamento flerta com o acumpliciamento, quando autoridades dialogam, visitam ou concedem facilidades a criminosos que exercem liderança nas comunidades.
Esse tipo de relação, que ocorre em certos estados, afronta o cidadão que trabalha, paga impostos — entre os mais altos do mundo — e espera proteção do Estado.
É possível encontrar soluções para a violência, exceto para a morte.
Leis mais duras, debate sobre pena de morte, impedimento legal para que condenados disputem cargos públicos e urbanização de favelas com recursos recuperados da corrupção são medidas que, na visão do autor, deveriam ser discutidas com seriedade.
A alternativa é permitir que o crime organizado avance ainda mais, muitas vezes com o apoio de autoridades corruptas.
O fato é que a posição do Espírito Santo entre os estados mais violentos do país é, antes de tudo, uma vergonha nacional — e um alerta que não pode ser ignorado.
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