Eustáquio Palhares: Homus corruptus 9/7

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Eustáquio Palhares

Homus corruptus

Coluna CONTRAPONTO – Eustáquio Palhares

A teoria econômica, frequentemente fustigada ora por modismos ora pelo avanço tecnológico que relativiza os fatores que antes eram sacralizados como pétreos, fundamentais, projetava um consumidor totalmente racional que sempre avaliava a decisão que melhor lhe favorecesse em termos de custo. Daí o já saturado “custo/benefício” largamente apropriado pelos vendedores de qualquer parafernália. Vinhos, principalmente.

Daí também a suposição de que essa joia da coroa da criação que é o homem, ante uma decisão econômica sempre avaliaria todos os seus aspectos antes de exercer sua escolha. Tão forte racionalismo asseguraria que sua predileção espelharia   a maior vantagem ou benefício. Encharcada da pura lógica, por isso, toda decisão de consumo sempre expressaria  essa melhor escolha.

O marketing  – e a política – provaram  que não. Cortejar a subjetividade humana é uma estratégia eficaz para contornar a racionalidade. Tocar a emoção e o sentimento fazem com que a razão e o dito senso cartesiano sejam solenemente ignorados em favor de uma satisfação pessoal ou empatia. Nada, aliás, que a velha sabedoria cabocla não tivesse predito com o seu mote de que “mais vale um gosto do que quatro vinténs”.

homus corruptusDo senso prático caboclo à solenidade da Academia de Ciências da Suécia que confere o Nobel, essa verdade deu um salto quântico.

O Nobel de Economia de um desses anos recentes foi laureado pela sua tese de que a pessoa se orienta muito mais pela emoção ou o sentimento ao se decidir do que pela razão.

Da mesma forma como a emoção inspira a decisão rápida e a razão causa a decisão mais lerda.

Quando esta  encontra tempo pra ser processada, acaba por  anular a primeira, razão decantando a emoção. Ou no popular, “se pensar muito, não faz’”

Homus corruptus

Então, falando do “homus economicus” que só habitava os livros de economia e as teorias acadêmicas, ocorre-me a existência do “homus corruptus”, esse espírito que grassa na sociedade e se incorpora nas pessoas ora em momentos, ora em  algumas fases ora  mesmo por toda a vida. Isso já produziu sentenças amargas, como a de que, tanto quanto falível, o homem é potencialmente um ser corrupto. Tal pendor que  assola indiscriminadamente a espécie sem exceção  se distingue por diferentes  tipos de contaminação em função de um fator:  a moeda com que se corrompe.

Há os que se corrompem por dinheiro, o pessoal da base dessa pirâmide iníqua, há os que se corrompem por prestígio, os que não resistem aos acenos da vaidade e da inflação do ego, os que entendem que os meios justificam os fins, se esses coincidirem com os  de sua ideologia;  aqueles para quem basta não serem de sua confissão religiosa para serem desmerecedores ou os que se seduzem  apenas pela banal promessa de prestígio, cargo ou status (embora às vezes mesclem aptidões com a base da pirâmide, buscando prestígio para se habilitarem às negociatas).

E o que dizer dos que se corrompem meramente pelo tesão fazendo os mais improváveis contorcionismos para conquistar o “objeto do desejo”? Da guerra de Troia à Proclamação da República, quando um leal Deodoro da Fonseca, por pirraça com D. Pedro II por nomear um desafeto amoroso gaúcho, assumiu a liderança do movimento militar, muito litigio e guerra irromperam por impulsos que transbordaram das alcovas. O tesão confrontando a moral e os bons costumes.

Nesse rol, é honroso distinguir os que se corrompem pelos sentimentos de amizade ou mera afeição. Não que se justifiquem no mérito mas é certo que a circunstância da sua humanidade é um fator que mais o dignifica que o condena. Corrompe-se por afeto, estima, sem visar qualquer proveito exceto o de exercer o poder de ajudar alguém. Nesse caso indigno de tal ajuda ou mesmo da amizade que imolou o amigo.

Eclético cardápio este, da corrupção…

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham