José Antonio Bof Buffon: Recursos para inovação existem, mas estão lacrados em mentes arcaicas de gestores públicos | 9/6

José Antonio Bof Buffon
 buffon-1.jpg
josé antonio bol buffon

José Antonio Bof Buffon

…”São gestores, em regra, viciados em obras, que dão enorme importância ao descerramento de uma placa numa “solenidade” de entrega de um mísero trecho, 1 km de estrada…”

José Antonio Bof Buffon – Economista. Secretário Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação de Colatina.Professor Adjunto da Universidade Federal do Espírito Santo. Ex-presidente da FAPES.

O futuro dos países, das regiões e das cidades está indissoluvelmente ligado à capacidade de inovação. E a inovação depende fortemente do avanço da Ciência, combinado com a capacidade de empresariamento de ideias, pelos próprios pesquisadores ou por terceiros. Então é justo que seja cobrado dos gestores públicos um fluxo de recursos estável e ascendente para a pesquisa científica e para a inovação.

Assim, cobrarmos ferozmente da União e cobramos também, mais moderadamente, dos nossos governos estaduais. Em momentos como o atual, esta cobrança é legítima, justa e necessária. Mas há um gigantesco montante de recursos, disponível, que pode ser alocado pelos municípios.

Mas por que estes recursos não aparecem? Já explico. Não aparecem porque o modelo mental da maioria dos nossos gestores municipais ainda é prisioneiro do investimento tangível, material, em detrimento do intangível, do imaterial.

São gestores, em regra, viciados em obras, que dão enorme importância ao descerramento de uma placa numa “solenidade” de entrega de um mísero trecho de estrada. Vamos convencionar que 1 km de asfalto custe R$ 3 milhões. Todo município, por, menor que seja, tem recursos próprios para construir 4 km de asfalto em 4 anos, 1 km a cada ano. O que se pode fazer com o equivalente a 1 km de asfalto?

1 – Um amplo programa de “ideação”, que culmine com geração e pré-incubação de 15 startups, subvencionadas e acompanhadas por pelo menos 10 meses.

2 – Um amplo programa de “iniciação tecnológica e científica” para 250 alunos do Ensino Médio e Fundamental II. Multiplique-se tudo por 4 anos e por 78 municípios, no caso do Espírito Santo, e teremos os seguintes números:

  • R$ 936 milhões alocados;
  • 4.680 empresas novas baseadas em conhecimento;
  • 78.000 jovens motivados, iniciados em ciência e tecnologia e desafiados a empresariar suas ideias.

Modelo mental arcaico

É lógico que nem todos os municípios dispõem de massa crítica e das pré-condições (não financeiras) para que estes números se tornem realidade. Mas estes números servem para dar a tônica da direção para qual devemos caminhar. Por outro lado, muitos municípios podem fazer muito mais do que esta simples projeção vem a sugerir. O que temos a fazer é desafiar os gestores públicos a romper com um modelo mental arcaico e obsoleto; reavaliar suas prioridades e montar equipes sintonizadas com esses novos tempos.

E para finalizar, saliento que em todo município, por menor que seja, tem 5 ou 6 jovens que se graduaram em boas escolas e estão ansiosos por uma oportunidade para fazer algo diferente em suas cidades. Para tanto, os gestores também precisam mudar o modelo de recrutamento dos seus secretários.

(*) Economista. Secretário Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação de Colatina.Professor Adjunto da Universidade Federal do Espírito Santo. Ex-presidente da FAPES.

https://twitter.com/Bof_Buffon

Paulo Hartung no Estadão: A polarização e o debate político-eleitoral deficitário | 8/6

José Antonio Bof Buffon, José Antonio Bof Buffon,

José Antonio Bof Buffon

Destaque da Redação PDO

Modelo mental arcaico

É lógico que nem todos os municípios dispõem de massa crítica e das pré-condições (não financeiras) para que estes números se tornem realidade. Mas estes números servem para dar a tônica da direção para qual devemos caminhar. Por outro lado, muitos municípios podem fazer muito mais do que esta simples projeção vem a sugerir. O que temos a fazer é desafiar os gestores públicos a romper com um modelo mental arcaico e obsoleto; reavaliar suas prioridades e montar equipes sintonizadas com esses novos tempos.

Tags

COMPARTILHE:

Share on facebook
Share on twitter
Share on pinterest
Share on linkedin
Share on whatsapp
Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham