Meu poema de sábado – Estetoscópio, de Lara Couto

Lero do Editor Chefão: Rubens Pontes segue sua agenda de priorizar nesta temporada poetas do Espírito Santo, alguns muito jovens e desconhecidos (O.O.).

Não bastasse a reclusão motivada pelo corona vírus, passei as duas últimas semanas em gozo de férias (não remuneradas), generosamente concedidas pelo Poderoso Chefão, durante o período em que fiquei sem instrumento para meu trabalho no Don Oleari Portal.

Meu computador – não à toa do latim computare – mereceu o palavrão, mas, por outro lado, gerou perturbadoras conclusões sobre como chegou e principalmente para que chegou, assegurando mais espaço e vigor ao sistema capitalista.

Sei, porque li de quem sabe, que o computador busca funcionar como o cérebro humano que o criou. O cérebro é o hardware, a consciência o arquivo; o software a lembrança, experiência, a atividade sensorial.

Os computadores, forjados pelo cérebro humano, têm, não por coincidência, os mesmos componentes para operar: hardware, software e arquivo de dados.

O software contem os programas que permitem realizar as atividades específicas, sistemas operacionais, aplicativos, navegadores, web. Roda no hardware e o arquivo roda no software.

O hardware é o componente de sua estrutura física – monitor, teclado, gabinete e mouse.

Não se pode abrir o arquivo sem o software. Os dois trabalham paralelamente, um

fazendo as operações, o outro a parte física para sua realização. Sem o que tudo que ele pode fazer é armazenar o arquivo.

A rigor, o computador e seu uso têm uma representação escamoteada além de sua utilidade prática, muito claramente definida pelo escritor e pesquisador Yuval Noah Harari em seu livro ”21 Lições para o Século 21″ (Companhia das Letras).

Lembram-se de Hal 9000 de “2001, uma odisseia no espaço”, de Arthur C. Clarke,  imortalizado pela adaptação cinematográfica de Stanley Kubrick?

Parte do uso cada vez maior do computador – a corrida para obter dados da nossa intimidade com finalidade não expressa, é a proposta liderada por gigantes como Google e Facebook.

Capturam nossa atenção fornecendo-nos gratuitamente informação, serviços e entretenimento e depois revendem nossa atenção aos anunciantes.

Muito mais, porém, muito mais além disso, seu verdadeiro negocio não é vender anúncios, e sim captar a nossa atenção e com isso acumular imensa quantidade de dados sobre nós, o que vale, politicamente, mais do que qualquer receita de publicidade.

Não somos seus clientes, somos seus produtos.

Coloca-se em segundo plano o fato de ser nosso cérebro, com suas 100 bilhões de células nervosas e 86 bilhões neurônios, capaz de arquivar o equivalente a 1 mil terabytes de informações.

Mais de 160 mil quilômetros de vasos sanguíneos se espalham pelo cérebro – correspondendo a 4 voltas em torno da Terra. Suas conexões somam mais do que o número de estrelas da nossa Galáxia.

Pesando 1,5 quilo, correspondente de 2 a 3 por cento da nossa massa corporal, com 75 por cento de água, nosso cérebro é capaz de escanear e processar imagens complexas em até 13 milissegundos. Muitíssimo mais rápido do que o Google e seus arquivos.

Para nós do Don Oleari portal sem deixar de ressaltar o bom uso do computador e os fantásticos benefícios dele decorrentes, vale lembrar que sobram em nós as emoções que o computador não tem.

(Tomando chá com torradas amanteigadas numa sala ao lado, Lena Mara e Márcia Mara parecem desinteressadas pelo que ouvem até que a Primeira Dama, com aparente displicência, comentou em tom bastante alto para nós ouvirmos:

– Foi Roger Sperry (*) quem concluiu:

O cérebro da mulher possui mais massa cinzenta do que o dos homens, o que lhes assegura melhor desempenho em tarefas do linguajar e permite que ela pense e se movimente simultaneamente…”

Negar, quem há de?

E o definitivo ponto comprovando a inquestionável supremacia do cérebro humano sobre a máquina:

– nenhum computador será capaz de ter sentimentos próprios, emoções, sonhos, e expressá-los com a sensível e realista simbologia dos instigantes versos de ESTETOSCÓPIO da poeta Lara Couto, capixaba de Vila Velha/ES, que o Don Oleari, portal de informação, cultura e debate boca, publica nesta Coluna.

Rubens Pontes,
Jornalista

(*) Nota: Roger Wolcott Sperry, cientista agraciado com o Prêmio Nobel de 1981.

Estetoscópio

Lara Couto

Sim
Não
Razão
Emoção
Vida
Morte
Azar
Sorte
Dinheiro
Prestação
Desejo
Paixão
Emprego
Calção
Casa
Apartamento
Alegria
Sofrimento
Prosa
Poesia
Noite
Dia
Verdade
Fantasia
Palha
Alvenaria
Previdência
Folia
Sem nenhuma determinação:

Bate
Por indecisão:
Apanha

Conclusão:

Por indecisão:
Apanha

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham