Rubens Pontes: Meu poema de sábado | história, cultura e glórias do povo de São Pedro de Itabapoana |18/6

Meu poema

Meu poema

“Este sitio risonho entre montes aberto

É a seara de booz onde a miséria humana

Não entristece o olhar que vê o céu de perto”

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Rubens-Pontes

 

Coluna AQUI RUBENS PONTES –

Meu poema de sábado

 

Vivemos, segundo senso do IBGE, 214.742.476 de brasileiros num espaço geográfico de 8.510.345 quilômetros quadrados. 

Administrativamente, são 5 mil 568 municípios, o maior deles o de São Paulo, com uma população de  12.396.372 pessoas, dados de 2021.

Nós, os espírito-santenses, ocupamos modestamente herdada de uma Capitania Hereditária uma área territorial com 46.095 quilômetros quadrados, espaço atualmente  dividido entre 78 municípios,  ondem vivem, segundo aponta senso de 2021, 4 milhões, 108 mil 508 pessoas.

O Munícipio da Serra é o mais populoso, com 536 mil mil habitantes. Vitória tem 369 mil, 534. Motivo de orgulho para os espírito-santenses e para os que aqui aportaram em busca de áreas mais saudáveis para viver e crescer, a saga de uma pequena  população ocupando pequeno território, fazendo projetar no cenário da cultura nomes de envergadura nacional, com presença honrosa no cenário da inteligência criativa além de seus espaços físicos..

Se, por exemplo, cidades como Cachoeiro de Itapemirim ocupam com destaque largos espaços no campo da Cultura, ou Colatina, possuindo história como  núcleo de liderança no processo de redemocratização do País presidindo o Congresso Nacional,  pequenas cidades do Estado foram precursoras de  movimentos que alavancaram o desenvolvimento da nossa cultura.

Esse  “lead” encaminha o Colunista para o objetivo pretendido pelo Portal Don Oleari, alertada a Coluna por um apelo de Adolfo Miranda Oleari, então na Secretaria de Cultura do ES, ao seu pai, no caso o Poderoso Editor Chefão do Portal:

Pai, do jeito que você gosta. Você precisa ir  lá.”

Demonstrar como um pequeno lugarejo localizado em terras indígenas, ocupadas em 1837 pelo posseiro Francisco José Lopes da Rocha, se transformaria no tempo na Freguesia de São Pedro do Itapemirim, em 1856; em Distrito em 1857 e Freguesia de São Pedro do Itabapoana em1863, já então com uma pequena população de 5 mil 691 habitantes, cumprindo sua destinação  histórica de evidenciar que determinação, inspiração e talento não exigem largos espaços geográficos para desenvolver e se impor.

Passos no rumo do futuro pretendido foram dados a partir da instalação de uma escola primária em 1876.  Em 1878 foi nomeada a  primeira professora  nascida  na cidade,  Isabel Neves dos Santos.

A sede de  novos conhecimentos no campo da cultura se alargou e em 1883 foi fundada a Sociedade Literária “José  de Alencar”, e  em fevereiro de 1885 o Teatro “São Pedro e Alcântara”, em 1887 a Banda Musical “União de São  Pedro” e em 1888 a  Banda de Música “São Pedro de  Alcântara”.

Nesse implacável roteiro de conquistas igualmente no campo da divulgação cultural, foram criados os jornais “O Município”(1884), “A Evolução”(1898), “A Pátria”(1899), “O Progresso” (1903), “O Rebate” (1904), “O Binóculo! (1907).

 pedro-antonio-academia-1.jpegO periódico “A Semana”, instalado em 1913, órgão da Câmara Municipal, teve  pioneiramente como um de seus dirigentes a grande poeta e primeira escritora do Espírito Santo Maria Antonieta Tatagiba, sobre cujo trabalho na  área da criatividade intelectual a Coluna há  algum tempo se pronunciara.

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pedro antonio e a casa de maria antonieta tatagiba

É imperativo voltar a uma de suas criações inspirada na cidade  que comemora anualmente no mês de março  o “Encontro Estadual de Poesia”.

E vale lembrar: o distrito de São Pedro do Itabapoana, que perdeu a condição de sede do município para a sede atual, Mimoso do Sul, é também reconhecido como “Terra da Viola e da Sanfona” com um Festival  de Inverno anualmente realizado em cada  dia 30 do mês de julho.

 pedro-antonio-aniversario-1.jpegPara fechar a Coluna, tornam-se saudáveis três coisas:

1 – publicar um novo  poema dessa notável intelectual que mudou de plano de vida em fevereiro de 1928, um ano antes da edição por empresa carioca de seu livro “Frauta Agreste”, com capa  de Raul Pederneiras;

2 – anotar o excelente trabalho que vem sendo realidado pela Academia Maria Antoniet Tatagiba Artes, História, Letras – https://www.facebook.com/academiamariaantonietatatagiba/

3 – regitrar dois aniversários: o primeiro, do escritor Gerson Moraes França, acadêmico fundador; o segundo, o aniversário desse bravo guerreiro e lutador pela preservação, recuperação e manutenção da vida cultural ativa de São Pedro de Itabapoana, esse superlativo Antonio Pedro de Souza, a quem deixamos nosso abraço de admiração.

Rubens Pontes

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maria antonieta e casa

Capim Branco, MG

 

FRAUTA AGRESTE

Maria Antonieta Tatagiba

Este sítio risonho entre montes aberto

É a seara de Booz, onde a miséria humana

Não entristece o olhar que vê o céu de perto

, Lindo e azul qual preciosa e antiga porcelana,

Quando raia a manhã cheirosa, pura e fria

E áureo guerreiro, o sol do seu carro espadana

Setas de ouro e de luz por sobre a ramaria

, Sobre as casas se abrindo através dos pomares,

Num bulício de vida e de sã alegria…

Que ledo é o fumo azul que sobe destes lares

Para o alto a se juntar aos tufos da neblina

Nas serras, de onde vem, embalsamando os ares,

Um aroma de jasmim – a essência agreste e fina

Dos verdes laranjais se abrindo ao longe, em flor…

Canta a voz de cristal do sino na colina.

Lembrando ao já desperto e ativo lavrador

Que a terra fértil, boa, espera o grão nas leiras

Para o tornar em pão, regada de suor.

 

Há duetos de sabiás à tarde, nas balceiras

Para embalar o sol que atrás da serra expira

Golfando sangue sobre as cristas das pedreiras

. Rósea, a sempre-lustrosa os seus festões atira

Pelas sebes da estrada e a esmo pelos campos,

Onde passam cantando águas cor de safira…

São os dias aqui sempre azuis…

Pomos lampos Coroam na ramada o labor da charrua..

. São as noites de paz, cheias de pirilampos…

E como é sugestiva e poética esta lua Serrana

, quando mostra entre o crivo da mata,

Num desmaio de amor a face casta e nua…

Sobre a aldeia adormida – oh! Magia tão grata

À alma que sonha – entorna o seu clarão incerto

Aluminando o enlevo azul da serenata…

Aqui neste rincão de verduras coberto

Entre montes tafues que beijam o infinito

E onde se julga ver o claro céu de perto.

É que os dias eu passo em sossego bendito,

Tocando a minha frauta e ouvindo a singeleza

Do seu som se casar, das aves ao spartito,

No seio acolhedor da bela Natureza.

Fotos de capa: Flávia Miranda Oleare

https://www.facebook.com/academiamariaantonietatatagiba/

Kleber Frizzera: Felicidade | 18/6

Meu poema

Meu poema

Meu poema

Meu poema

Meu poema

Meu poema

Meu poema

 

Sugestão de leitura do  Portal Don Oleari:

“São Pedro de Itabapoena – Memória e  Identidade Sul Capixaba”

https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/handle/10438/4154

de Marcelo Pedrosa Pereira

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham