Contas de Renato Casagrande: oposição “ruge” como gatinho | 10/7

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Alexandre Caetano

Oposição,oposição, mia mansinho diante do governador.

Coluna POLÍTIKA – Alexandre Caetano

 

Casagrande para a oposição – “É escolha. Quem quer ser independente tem que ser independente, não pode pendurar sua independência em uma dependência”, rebateu.

Contas de Casagrande: oposição “ruge” como gatinho

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Renato Casagrande

O que terá acontecido com a pequena mas barulhenta bancada de oposição na Assembleia Legislativa (AL/ES) na prestação de contas do governador Renato Casagrande (PSB), realizada na última terça-feira (7)?

Afinal, quem viu as ruidosas cobranças e ataques feitos nos últimos meses, principalmente pelos deputados bolsonaristas, pode ter estranhado o verdadeiro clima de paz e amor da prestação de contas. Não deveria.

Esses ataques têm sido feitos pelos deputados Capitão Assumção (Patriota), Carlos Von (Avante), Danilo Bahiense (sem partido) e Torino Marques (PSL), a respeito de supostas irregularidades na compra de álcool em gel pela Secretaria de Saúde (Sesa) e corrupção numa licitação do Detran.

Carlos Von
Torino Marques
Danilo Bahiense

Não se trata exatamente de uma situação nova.

Nos últimos 19 anos, desde o primeiro mandato do ex-governador Paulo Hartung (sem partido), em 2003, as sessões anuais de prestações de contas, previstas na Constituição Estadual, se transformaram em palco de muita bajulação de deputados governistas, bem como pedidos de obras e atendimento para seus redutos eleitorais.

Talvez cause espanto o fato de que, ainda que a oposição fosse exercida de forma pontual ou por algum parlamentar desgarrado do bloco governista, tanto Hartung, em seus três mandatos, como o próprio Casagrande, em seu mandato anterior (2011-2014), talvez tenham tido muito mais trabalho nas prestações de contas de legislaturas anteriores da do que o pessebista teve este ano.

Capitão Assumcão

Pela primeira vez neste período iniciado em 2003, pode-se afirmar com certeza que existe um bloco de oposição atuante no legislativo estadual, ainda que minoritário. Isso não é pouca coisa.

Na última terça-feira, quem já se habitou em ver o Capitão Assumção esbravejando da tribuna da AL/ES, com seu linguajar agressivo e ataques pejorativos aos adversários (ou seriam inimigos?), nos quais costuma extrapolar para adjetivos como “pilantra”, “vagabundo”, “ladrão” e outros do mesmo calibre, talvez tenha ficado espantado com o tom civilizado com que ele se dirigiu ao governador.

Afinal, na sessão de 22 de junho passado, o deputado e oficial da reserva da Polícia Militar (PM) chamou Casagrande de “canalha” num inflamado discurso.

Membros do governo, em especial o secretário de Saúde, Nésio Fernandes, alcunhado como “médico cubano” por Capitão Assumção, costumam ser alvos frequentes da sua artilharia verbal. Mas, se alguém pensou que o ruidoso parlamentar oposicionista iria cobrar Casagrande repetindo as exaltadas denúncias de corrupção e cobranças que ele mesmo fez do plenário da AL/ES, certamente perdeu a viagem.

Assumção também não fez qualquer referência à CPI que a bancada bolsonarista e os deputados “independentes” tentam criar na Casa para investigar as supostas irregularidades na aquisição do álcool em gel pela Secretaria de  Saúde.

Theodorico Ferraço
Sergio Majeski

Do bloco de seis deputados, formado pela oposição bolsonarista e os dois parlamentares “independentes” – Theodorico Ferraço (DEM) e Sérgio Majeski (PSB) – somente o deputado Carlos Von acabou fazendo referências às supostas irregularidades na Sesa e no Detran.

Assim mesmo de uma forma tão branda e amena, lendo perguntas escritas, que Casagrande não precisou de fazer maior esforço para refutar as denúncias, classificando-as como “fake News”.

O único momento em que Casagrande realmente demonstrou irritação, durante as mais de quatro horas da prestação de contas e aumentou o tom da resposta, aconteceu quase no final da sessão, quando o deputado Torino Marques, penúltimo parlamentar a fazer perguntas, criticou duramente o secretário-chefe da Casa Civil, Davi Diniz (PSB), e cobrou do pessebista, quem era o responsável pela “inoperância” e o não pagamento das emendas ao orçamento estadual dos parlamentares “independentes”.

Visivelmente irritado, o governador falou em “respeito” e em “escolhas” por parte de quem quer fazer oposição.

– “É escolha. Quem quer ser independente tem que ser independente, não pode pendurar sua independência em uma dependência”, rebateu.

Talvez a pergunta feita no início da coluna deva ser alterada: quem atuou para garantir a tranquilidade ao governador Renato Casagrande na prestação de contas para que ele não fosse perturbado pelos parlamentares oposicionistas?

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Casasagrande e Musso

Uma pergunta que, evidentemente, abre espaço para diversas especulações. Não é nenhuma novidade que o Palácio Anchieta sempre lança operações de apaziguamento nos dias que antecedem as prestações de contas.

Nos bastidores, o que se diz é que o presidente da AL/ES, deputado Erick Musso, apesar da relação convenientemente ambígua com o governo Casagrande, foi mais uma vez acionado: a bancada oposicionista, especialmente os parlamentares bolsonaristas, fazem parte da sua base de apoio interno na Casa.

O público externo estranhou os próprios deputados oposicionistas. Eles tiveram oportunidade de cobrar as denúncias e ataques inflamados feitos da tribuna, mas não o fizeram frente a frente com o governador Renato Casagrande.

Alexandre Caetano, jornalista, historiador

Edição: Don Oleari

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Don Oleari - Editor Chefão

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Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham