Paulo Gustavo distribuiu alegria: Juca Magalhães

sobre ator paulo gustavo

A morte desse homem que foi mulher, que foi o que quis, viveu feliz, do jeito que escolheu, é um marco neste momento terrível que vivemos no Brasil. Porque deixa muito claro que é preciso colocar de lado esse ódio insano, essa guerra cultural idiota e tentar recuperar o respeito e a dignidade como povo, como nação.

grupo dzi croquetes
Dzi Croquettes

Com a morte precoce de Paulo Gustavo, não tem como não lembrar da famosa frase de Wagner Ribeiro de Souza, “Só o amor constrói”.

Um artista fenomenal, líder do grupo de dança Dzi Croquetes, hoje praticamente esquecido, Ribeiro foi outra dessas figuras iluminadas que generosamente ganhava o pão distribuindo alegria.

Teve sucesso, sofreu muito preconceito e terminou assassinado neste país que mais mata gays no mundo todo. Sim, esse mesmo país da “mamadeira de piroca”, que vive sob a ameaça fantasmagórica do “comunismo”.

Numa entrevista, pediram para Marcus Majela falar um homem bonito. Ele disse: “Paulo Gustavo”. E uma mulher bonita? Respondeu: “Paulo Gustavo também”. É esse o território que essa galera conquistou, muito diferente daquele que os caras do Dzi Croquetes viveram (e morreram) nos anos 1970.

O gay deixou de ser uma escada para piadas preconceituosas e ganhou respeitabilidade, casamento, filhos. A vida e o trabalho de Paulo Gustavo foram fundamentais nesse processo.

A morte desse homem que foi mulher, que foi o que quis, viveu feliz, do jeito que escolheu, é um marco neste momento terrível que vivemos no Brasil. Porque deixa muito claro que é preciso colocar de lado esse ódio insano, essa guerra cultural idiota e tentar recuperar o respeito e a dignidade como povo, como nação.

Não quero politizar a despedida dessa pessoa divertidíssima e iluminada, mas me dirigir àquelas pessoas que foram envenenadas pelo extremismo para dizer que é possível se curar. Muita coisa não tem cura, mas esse ódio tem.

Primeiro, entenda como verdade que “Só o amor constrói”.

E se o ódio pode desencadear uma reação, a tolerância e o respeito também podem. Nem vou dizer amor, quem está doente de ódio não consegue saber o que é amar. Estão cheias de medo e cheias de si, o discurso inflamado, a adoração e obediência ao poder empresta uma sensação ilusória de matilha, de segurança, de domínio de um mundo que lhes escapa pelos dedos. Estão doentes e foram induzidos a tomar um remédio que não cura, na maioria vai causar outros problemas.

Essas mesmas pessoas vêm me dizer para “cair na real”. Por sinal, uma reação muito comum em quem não sabe mais o que é realidade faz tempo. Torno a dizer, como disse o apóstolo Paulo, na epístola aos Coríntios: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.”

Aproveitem a comoção causada pela passagem de Paulo Gustavo, para repensar a vida. Entenda: você não está sozinho em seu sofrimento e o caminho do ódio, apesar de ser uma escolha sua, só vai piorar o que é já quase insuportável. A solução é amar. Se não conseguir amar ao próximo, comece tentando com você mesmo.

texto de juca
Juca Magalhães
Juca Magalhães, jornalista, 
músico, produtor cultural


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Don Oleari - Editor Chefão

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Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham