Preços abusivos em Belém e falta de estrutura | Delegações de 25 países ameaçam retirar COP30 da capital do Pará e pressionam Governo brasileiro

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Preços abusivos em Belém

Preços abusivos em Belém

Preços abusivos em Belém ameaçam realização da COP30

ESPECIAL COP30 DE BELÉM

DA REDAÇÃO DON OLEARI PN

Foto de capa: presidente da COP 30, embaixador André Corrêa do Lago – Foto: AP Photo/Adam Gray

Representantes de 25 países enviaram uma carta contundente à organização da COP30 e à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

A carta alerta para os sérios riscos de manter integralmente a conferência do clima em Belém.

O principal foco de crítica é a escalada absurda dos preços de hospedagem na capital paraense, somada a uma infraestrutura considerada precária em logística, transporte e segurança.

A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo.

No documento, os países reconhecem os esforços do governo em sediar a COP30 e a escolha simbólica de Belém, como porta de entrada da Amazônia e do debate climático.

No entanto, os signatários fazem um alerta direto:

“Se a COP inteira for mesmo acontecer em Belém, essas condições precisam ser garantidas”.

Eles destacam que participar do evento significa  segurança:

“É poder viajar para Belém, ficar em acomodações adequadas e acessíveis, e ir ao pavilhão e voltar de forma segura e eficiente em termos de tempo, inclusive tarde da noite” — algo que, a poucos meses do encontro, ainda não é realidade.

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palafitas em belém

aiba-mais-balao.jpg 5 de abril de 2025 23 KBPrograma Profissão Repórter mostrou na terça, 29, uma realidade impressionante no centro da capital do Pará.

Veja no fim da matéria.

A revolta entre as delegações internacionais se intensifica diante de práticas vistas como abusivas.

Hotéis em Belém, segundo as denúncias, estariam cobrando até R$ 6 mil por diária em quartos que normalmente custam R$ 350 — uma alta de mais de 1.600%.

A discrepância gerou indignação entre os representantes, que consideram a postura da rede hoteleira um desrespeito com o processo multilateral e com o próprio objetivo da conferência.

Entre os países signatários estão blocos importantes como o Grupo de Negociadores Africanos e o Grupo dos Países Menos Desenvolvidos (LDC), além de nações ricas como Áustria, Bélgica, Canadá, Finlândia, Holanda, Noruega, Suécia e Suíça.

A maior preocupação diz respeito à cúpula de chefes de Estado, etapa crítica da COP, que antecede as negociações centrais.

Conforme o texto da carta, nunca antes tantas delegações estiveram tão incertas sobre como participar de um evento desta magnitude a tão pouco tempo de seu início.

O diplomata Richard Muyungi, presidente do Grupo de Negociadores Africanos, reforçou à agência Reuters o nível da insatisfação:

“O Brasil tem muitas opções para termos uma COP melhor, uma boa COP. Por isso estamos pressionando para que o Brasil forneça respostas melhores, em vez de nos dizer para limitar nossa delegação”.

A declaração deixa evidente que há forte resistência a qualquer tentativa de restringir a participação dos países mais pobres sob o argumento de “limitação de vagas” ou “problemas locais”.

A tensão forçou a UNFCCC a convocar uma reunião de emergência, realizada em 29 de julho, exclusivamente para tratar dos gargalos logísticos da conferência.

O governo brasileiro recebeu prazo até 11 de agosto para apresentar um plano de resposta. Apesar da pressão, a Secretaria Extraordinária da COP30 assegurou que a realização fora de Belém está descartada.

Como medidas paliativas, o governo analisa o uso de Airbnb, a mobilização de escolas públicas e habitações do Minha Casa, Minha Vida, além da contratação de navios-cruzeiro para ampliar a oferta de hospedagem.

Investigações sobre abusos nos preços de hotéis também foram iniciadas.

O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, reconheceu que há forte pressão internacional:

“Acredito que talvez os hotéis não estejam se dando conta da crise que eles estão provocando”.

“Há uma sensação de revolta, sobretudo por parte dos países em desenvolvimento, que estão dizendo que não poderão vir à COP por causa dos preços extorsivos que estão sendo cobrados”, afirmou Corrêa do Lago.

Desde que Belém foi anunciada como sede, os preços dispararam, inviabilizando a presença de diversas delegações e organizações da sociedade civil.

Uma plataforma de hospedagem com diárias a partir de US$ 200 foi criada para países em desenvolvimento, mas a demanda segue muito superior à oferta.

A carta ainda rechaça propostas como o compartilhamento de quartos como alternativa de economia e reforça que a participação ampla da sociedade civil é essencial para o sucesso das negociações climáticas. O recado final dos países é direto e preocupante:

“Se essas condições não forem atendidas para todos que precisam estar em nossas negociações multilaterais, não teremos chance de chegar a um resultado de sucesso”.

aiba-mais-balao.jpg 5 de abril de 2025 23 KBPrograma Profissão Repórter

O programa da TV Globo mostrou a realidade de favelas no centro de Belém, a capital do Pará.

“FAVELA DE PALAFITAS SEM SANEAMENTO BÁSICO | A comunidade Vila da Barca é uma das maiores favelas de palafitas do Brasil.

Favela-de-palafitas-recebe-esgoto-e-entulhos-de-bairro-nobre-em-obra-da-COP30.jpgLocalizada no centro de Belém, ela não conta com nenhuma cobertura de saneamento básico ou acesso à água potável.

Os repórteres André Neves Sampaio e Júlio Molica visitaram a comunidade para mostrar os desafios enfrentados pelos moradores.

Assista ao #ProfissaoReporter da terça-feira (29) sobre a preparação para a COP30 no @globoplay.

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Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
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