Paulo Bonates: Putin e Zelenski, não me chamem para essa briga | 10/5

Putin e Zelenski

Putin e Zelenski

A mentira substitui a realidade óbvia pela força bruta. Toda a inteligência é voltada para a violência e os países…

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NEC = Nota do Editor Chefão, Don Oleari: publicação com autorização do autor.

 

Por Paulo Bonates – médico, psiquiatra, psicanalista, jornalista, professor da Ufes (Universidade Federal do ES).

É com extrema perplexidade que assisto impotente a perspectiva de uma guerra nuclear mundial que nos pode atingir também, um presidente da república dotado de ínfima inteligência e um povo desarticulado.

Já sugeri aqui, mas ninguém dá bola, que a questão narcísica pelo menos entre Vladimir Putin, da Rússia, e Volodymyr Zelensky, da Ucrânia, está na falta de vergonha na cara. Se tivessem caráter, resolveriam no braço, só os dois, a manobra em busca de poder. Até o Hitler perguntou ao povo alemão se queria guerrear.

Infelizmente, na raça humana, péssima escolha divina para habitar o planeta, não existe a tão decantada alteridade – o Outro- como disse Freud. Respeitável público, todas as guerras são irracionais e quem conta a história delas são os “vencedores”, como se houvesse isso.

Eis porque Freud, o gênio, venceu na política de saúde mental.

Deixa eu lhes contar porque considero Freud uma alma privilegiada.

Então, está na hora de começar tudo de novo, no estudo da composição do ser humano. Acho que a psicossomática ou a acupuntura aproximam-se na visão pacífica do tratamento e em uma releitura da relação com o Outro. Vamos torcer. Deixa ver se me lembro. Freud e Donald Winnicott basearam suas teses e práticas na política da relação com o próximo,

Foi na Áustria, que Freud, em 1938, fugiu da perseguição aos judeus na sua terra, e já como estava intimamente ligado à psicanálise, foi parar na Inglaterra, onde nascia Melanie Klein. Em 1902, formou ao seu redor um grupo de jovens médicos, com o objetivo de aprenderem a noviça psicanálise – foi o nome que ele deu ao movimento – com o sentido político de disseminá-la.

Ou seja, penso eu que a essência de seu pensamento era, como sempre foi, estudar e testar métodos teóricos que penetrassem o mundo interno e indivisível das pessoas. Tudo começou quando um colega seu, Wilhelm Stekel, sentiu-se ajudado e libertado por “conversas na varanda” do mestre.

Promoviam assim – nessa primeira infância do que seria a psicanálise no mundo – um amplo terreno de pesquisa. Reuniam-se à noite na varanda estrelada, procurando orientação em um campo estranhamente novo, ao mesmo tempo em que atraiam o interesse dos outros cientistas da alma e defendiam-se dos ataques negacionistas de sua obra, que perduram até hoje.

Foi assim que se formou a primeira Sociedade Psicanalítica, em Londres, é claro. A reunião acontecia na casa do Freud. Dia desses, passeando em Londres tive a sorte e o prazer de conhecê-la, hoje um delicado museu. Minha amada e saudosa orientadora no Rio, Inaura Carneiro Leão, muitos anos depois, claro, fez parte e me ensinou muitas coisas que aprendeu com a obra do mestre.

Freud continuou com as reuniões citadas e recebeu na varanda Adler, Kahane, Reiter e poucos outros. O grupo reunia-se toda quarta-feira à noite e recebeu, inicialmente, o nome de Sociedade Psicológica da Quarta-Feira.

A convivência entre os gênios não era fácil. Mas a guerra era de talentos, adeptos, publicações.

Em 1935, manifestaram-se divergências teóricas – sem um único míssil – entre psicanalistas vienenses e ingleses. Freud tranquilizou a turma rebelde, afirmando que certas diferenças, ainda que importantes – como a discussão sobre o “Instinto de Morte”-, não teriam necessariamente efeitos nocivos, “se se limitassem ao terreno científico”. Leitores queridos, a paz é possível.

Vejamos a guerra. A invasão da Áustria pelos nazistas tornou inviável a existência da Sociedade Psicanalítica de Viena. Começava a agonia, sumia a razão. Em março de 1938, decidiram que todos deveriam fugir do país, na medida do possível e impossível, a mesma peleja que somos obrigados a viver no presente momento de terror.

A inteligência não convive com a violência, venha de onde vier. A mentira substitui a realidade óbvia pela força bruta. Toda a inteligência é voltada para a violência e os países fazem questão de propagar as “vitórias” para amedrontar. As comissões de paz não funcionam. As organizações em defesa da paz não funcionam.

Que resolvam, então, na porrinha.

Dorian Gray, meu cão vira-lata, analisa a sua ração.

Boa leitura

Paulo Bonates

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham