A reinvenção do dinheiro – Eustáquio Palhares – 18

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Coluna Contraponto – Eustáquio Palhares

Reinvenção, a mudança na natureza na moeda ou no dinheiro.

Entre as tantas rupturas que já ocorrem de modo até velado sem que as pessoas se dêem conta porque não interferem diretamente na sua rotina, uma que está prestes a entrar no mapa mental  (aquele quadro típico de uma coisa que só existe quando você passa a percebê-la) é a mudança na natureza no dinheiro ou da moeda.

Quer dizer, a mudança já está em curso há anos mas a força do hábito, o dito “costume” fez com que ela fosse assimilada tão naturalmente, em parte,  que daí passou imperceptível.

reinvenção
Escambo

O que é o dinheiro, ou sua expressão, a moeda? Algo que lhe permite deter o valor equivalente ao retê-lo, ter a sua posse. Assegurar o poder aquisitivo de algo.

Reinvenção II

É um denominador comum de valor porque todas as coisas têm o seu valor material expresso em moeda. Uma cerveja, uma camisa, um carro, um serviço, é mensurado materialmente pelo valor expresso em uma quantidade de dinheiro.

Permitiu superar o escambo, a troca direta, que a progressão das relações humanas mostrou ser inviável. Reduz-se qualquer coisa ao valor que ela representa e por aí se transaciona. Mas para uma moeda ser uma moeda ela necessita ter curso. Ser aceita como tal. Desde tempos imemoriais várias coisas serviram de moeda até a instauração do fiduciarismo, a fé ou a crença no valor de algo como moeda que o tornava aceito.

A moeda torna-se então em um mero registro de valor.  Quando os judeus inventaram a letra de câmbio – e o sistema bancário – partiram desse processo simples. Por serem quase onipresentes em todas as sociedades, desde a diáspora, judeus recebiam dinheiro e emitiam recibos para os viajantes que os trocavam no seu destino, transformando os recibos em dinheiro novamente e assegurando-se, durante as viagens, de não perdê-los em acidentes, assaltos ou qualquer eventualidade.

Deu-se aí o surgimento das promissórias, letras de crédito ou mesmo cheques. Na atualidade, equivaleriam ao prosaico “vale”, um comprovante do valor tomado emprestado que se resgata ao final do prazo combinado. Desde então, as moedas variaram de expressão – sal, gado, metais, ouro – até que o fiduciarismo se impôs. O consenso de que o dinheiro vale o valor descrito  no papel ou na moeda que o representa.

Então sustentado pelo lastro, o valor equivalente em metais nobres que asseguravam que o valor de face poderia ser resgatado pelo peso equivalente nos tesouros dos Estados. Em 1971 Nixon deu um calote no mundo e acabou com isso, rompendo com o padrão ouro.

E na prática, desde lá o dinheiro não apenas perdeu o lastro, a despeito das emissões serem controladas supranacionalmente  – exceto os Estados Unidos – como se tornou meramente papel pintado. Inclusive o dólar.

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“Nova moeda”

Na verdade, o fiduciarismo migrou para o sistema de registro e sua autenticidade. Um mero registro contábil. Você deposita um valor no banco – que na sua origem eram os estabelecimentos que “guardavam” dinheiro – e retira inteiramente ou parceladamente através de ordens ao banco.

Os antigos cheques. Isso foi substituído pelo registro em uma banda magnética que simplesmente atestava a veracidade da ordem. Se sacava contra o seu saldo, o respectivo débito era lançado, reduzindo sua disponibilidade. Se depositasse, o saldo aumentava. A banda magnética de um cartão permite o registro dessa operação. E garante a sua autenticidade.

Bancos, então, não guardam mais dinheiro. Guardam os registros contábeis dos valores que você movimenta, de débito ou crédito. Estamos falando de algarismos, números, virtualidade, sem equivalência física. O banco adota um sistema teoricamente seguro que garante que aquela operação instruída por você é autentica.

E procede ao comando respectivo, acolhendo um depósito ou permitindo um saque. Está se falando de algarismos, não de moedas, objetos concretos.

Reinvenção III

Bem, se o banco não serve mais para guardar fisicamente o dinheiro que você tem e não quer manter em casa, ele serve para executar o movimento financeiro dos registros contábeis que implicam seus saques e depósitos. Garantir suas autenticidades.

E para o que tem mantido o Governo refém: constitui-se o canal de irrigação da economia. Só que a tecnologia da informação acabou com esse monopólio. E com isso retira do Governo a autoridade do monopólio da emissão de dinheiro, desde que se conceitue o que é dinheiro. Se você aceitar como valor o que lhe proponho, ciente de que um terceiro aceitará o que você está recebendo, estabeleceu-se o curso da moeda.

Prepare-se para uma das mais revolucionárias mudanças que você verá nos próximos anos. A reconceituação do dinheiro. Como a blockchain ao viabilizar as criptomoedas cria um outro mundo, um novo sistema de valores que Governos e sistema bancário ainda aturdidos tentam não ficar a reboque.

Eustáquio Palhares

 

 

 

Eustáquio é jornalista

 

 

https://donoleari.com.br/medicina-do-todo-leonardo-contijo-don-oleari/

Reinvenção

http://www.casadamoeda.gov.br/portal/

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham