Restinga: Comissão de Meio Ambiente da AL|ES debate recuperação do bioma | 4/10

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Restinga é tema de debate na AL/ES. A importância das ações realizadas para preservar vegetação em faixa arenosa costeira

Cristina Puppin: em seis anos projeto do Instituto Movive recuperou cinco hectares de restinga

Foto: Lucas S. Costa

Para falar sobre o trabalho desenvolvido pelo Instituto Movive na recuperação da vegetação de restinga, em especial no município de Vila Velha, litoral sul do ES, a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa (Ales) se reuniu de maneira remota no dia 29 de setembro. O projeto Amigos da Restinga e a origem desse tipo de bioma estiveram entre os assuntos abordados.

 cristina-puppin.jpg A conselheira do instituto, Cristina Puppin, apresentou os resultados do projeto Amigos da Restinga, que atuou desde 2012 na recuperação de áreas degradadas na Praia da Costa, Itapoã e Itaparica, na orla de Vila Velha.

O trabalho foi concluído em 2018 com a entrega de cinco hectares de vegetação recuperada. Ao todo foram plantadas 600 mudas de 18 espécies nativas da região.

“A comunidade traz essas demandas pra gente e a gente junta esses atores que formam o tecido social, que é o governo e o setor produtivo, com as suas corresponsabilidades dentro do processo de qualquer projeto. Então a gente entende que todos esses atores são responsáveis pela cidade e todos deveriam trabalhar juntos. Esse é o entendimento nosso, que a gente faz e que dá certo”, explicou.

Cristina esclareceu que o projeto foi desenvolvido com a ideia de envolver especialmente as pessoas que frequentam o ambiente, que é quem realmente irá se beneficiar diretamente do trabalho. Moradores da região e frequentadores das praias, pescadores, ambulantes e demais comerciantes do entorno, desportistas, condomínios e escolas em torno da área de atuação. Todos participaram por meio de mutirões de plantio, feiras, distribuição de informativos, entre outras ações voluntárias.

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restinga aracruz, litoral norte do ES

Expansão

O sucesso dos resultados despertou o interesse de outros municípios e o trabalho acabou sendo desenvolvido em outras praias capixabas. “A gente teve essa replicação do projeto. O projeto ‘bombou’ e a gente foi pra São Mateus, Aracruz, Camburi, Barra do Jucu, Iriri e Marataízes, replicando o projeto e ele é pra ser replicado mesmo, é um projeto de todos”, salientou.

Manutenção

O presidente do colegiado, deputado Rafael Favatto (Patri), parabenizou a iniciativa e falou da importância da manutenção do trabalho realizado.

“Às vezes muitos programas têm o incentivo inicial e não tem a continuidade, a manutenção do projeto. A gente precisa pensar num novo modelo de gestão, além de colocar realmente o projeto em exercício, pensar na manutenção desse projeto”, pontuou.

O parlamentar lamentou que muitos políticos usem o meio ambiente somente como plataforma de promoção e depois abandonem as causas.

“Muitos projetos são abandonados, só são renovados e replanilhados numa outra gestão, num outro momento. São projetos voltados pro meio ambiente, que só são úteis para tirar a foto do suposto amigo do meio ambiente”.

Origem da vegetação

O ambientalista do Instituto Jacaranema de Pesquisa Ambiental (Injapa), Petrus Lopes, deu uma aula sobre a vegetação de restinga, explicando a sua origem e do que ela é formada.

“O solo restinga foi formado com as regressões marinhas, quando o mar avançou, por exemplo, em Vila Velha e aumentou o nível atual em até 8 metros, que são as classificações que a gente tem em relação ao nível do mar na costa do Espírito Santo”, explanou.

O especialista explicou que o quartzo, que é a matéria prima básica tanto da areia que encontramos na praia ou até mesmo da areia usada na construção civil, é também o principal responsável pela formação.

“A influência do solo, da chuva, do calor, da água doce, da água salgada, que fragmenta a rocha e que gera o quartzo, que é o material primário da formação restinga”, afirmou.

Petrus Lopes explicou que a cor da areia varia principalmente pelo distanciamento do mar, quanto mais longe do mar, mais clara é a areia.

“O fato do grão se manter úmido em função do sal da praia, deixa a areia da praia com esse tom amarelado, meio rosado, na maioria das vezes quando você tem uma praia com uma concentração maior de sal. Em relação a areia branca é porque ela foi lavada pela chuva, por um rio, por algum ecossistema de água doce, então, sem sal na areia, ela fica seca e branca”, ensinou.

Origem do nome

O nome vem de uma fusão do latim com o tupi-guarani: res (vegetação baixa) e tinga (areia branca).

“A gente acredita que na colonização dos portugueses, os padres que faziam esse tipo de trabalho fizeram a fusão dessa palavra, que a gente acabou até mesmo trazendo para a biologia esse nome”, explica.

Fauna

Dentre as espécies típicas da fauna da restinga, o ambientalista lamentou a ocorrência na Rodosol de muitos atropelamentos do Jaguarundi, também conhecido como gato mourisco. Além do felino, o especialista citou outros animais como o bicho-preguiça, a seriema e o sabiá da praia. Ele destacou também a lontra como uma espécie fundamental para a manutenção do bioma.

“É uma espécie bandeira, uma espécie sentinela nos processos de conservação, nos processos de regeneração e de proteção do meio ambiente, como um todo”, disse.

Edição: Don Oleari

https://donoleari.com.br/chuviscos/

https://www.al.es.gov.br/Noticia/2021/09/41797/recuperacao-de-restinga-e-tema-em-meio-ambiente.html

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Com João Caetano Vargas e Nicolle Expósito

Imagem de Cristina Puppin na tela de computador.

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham