Senzala unida | Que ousadia! | Weyden Alexandre Rodrigues | 14/10

senzala unida

Senzala unida, Senzala unida

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weyndy alexandry

 

NEC = Nota do Editor Chefão, Don Oleari – A foto de capa é uma reverência ao grande e saudoso ator, dublador, comediante Orlando Drumond.

Por Weyden Alexandre Rodrigues, artista multimídia, administrador de empresas, chef de cozinha –

Quando comecei a frequentar a cena “GLS” (esse era o termo usado) há pouco mais de 38 anos, imaginava que entraria em um mundo desprovido de preconceitos.

Ledo engano; encontrei um mundo muito preconceituoso: havia a bicha poc-poc (“promíscua”), a bicha pão com ovo (pobre), a bichinhA passivA… Elitismo, racismo, misoginia, machismo, capacitismo, gerontofobia, obesofobia etc apareciam de forma disfarçada mas sempre presente, fora o preconceito que nós sofríamos de gays “fora do meio” às vezes em casamentos heterossexuais e com filhos.

Embora eu perceba que a comunidade LGBT tenha evoluído muito de lá pra cá, reconheço que ainda há um longo caminho a ser percorrido por nós no sentido de nos livrarmos de nossos preconceitos, até porque também somos fruto de uma sociedade preconceituosa.

Além disso, há outro fenômeno: nossos processos de empoderamento estão trilhando caminhos equivocados que passam pela agressividade em relação a outros segmentos da comunidade LGBT e até mesmo pela hostilidade mútua entre outros grupos de luta, como o movimento negro e feminista.

Isso tem que parar!

Está na hora de todos nós aceitarmos que somos Senzala e que não formaremos uma sociedade libertária, igualitária e fraterna, enquanto qualquer grupo minoritário se achar no direito de menosprezar as demandas das outras minorias.

Hoje vemos representantes de TODOS os grupos agindo com agressividade em relação a outros grupos: mulheres trans gayfóbicas, dizendo que gays as invisibilizam ao mesmo tempo que os acusa de não serem “homens de verdade”, gays machistas e misóginos menosprezando mulheres e gays afeminados e/ou passivos, negros homofóbicos, feministas transfóbicas, e gente de todos os grupos menosprezando obesos, idosos, pobres e portadores de necessidades especiais.

Ora, nem todo gay é transfóbico, nem toda mulher trans é gayfóbica e por aí vai, mas dois ou três que o são conseguem causar sérios danos à luta de todas as minorias. Acabamos ficando dispersos, perdidos em briguinhas internas, picuinhas, academicismos que não nos levam a lugar nenhum, enquanto  nossos adversários da Casa Grande se articulam para nós manter trancafiados na Senzala.

Precisamos de uma transformação profunda; não é admissível que qualquer um de nós da Senzala reproduza opressões. Nenhum de nós pode ser gayfóbico, transfóbico, lesbofóbico, machista, misógino, racista, elitista, capacitista, gordofóbico, gerontofóbico, xenófobo etc. Cada um deve fazer uma autoanálise e buscar descontruir eventuais preconceitos que existam dentro de si.

A partir daí, devemos ser capazes de nos sensibilizar com a dor do outro, tomando a luta do outro como nossa, sem nos esquecermos de que cada um deve ser protagonista de sua própria luta, enquanto apoia a luta do outro. Só assim, unidos e articulados, começaremos a ver o Brasil a se tornar um país mais tolerante.

Enquanto não tivermos essa atitude, seremos atropelados pela Casa Grande, que é unida contra nós; pois não importa se eu seja um gay “limpinho” e “discreto”, ou se eu sou uma mulher trans* operada casada em uma relação super heteronormativa; para a Casa Grande, somos todos “essa gente que não presta”, gente de segunda categoria, e a Senzala só ganhará força quando nos livrarmos da porção Casa Grande que há em cada um de nós.

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jorge lafond

Que ousadia!

Personagens gays estão nas telas da TV brasileira há muito tempo. Enquanto essas figuras traziam imagens estereotipadas dos gays, nunca houve problema.

Pitbicha, Seu Peru e Vera Verão são exemplos de como atores homossexuais serviam para levar riso aos lares brasileiros.

O problema é quando os gays começaram a conquistar outros espaços. Médicos, policiais, juízes, advogados, engenheiros, professores…

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tom cavalcante

Agora tem até gay querendo beijar seu companheiro ou sua companheira na praça… Constituir família.

Que ousadia! E as crianças? As pessoas que se dizem tão preocupadas com as crianças são as mesmas que as ignoram no sinal ou que torcem por sua morte quando cometem algum delito ou enveredam pelo caminho da criminalidade.

Nós devemos trabalhar todos os dias para que o tempo não retroceda.

Para que esse grupo, tanto tempo marginalizado, discriminado e aterrorizado pare de ser expulso de suas casas, de sofrer preconceitos ou até de ser agredido e morto na rua.

HOMOSSEXUALIDADE NA GRÉCIA ANTIGA- Uma revisão.

As evidências apresentam um panorama onde as práticas homoeróticas na Grécia foram louvadas, ou ignoradas ou desencorajadas. Isso se relaciona com a mentalidade de época de determinados períodos históricos e também com as diferenças culturais regionais. Algumas atualizações epistemológicas foram surgindo nas últimas décadas e apresentaram uma visão menos distorcida e mais complexa da homossexualidade grega:

-Nem todo Erastes (amante, ativo, penetrador) era um adulto barbado. Nem todo Erastes estava no comando da relação pederástica.

-O Eromenos (amado, passivo) nem sempre foi um menino tímido. Muitas vezes abusava do Erastes, humilhava-o publicamente, e tirava proveito dele.

-A pederastia não se restringiu aos aristocratas; classes populares também praticavam.

-O termo ”menino” (Paidika) é vago; a evidência aponta para jovens adultos ao invés de crianças.

-Existiu uma cultura pública de homossexualidade nos ginásios; quase tudo acontecia às vistas de todos. Locais famosos de pegação homoerótica em Atenas incluíram o porto de Pireu e o bairro dos oleiros, o Cerâmico, que contava com diversos bordéis.

-As práticas homossexuais não se restringiram à pederastia; a evidência demonstra que não era incomum no século IV o fenômeno da homossexualidade igualitária (de mesma idade).  Há referências a homens adultos vivendo juntos, tendo uma vida em comum, e em alguns casos, sendo enterrados um ao lado do outro. A diferença de idade não foi importante. A beleza foi importante.

-Homens e rapazes empregavam um brinquedo sexual  nos seus jogos eróticos semelhante ao ”consolo”  contemporâneo, chamado Olisboi; o pênis artificial era fabricado de madeira ou couro, importado de Mileto para toda a Grécia. O lubrificante era a base de óleo de oliva.

 -Alguns autores clássicos mencionam ritos e formalizações para uniões do mesmo sexo na Grécia antiga. Ao menos um autor antigo traça um paralelo entre o Casamento e tais uniões.

-Havia homens afeminados e travestis. Eram parte da cultura da sociedade; eles tinham de suportar gracejos, críticas e escárnio de alguns, mas o fato é que eles estavam lá, vivendo suas vidas.

Agatão era um desses personagens; por um lado foi violentamente ridicularizado pela comédia dos costumes da época, por outro lado é retratado em O Banquete de Platão de forma razoavelmente positiva.

-Na pederastia o aspecto pedagógico parece ter sido secundário ou acidental; a motivação primária era o desejo sexual.

-Há muitas imagens masculinas com ênfase na bunda e evidências de uma cultura pática (de homens passivos).

(Walter Silva)

Referência consultada: HUPPERTS, Charles. Eros Dikaios. Prática e representação da homossexualidade grega (2000)

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https://donoleari.com.br/festa-tradicional-da-criancas/

 

Senzala unida

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https://observatoriog.bol.uol.com.br/

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham