Anette Musso: novo conceito de KM 0 se funde com o Slow Food e provoca uma revolução na culinária | 24/8

slow food

Slow Food se funde conceito de KM 0 e provoca uma revolução na culinária.

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anette musso, radialista

Coluna AS RECEITAS da Anette Musso –

Faz um bom tempo que namoro a ideia do slow food. Um conceito que se opõe totalmente ao conceito de fast food e resgata sabores e saberes tradicionais da culinária, preconizando um estilo de alimentação saudável e intimamente ligada à emotividade.

Slow food e KM 0

Outro conceito que ganha força na Europa e já desponta como tendência em terras capixabas é o KM 0, que desperta a questão da distância entre o produto e o consumidor final. Quanto menos quilômetros, melhor e mais sustentável.

A proposta dos dois conceitos é, a longo prazo, provocar uma revolução na alimentação e desacelerar a massificação que assola o mundo nesse setor.

O conceito KM 0 valoriza e solidariza-se com o pequeno produtor, o patrimônio das culturas, a diversidade da agricultura, fortalece a microeconomia e impulsiona a preservação ambiental.

A Itália abraçou os dois conceitos com força. É comum, os donos de restaurante manterem hortas orgânicas, produção de aves, bovinos e suínos em parceria com pequenos produtores, ou, em muitos casos, assumirem a produção que vai diretamente para o prato do cliente. Vale para restaurantes sofisticados e outros no estilo casa da mamma.

O Espírito Santo é um grande produtor de alimentos orgânicos que caíram nas graças dos consumidores. Mesmo sendo um pouco mais caro, é crescente o entendimento que o alimento é mais saudável e que na hora de fazer a conta – o custo/ benefício compensa. Na região de montanhas, a prática do KM 0 é muito comum, mas não é tão divulgada com deveria.

Ambas as práticas favorecem o resgate e  preservação de receitas antigas, valorização da diversidade da agricultura, menos agressão ao meio ambiente, preservação do patrimônio cultural e preservação de sementes regionais. Fortalece também a micro economia e embala uma consequência que poderá causar impacto positivo no controle de diversas doenças decorrentes da má alimentação, como diabetes, obesidade e hipertensão. O ganho é imensurável.

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edoardo tilli

Na Itália, na região da Toscana, o chef Edoardo Tilli é um entusiasmado defensor do KM 0 e lembra que os restaurantes, para serem reconhecidos e credenciados como sendo KM 0 precisam ter, em seus cardápios, pratos com 40% dos ingredientes produzidos dentro de uma distância de 100 quilômetros.

Além disso, os outros 60% terão sua origem controlada e não poderão possuir transgênicos. O número de cuisines que fazem parte desse grupo cresce cada vez mais na Europa, evidenciando a ascendente preocupação de vários países com a sustentabilidade.

Mas, nada de radicalismo. O conceito é amplo e pode abrigar gostos, culturas, temperos e ingredientes ricos, mesmo os que são produzidos em outras regiões mais distantes.  Estabelecer equilíbrio nas escolhas garante sucesso.

Vamos buscar o exemplo da baunilha? As variedades produzidas na Ilha de Madagascar e no México são consideradas as melhores do mundo. Se tiver a oportunidade de usar, use e não fique aflito pela decisão.  Usar uma baunilha fake compromete a sua sobremesa e pode deixar você bem decepcionado com o resultado.

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tomate na janela

Vamos enxergar longe e sem antolhos, por favor.

É bom lembrar que o conceito KM 0 não se aplica somente à alta gastronomia e nem tampouco é um modismo passageiro.  Todos nós podemos trazer para a nossa mesa itens de alimentação produzidos pertinho e mais, podemos até mesmo plantar hortas urbanas que vão assegurar alimentos mais saudáveis e com menor preço.

Uma bela polenta com fubá de Venda Nova do Imigrante, linguiça de Domingos Martins – ambos, municípios da região Serrana do Espírito Santo – e molho com tomates produzidos na sua janela é um bom exemplo de culinária KM  0, sem nenhuma sofisticação e esbanjando memória afetiva.

 A Mãe Terra agradece!

Vai rolar um receita bem KM 0 para você ver que é fácil e simples.

 Gnocchi de aipim

Ingredientes

1/2 kg de aipim cozido, cozido e amassado

1 ovo

1 xícara de chá de farinha de trigo

1 colher de sobremesa de manteiga

Sal e cebolinha a gosto

Prepare assim

Pique a cebolinha e seque com papel toalha. Coloque o aipim em uma tigela. Junte o ovo, o sal e misture bem.  Acrescente a farinha de trigo aos poucos.  Apenas o suficiente para dar “liga”. Junte a cebolinha a gosto. Nada de excesso. Modele os rolinhos. Corte cada rolinho em pedaços de mais ou menos 2 cm. Coloque água para ferver, temperada com sal. Cozinhe os gnocchi. É fácil.  Coloque uma porção de gnhocci na água. Aguarde eles boiarem. Retire com uma escumadeira, transfira para uma peneira, regue com azeite.

Para servir, arrume os gnhocci em um prato, acrescente um belo molho de tomates e acompanhe com mini greens. Essas folhinhas fofas e lindas da foto que serão assunto da nossa próxima receita.

Bom apetite!

Mais informações:  km0slowfood.com

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham