Sonetos portugueses (3) de autores anônimos | As Certinhas do Oleari + Poesia Erótica

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Sonetos

Coluna As Certinhas do Oleari + Poesia Erótica – Rodrigo Mello Rêgo, jornalista, professor de Estudos Literários

Eminente Poderoso Chefão

Uma viagem a Portugal que deveria durar uma semana, durou meses, recolhido em casa de um parente por força do corona vírus que assolou o País e nos relegou a um secundário estilo de vida.

Afinal, como dizia placa nos antigos bondes brasileiros: “Tudo passa, é passageiro, menos o cobrador e o motorneiro”, a psicose da transmissão passou a um segundo patamar e agora, já na minha santa terrinha brasileira, volto à sonhada liberdade plantada na bandeira de Minas Gerais:

“Libertas Quae Sera Tamem”.

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A Bailarina

Sem máscara desde esta semana, ainda com algum resquício  de medo, volto a ver o mundo como ser normal e não como um Zorro ressurgido neste tresloucado Século XXI .

De qualquer modo, minha permanência em Portugal não foi em vão. Tomei bons vinhos da terra, saboreei gulosamente os pastéis de Belém e tive acesso à pequena biblioteca dos meus anfitriões “descobrindo” poemas fora do meu alcance no Brasil.

E incrivelmente na área de minhas pesquisas, a poesia erótica. Não resisti, copiei sonetos,  surpreso com o anonimato dos autores e que agora submeto à apreciação do eminente Poderoso Chefão do Portal Dom Oleari.

Com apreço e admiração,

Rodrigo Mello Rêgo

Jornalista, com Mestrado em Estudos Literários, pesquisador de literatura erótica.

 

Soneto I

Anônimo, Século XIX

 

Linda pequena de quatorze estios,

mas já crescida em corpo e maroteira,

co’a nivea mão de jaspe tão veleira

dez caralhos por noite põe vazios.

 

Com que garbo ela embala os mais esguios!

Como ela afia os grossos prazenteira!

Ó!… Não há quem a branca pingadeira

veloz tire com modos mais macios!

 

Um dia arremeteu-a tal furor

ao sopesar um membro de pau-santo,

que disse, erguendo as saias com ardor

e mostrando da porra o doce encanto:

— Mete-mo todo aqui, meu lindo amor

que é pra quando eu casar não custar tanto.

 

Soneto II

Dum frade franciscano aos sacros pés,

Dizia de confesso a meia voz

Um tal pintor de nome; e o frade a sós

Saboreava o conto do freguês:

— A Vénus que pintei é duma vez,

É digna dum fodão tal como vós!…

Que imensa pentelheira!,… Aqui pra nós,

eu já me ponho nela há mais de um mês.

— Mas…; valha-me S. Pedro, mais S. Brás!

(Rosna o frade coçando no nariz),

A porra não lhe doi? Isso não faz…

 

— Nada!…frei Julião, (o artista diz).

Não, que eu tenho cuidado em pôr atrás

o rechonchudo cu dum aprendiz.

 

https://donoleari.com.br/senador/

 

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Don Oleari - Editor Chefão

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Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham