Cretinismo suprapartidário | Eustáquio Palhares: Coluna Contraponto | 6/8

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Eustáquio Palhares: Coluna Contraponto

 

Segue-se a guerra de narrativas  com direito à tsunami de fake news nutrindo a polarização política que domina o país  patrocinando um festival de cretinismo à direita e à esquerda que produz claramente uma Matrix tropical.  As bolhas engalfinham-se na sua perspectiva de realidades virtuais abstraindo  a mais banal lógica ou evidência de outro cenário.

O presidente Bolsonaro não irrita apenas a esquerda, é percebido, mas também  os que se suscetibilizam com sua rudeza e a alegada falta de solenidade com o cargo e a função. Na mesma proporção que cria empatia com uma outra banda exatamente por isso, para quem a rusticidade é expressão  da espontaneidade ou da sinceridade.

Ao cercar-se de militares no staff da gestão ajuda a engordar as suspeitas que corteja o autoritarismo e mesmo maquina um golpe antirrepublicano, antidemocrático. Suspeitas, de resto, insistentemente ventiladas por quem se lhe opõe. É uma narrativa que apenas constrói um argumento de contestação. Primeiro, trabalha com o senso comum – que se aparta do bom senso – de que porque se cerca de milicos é saudoso do regime autoritário.

É uma continuada demonização dos militares que pecaram porque insistiram em acentuar a repressão de um golpe militar que foi ostensivamente apoiado tanto pela classe média brasileira quanto a imprensa, a hoje dita grande imprensa, da época.  É só consultar os recortes hoje disponibilizados na Internet. Além do que, com o pensamento político da jovem oficialidade brasileira, falar de golpe de Estado é mencionar corda em casa de enforcado.

Um militar, principalmente quando ascende aos níveis mais altos da hierarquia, enraíza um profundo sentimento – ou condicionamento – de continência a um superior. E só galga tais níveis a partir de uma comprovada  capacitação. Um general hoje é a priori suspeito de ser um potencial agressor da ordem democrática porque é…um militar. Ressalvada a fobia da truculência que a farda suscita, a capacitação de um general não pode ser desprezada mesmo que para funções  civis.

Ou porque em 1964, em outras circunstâncias, políticos e militares conluiaram-se, com o apoio do “povo”, para promover a ruptura institucional. Um dos poucos tiros disparados na “revolução” foi deflagrado em Governador Valadares, no cerco ao sindicato rural do município, quando o genro do célebre Capitão Pedro foi abatido com um tiro. Na nuca. Episódio que até hoje levanta suspeitas que, mais que a ideologia, razões bem mais passionais inspiraram esse esparso gesto da “revolução”.

Imprecações e vociferações do presidente de plantão certamente não passam disso e é certo que elas em nada contribuem para um clima de conciliação. Não precisa ser seu adepto ou partidário, caso deste redator, para entender que o mínimo distanciamento crítico leva a inquirir porque tal rigor na ponderação de suas diatribes não se aplica ao virtual golpe de Estado branco que está sendo perpetrado pelo Supremo Tribunal Federal.

É o que faz quando se avoca a função de legislador ou interfere politicamente, inclusive emitindo juízo de valor,  em ações do Executivo que nada remetem à atentados à constitucionalidade, razão de existência da privilegiada Corte.

Quando nossos leitores lembram-se de um Congresso mais protagonista do que nos últimos anos, desde o último ano da ex-presidente Dilma? De todas as reformas cogitadas para virtualmente refundar o país, apenas a da Previdência, costurada a duras penas, foi aprovada com consideráveis enxertos e remendos.

É um conveniente exagero prevenir  solidez das instituições contra  boquirrotices de ocasião, esperneios de inconformismo com decisões que uma plateia imensa, mas muda, omissa, testemunha seguidamente. E aí entra outro critério socialmente patológico. Uma ideia é boa ou ruim segundo sua paternidade. Se  Lula defender  o voto impresso, tese explicitamente inviável não por representar um anacronismo tecnológico, o  voto impresso se torna virtuoso?

O que dizer de reiteradas manifestações de especialistas em informática que mencionam claramente a vulnerabilidade das urnas eletrônicas. Inclusive um que,  quando começou a desfiar técnica e didaticamente  perante o Pleno do STF os motivos que tornam a urna eletrônica totalmente passível de fraude,  foi agressivamente tolhido pelo ministro Gilmar Mendes sobre a inoportunidade de sua manifestação desde que o TSE não a solicitara. Algo parecido com a implosão do processo do Lula que não considerava  o mérito, se o ex-presidente cometera ou não o que lhe atribuíra, mas uma avaliação de competência de foro.

suprapartidárioNão só o presidente como a terceira e quarta via, se surgirem e pelas quais muitos anseiam, são partes legítimas de um processo para requerer as salvaguardas da sua integridade.

Desde que o voto impresso exorciza definitivamente quaisquer suspeitas, o que impede que venha a ser adotado exceto pelos que vêem nele uma inoportuna blindagem à fraude ou aos inocentes úteis de sempre que se deslumbram com o que supõem ser um avanço tecnológico?

Mesmo que vulnerável. Alegar o custo adicional do processos tradicional é um escrúpulo que pegaria bem em outros itens da despesa pública, como o Fundo Partidário, que para abastecer os partidos de dinheiro nos custa três  processos de voto impresso. E qual o preço de se obter um resultado eleitoral acima de qualquer suspeita?

Eustáquio Palhares, jornalista

NEC = Nota do Editor Chefão, Don Oleari –

O conteúdo expressa o pensamento do autor. As ilustrações são selecionadas pelo editor e indicam que os militares sempre estiveram no poder, desde os primórdios do Brasil Varonil (Dooleari).

https://www12.senado.leg.br/noticias

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https://donoleari.com.br/portal-don-oleari-tania-calazans-andre-poubel/

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham