Taís Lobo
REDAÇÃO | AQUI ESPÍRITO SANTO/DOPN
A cantora, compositora e realizadora audiovisual Taís Lobo leva show “Mãe Solo e Rede de Apoio” a três localidades do Caparaó nesta semana.
Acompanhada de sua banda, ela apresenta as canções do álbum autoral “Mãe_Solo”, concebido em Patrimônio da Penha, distrito de Divino de São Lourenço.
A programação inclui apresentações gratuitas em Alegre, Guaçuí e Patrimônio da Penha/ES.
Antes dos shows, a artista e os músicos participam de uma residência artística no Armazém Multiverso, centro cultural localizado em Patrimônio da Penha.
A atividade começou no dia 16 reunindo criação musical, experimentação cênica e troca de experiências com jovens artistas da região.
O espetáculo apresenta o repertório do primeiro álbum autoral de Taís, que aborda as experiências das maternidades não hegemônicas e temas como criação, cuidado, solidão, ancestralidade, filiação e conexão com a terra.

Com dez faixas, “Mãe_Solo” constrói uma narrativa que atravessa diferentes dimensões do maternar, da espiritualidade à chegada de uma criança ao mundo, passando pelo nascimento, pela criação dos filhos e pela produção artística de uma mãe solo.
Canções como “Lava”, “Quaresmeira” e “Breu” abordam experiências como o primeiro banho de um recém-nascido, o plantio da placenta e a troca de olhares entre mãe e filho.
Na construção musical, o álbum combina vocalizes, cordas, percussão, samplers, sintetizadores, efeitos sonoros e foleys.
O trabalho reúne referências diversas, que passam por Meredith Monk, Fátima Miranda, Itamar Assumpção, Juçara Marçal, Uakti e Ibeyi.
A origem do disco está na experiência da maternidade solo durante o isolamento provocado pela pandemia de Covid-19.
As canções nasceram das vivências cotidianas com o filho e marcaram também a retomada musical de Taís, inspirada pela gestação, pelo nascimento e pelo crescimento da criança em Patrimônio da Penha.
O título tem duplo sentido: além de remeter à maternidade solo, evoca o solo como terra, território e elemento de conexão com a natureza exuberante do Caparaó.
Os arranjos e as gravações começaram a ser desenvolvidos em uma residência artística na própria vila, com a participação de Aline Maria, Elton Panamby e Fabíola Melca. A Casa da Matinha e a Vila Araponga foram adaptadas como estúdios, em um processo que movimentou a produção artística e envolveu hospedagem, serviços, trocas e economia local.
Posteriormente, Cadu Tenório, responsável pela produção musical do álbum, acrescentou arranjos eletrônicos, enquanto Chicow contribuiu com arranjos de sitar, instrumento de cordas de origem indiana.
A obra também reúne depoimentos de Aysha Castiel Vitorino, Carolina Cruz, Célia Ribeiro, Eliza Capai e Pêdra Costa, além da participação da poeta Ana Mogli Saura.
Residência reúne artistas e jovens do Caparaó
A residência artística no Armazém Multiverso integra a preparação do espetáculo e propõe um período de imersão, criação coletiva e experimentação.
A programação também aproxima a produção musical de outras linguagens artísticas, como cenografia, figurino e iluminação.
“A residência compõem a programação do Armazém, que funciona como uma escola contínua com vários jovens que aprendem e produzem arte e cultura no meio rural”, conta a artista.
Segundo Taís, a proposta é desenvolver os elementos visuais do espetáculo em parceria com os jovens participantes, aproveitando materiais naturais e reciclados.
“A ideia da residência é a gente criar coletivamente junto com os jovens e a partir da orientação e mentoria do Elton, que é um artista multidisciplinar, para criar cenografias e figurinos para os shows a partir de elementos naturais e reciclados. Também teremos participação da Saya, artista argentina que trabalha com projeção e fará testes e experimentos de iluminação para os espetáculos”, explica Taís Lobo.
Durante o período, também estão previstos três ensaios abertos de “Mãe Solo e Rede de Apoio”, para experimentar a apresentação e promover o diálogo com espectadores e participantes da residência.
Quem é Taís Lobo
Taís Lobo é realizadora audiovisual e cantautora.
Dirigiu os documentários “As últimas do mundo” (2021), “Encantadas” (2018) e “Canta um ponto” (2017), além da série “Caminho das Águas” (2023). Nas produções, também assina a montagem e a trilha sonora.
A artista coordena e presta consultoria para ações de formação de núcleos de cinema comunitário.
Na música, estudou teoria musical na Escola de Música do Espírito Santo (Emes), integrou bandas capixabas e cantou profissionalmente no Tem Mais Samba Trio, em Buenos Aires, na Argentina, e no grupo vocal Dá No Coro, no Rio de Janeiro.
Taís integra a Associação Permacultural Jacutinga do Caparaó e colabora com o Armazém Multiverso Caparaó, especialmente na programação da sala de cinema do centro cultural.
Agenda cultural
Mãe Solo e Rede de Apoio — Taís Lobo e banda
21 de outubro, às 20h
Canto Caparaó — Alegre
Rua Padre Anchieta, s/n, Centro.
22 de outubro, às 20h
Ponto de Cultura Gota, Pó e Poeira — Guaçuí
Rua Joaquim Martinho de Carvalho, 211.
23 de outubro, às 20h
Armazém Multiverso — Patrimônio da Penha, Divino de São Lourenço.
As apresentações são gratuitas, sujeitas à lotação dos espaços.
Taís Lobo
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