“Um bom vinho é poesia engarrafada” – Rubens Pontes | coluna Meu Vinho Minha Vida | 24/9

Um bom vinho é poesia engarrafada

Um bom vinho é poesia engarrafada – Robert Louis Stevenson

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Rubens Pontes

 

 

Coluna Meu vinho, minha vida | Rubens Pontes, jornalista – Capim Branco, MG

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O episódio ocorreu numa quinta-feira, 5 de dezembro de 1985. O respeitado leiloeiro Michael Broadbent levava à hasta pública nos salões da Christie’s, em Londres, uma garrafa de vinho Lafite de 1787, produzido em chateaux da região de Bordeaux, França.

A garrafa fazia parte de uma coleção de vinhos raros, encontrada numa casa demolida em 1985, em Paris, ao ser derrubada uma parede falsa que escondia no porão uma adega de vinhos extremamente antigos.

A integridade dos lacres e o alto nível da bebida nas garrafas eram extraordinárias para vinhos daquela idade, certamente por serem mantidos à temperatura ideal entre 10 e 14 graus centígrados durante todo tempo.

Segundo alguns historiadores, as garrafas haviam sido emparedadas como proteção durante o caos da revolução francesa. Outros, mais tarde, para evitar a sanha de rapina dos nazistas que ocuparam o País.

Um detalhe particular chamava a atenção: as iniciais “Th.J” gravadas na garrafa (à esquerda), envolvida em seu leito de feltro verde, numa caixa de vidro, indicativas de que o vinho fizera parte da adega do terceiro presidente dos Estados Unidos, então embaixador na França entre 1784 e 1789, Thomas Jefferson, um apaixonado pelos vinhos franceses.

A história, narrada pelo colecionador alemão Hardy Rodenstock, diz que a garrafa fora encontrada em 1985 quando operários que demoliam uma casa em Paris, ao derrubar uma parede falsa no porão, encontraram um esconderijo de vinhos extremamente raros, entre eles o Lafite de 1787.

A adega estivera hermeticamente conservada, a temperatura estável entre ideais 10 e 14 graus centígrados, durante 200 anos, emparedada como proteção contra a violência da Revolução Francesa ou, segundo outros historiadores, imposta para evitar o saque pelos nazistas que anos mais tarde ocuparam o País.

Presente ao salão de leilões de Londres, Chistopher “Kip” Forbes, filho do milionário editor americano Malcolm Forbes, portava a missão de levar para o pai, a qualquer preço, a cobiçada peça em disputa.

Até então, o maior valor leiloado, um Lafite de de 1822, alcançara o valor de 38 mil dólares.

(Faço ligeiro parêntesis para voltar à taça do meu Circus Malbec 2019, adquirido por 68,90 reais, antes de retornar ao leilão da Christie’s.)

Os lances se sucediam alucinadamente até atingir o inimaginável valor para nós absurdo de 156 mil dólares e a garrafa com o vinho de 200 anos foi para os Estados Unidos.

O preço pago pelo Lafite 1787 corresponde ao custo de compra de um automóvel Mercedes Bens A 2000 ou de um avião monomotor Seamex SN 149.

O fato me faz recorrer ao expert Amaury Temporal, à época diretor da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. Autor de várias obras especializadas, nome respeitado nos 5 Continentes, pedi a ele que me indicasse qual o vinho, de baixo custo, que eu deveria ter em casa para minha degustação pessoal.

Respondeu-me:

– Compre uma garrafa diferente por semana; a partir dai, entre elas, continue com a que mais lhe tenha agradado…

E note: muito acima de cem reais é puro exibicionismo…

A citação na abertura do texto do escritor Robert Louis Stevenson,é confirmada pelo Portal e pela Coluna, apreciadores de vinho e assíduos leitores de poemas. Foram assim associados um a outro, com a publicaçãoneste sábado de sensíveis versos em que o vinho possui o sentido que lhe é atribuido.

Rubens Pontes

Lero do Editor Chefão:

As informações sobre o vinho Lafite 1787 e os fatos a ele relacionados foram recolhidos do livro “O Vinho mais caro da História”, de Benjamin Wallace, Editora ZAHAR, best-seller do New York Times.

 

 

https://donoleari.com.br/slow-food-culinaria-nhoque/

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham