Veias enferrujadas, de Lívia Corbellari – Aqui Rubens Pontes: meu poema de sábado – 03

hora da poesia
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Em busca da capitania perdida
Lívia Corbellari, autora de Veias enferrujadas, nos esclarece mostrando que em alguns mapas do século XVII, o norte da capitania do Espírito Santo acabava na linha azul do Rio Doce.

NEC = Nota do Editor Chefão: jornalista Rubens Pontes segue cumprindo sua pauta em poetas do Espírito Santo.

Há dois anos, com o apoio da Secretaria de Cultura do Espírito Santo, um grupo de “bandeirantes” capixabas decidiu incursionar por terras onde, nos idos do Século XVII, os pioneiros donatários da Capitania do Espírito Santo buscavam plantar núcleos de ocupação.
Capitania perdida do ES

Àquela época, mapas geográficos mostravam terminar a imaginária linha norte demarcatória da Capitania do Espírito Santo na linha azul do Rio Doce e, depois dela, pequenos e esparsos vilarejos e povoados, aí incluídas as hoje cidades de Conceição da Barra e Itaunas.
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Mapa da Capitania do Espírito Santo
Essa procura quase romântica de uma Capitania Perdida, nos nossos tempos, e em outros termos, era como foram no inóspito sertão brasileiro a busca de esmeraldas por Fernão Dias Paes Leme e as jazidas de ouro dos bandeirantes paulistas.

O projeto idealizado pela escritora e pesquisadora Bernadette Lyra se realiza no Século XXI, mas em termos regionais repete aqui o mesmo sonho que transformou a faixa litorânea da Descoberta no território continental ocupado pelos brasileiros do nosso tempo.

Buscavam os novos pioneiros capixabas vestígios da Capitania Perdida, inicialmente em Conceição da Barra, e numa segunda programada excursão exploratória à região de Itaúnas, “onde se esconde parte de uma história mítica e pouco explorada.”
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Bernardete Lyra – Foto: Gelson Santana
Bernardette Lyra nos conta:

 - “Somos um bando de escritores e amigos, que segue em caravana rumo ao norte do nosso Estado. Em Conceição da Barra fomos até a foz do rio Cricaré, o rio que atravessa aquele espaço que, nos mapas do século XVII, aparece como um lugar que não pertencia ainda à capitania do Espírito Santo, e que, por isso, estamos chamando de ‘A Capitania Perdida’. Agora, em Itaúnas, vamos visitar as ruínas do Barão de Timbuí, território que marca o começo da ‘Capitania Perdida’”.

Bernardette Lyra, Anne Mahin, Fernando Achiamé, Heitor Righetti, Italo Wyatt, João chagas, Lívia Corbellari, Ruy Perini, Salomão Silva Pinto, Vitor Nogueira formam a base do grupo que motivou interesse do Governo do Estado do ES e curiosidade dos capixabas.

Entenda a história da capitania perdida

 A jornalista Livia Corbellari nos esclarece mostrando que em alguns mapas do século XVII, o norte da capitania do Espírito Santo acabava na linha azul do Rio Doce. E que ao norte desse norte, corre a linha azul do Cricaré atravessando um espaço aberto e despovoado, marcado como sendo uma outra capitania (Porto Seguro), ela própria desaparecida com o tempo.

 Segundo os historiadores, aquele território cortado pelo Cricaré era habitado pelos índios Aimorés, tão ferozes e tão bravos que dificultavam e impediam a entrada dos colonizadores brancos, só pacificados quando o lendário Barão de Aymorés, aos 23 anos de idade, conquistou a confiança das tribos e os apazigou.

Esse mesmo território, hoje, compreende municípios, cidades, vilas, lugarejos capixabas, que conservam muitas particularidades, vindas talvez do isolamento em que ficou por tão longo tempo e das características que perpassam sua história e estabelecem sua atual cartografia, refletindo nas manifestações culturais e no modo de ser e viver das pessoas.
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Lívia Corbellari – Veias enferrujadas

Veias enferrujadas

O Portal  Don Oleari  - www.donoleari.com.br - e a Coluna registram a iniciativa com orgulho de capixabas que veem na aventura o mesmo espírito que definiu, com resistência e luta, as fronteiras de um Estado que marca sua presença na Federação com participativa atuação de seu povo nas áreas políticas, sociais, da inteligência criativa de seus intelectuais.

Os poemas escolhidos para este sábado são criação da jornalista Lívia Corbellari. Por muitos motivos, o primeiro deles naturalmente pela qualidade dos seus versos; pela sua participação nessa narrativa; pelo seu livro de estreia “Carne Viva”.
meu poema de sábado
Rubens Pontes
Rubens Pontes, jornalista
Capim Branco, MG


Veias enferrujadas
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Carne Viva, Lívia Corbellari – Veias enferrujadas
Lívia Corbellari 

sangue duro

corações engarrafados


tentamos negar nossas origens

mas o ódio e a mágoa são hereditários

ainda assim

é irremediável amar


e eu não sei fingir

igual a minha mãe

e a mãe dela


mas você sabe machucar

igual ao seu pai

e o pai dele


nem toda morte é sangue

o fim pode ser limpo


facas hesitam

palavras não


sua língua vai cortar

lentamente

cada parte minha


o fogo que lambe tudo

vai encharcar o vão entre nós


vamos misturar

suor

saliva

gozo

até virar chuva

NEC = Nota do Editor Chefão
- Lívia Corbellari é jornalista pela UFES,  baiana por nascimento, capixaba por adoção, mora em Vitória desde seus 7 anos de idade. 
“Carne Viva”, seu livro de estreia, foi lançado na Cervejaria Mula Rouge, no centro de Vitória, em 1919.

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham