
De Jango a Lula
A história se repete com novas roupagens, mas de Jango a Lula, o cenário de fundo é muito semelhante
COLUNA PANO DE FUNDO |
POLÍTICA \ BASTIDORES

EDILSON LUCAS DO AMARAL
Em marçao/abril de 1964, o Brasil acordava sob o peso de tanques nas ruas e manchetes manipuladas.
Sob o pretexto do medo – aquele velho artifício que alimenta ditaduras – João Goulart foi acusado de ser comunista.
Não porque fosse, mas porque precisavam que fosse.
A Guerra Fria dava o tom do planeta e os Estados Unidos, zelosos de sua hegemonia, não aceitavam governos que flertassem com reformas sociais.

Bastava que um presidente falasse em reforma agrária ou se aproximasse dos sindicatos para que o carimbo de “ameaça vermelha” fosse colado em sua testa.
Não era sobre comunismo, era sobre controle.
E a história, como sabemos, não se contenta em ser passado.
Ela retorna disfarçada, às vezes sutil, às vezes grotesca, sempre com fome.
Hoje, os interesses já não são o petróleo ou o medo do vermelho, mas os minerais raros, as rotas tecnológicas, os recursos que alimentam a nova era digital.
Lítio, nióbio, silício. É a corrida pelo que restou de estratégico no mundo. E novamente o Brasil se vê no tabuleiro, não como jogador, mas como peça.
Os embargos e tarifas recentes impostos pelos Estados Unidos às exportações brasileiras não têm a ver com economia.
São punições políticas.
São o eco de um império que, ao perceber sua influência desafiada, reage com sanções, chantagens e humilhações públicas. Não se trata de mercado, mas de submissão.
Nosso presidente, acuado entre a soberania e a realidade, tenta ensaiar bravura. Mas bravura sem poder é apenas retórica. E Trump — ou qualquer outro representante do poder americano — não se impressiona com discursos, mas com pressão real.
A diplomacia simbólica, a indignação performática, não surtirão efeito.
Então, o que nos resta?

Resta à elite econômica — bancos, grandes empresários, o agronegócio e os setores industriais mais sensíveis — acordar de seu torpor. São eles que precisam pressionar o Congresso Nacional com a urgência que o momento exige.
Só com essa mobilização institucional — firme, articulada e pragmática — poderemos gerar uma resposta à altura, capaz de evitar o colapso.
Se a elite permanecer inerte, mergulharemos todos juntos: da classe média às periferias, dos acionistas aos assalariados. A história já nos mostrou o preço da omissão.
Porque o fio da história é frágil. Em 1964, tensionaram demais e romperam. Derrubaram um presidente e mergulharam o país em duas décadas de escuridão. Hoje, puxam novamente.
E se arrebentar, os únicos que não perderão nada — de novo — serão eles: os donos do tabuleiro.
O Brasil precisa parar de ser refém das narrativas alheias e entender que soberania não é grito, é estratégia.
E que bravura, sem cálculo, só nos leva ao abismo — com bandeira na mão e olhos vendados.
De Jango a Lula
Edição, Don Oleari – [email protected] | https://twitter.com/donoleari
http://www.facebook.com/oswaldo.oleariouoleare –
Instagram do Don Oleari Portal de Notícias
https://www.instagram.com/donolearinoticias/

Da lama ao asfalto novo: quatro bairros da Serra passam por modernização
Caminhos que curam: Livro de Alessandro Andrade emociona e inspira reflexão
Sportotal | Flamengo e Palmeiras decidem a final do Campeonato Amador de Linhares
Senado aprova redução de idade para exames pelo Sus




