Um Golpe de Estado chucro
Segundo Eduardo Bueno, a cena ensinada nas escolas é “fantasia de livro didático”.
Ele lembra que o povo não pedia a queda da monarquiia e nem sabia o que era república
DON OLEARI MEMÓRIA

ESPECIAL GOLPE DE ESTADO DA “PROCLAMAÇÃO”
NEC = Nota do Editor Chefão, Don Oleari |
Depois de ouvir uma divertidíssima entrevista do historiador “torto” Eduardo Bueno no “Canal Livre” da Band TV, garrei a matutá em algo para o nosso intrépido jornal infernético.
Eduardo Bueno bagunça geral com as mentirinhas dos livros escolares que mandaram escrever pra engabelar a nosotros, a patuleia dos brasilerim da silva – opppsss, somos todos Silva, valaquiseji.
A melhor ideia – falsa modéstia à parte – que me ocorreu foi encarregar nosso prezadíssimo Rodrigo Melo Rego (***) para cumprir a jornada.
Por que? Melo Rego é pós-graduado em estudos literários e pesquisador de literatura erótica. Ora, ora uquiqui tem literatura erótica com a tal Proclamação da República?
Acertou, quem disse nada. Mas Melo Rego carrega em sua imensa “folha corrida” quesito vital para nosotros: é um humorista nato, da nata.
Melo Rego fez um “refogado” dusbão, fiel ao que Eduardo Bueno costuma apresentar em seus livros, vídeos e palestras — sempre no tom crítico, direto e desmistificador que caracteriza o trabalho dele.
(***) Veja as Colunas “As Certinhas do Oleari + Poesia Erótica” nesse linki aí.
Pode ter certeza que vale a pena – https://donoleari.com.br/?s=As+Certinhas+do+Oleari

RODRIGO MELO REGO
A “Proclamação” da República segundo o historiador Eduardo Bueno: um golpe com verniz cívico.
Eduardo Bueno — jornalista, historiador autodidata e divulgador histórico – desmonta o mito escolar da “Proclamação da República” como um ato heroico, cívico e popular.
Para ele, o 15 de novembro de 1889 foi um golpe militar clássico, conduzido às pressas, sem planejamento político e sem participação do povo.
A seguir, alinho os principais pontos que Eduardo Bueno costuma enfatizar:
1. Não houve proclamação popular – o povo dormia.
Segundo Bueno, a cena ensinada nas escolas é “fantasia de livro didático”. Ele lembra que:
- não houve multidões,
- não houve comícios,
- não havia movimentos populares pedindo a queda da monarquia,
- a maior parte da população não sabia sequer o que era “república”.

Bueno diz em palestras:
“O povo acordou monarquista e foi dormir republicano — sem ser perguntado.”
2. Deodoro da Fonseca nem queria o golpe
Deodoro não queria nada com nada. Uma das narrativas preferidas de Bueno é mostrar que ele estava hesitante e desinformado.
O marechal Deodoro estava doente.

- Veja o que diz Bueno:
- Ele sofria de crises graves de asma e problemas renais.
- Acreditou em boatos falsos de que seria preso pelo governo imperial.
- Não era republicano convicto: era monarquista, amigo pessoal do Visconde de Ouro Preto e até do próprio imperador.
Bueno resume com ironia:
“O golpe foi comandado por um monarquista doente que não sabia direito o que estava acontecendo.”
3. Elite agrária e Exército insatisfeitos
Eduardo Bueno aponta três motores principais para o golpe:
a) Elite escravocrata ressentida
A abolição sem indenização – a “Lei Áurea” – irritou profundamente os grandes proprietários.
Eles viam o Império como responsável pela perda econômica.
b) Exército queria mais poder
Desde a Guerra do Paraguai, militares se sentiam menosprezados pela monarquia.
A República era vista como oportunidade de:
- conquistar autonomia,
- intervir na política,
- e romper com a figura moderadora do imperador.
c) Positivismo de quartel
Jovens oficiais seguiam o positivismo de Auguste Comte, defendendo uma sociedade reorganizada cientificamente.
Bueno costuma brincar dizendo que o Positivismo era uma doutrina mal compreendida, mas muito obedecida.
4. Monarquia caiu sem resistência
Outro ponto sempre destacado:
- D. Pedro II não levantou tropas.
- O governo não ofereceu resistência armada.
- A família imperial foi colocada num navio e enviada ao exílio em poucas horas.
Eduardo Bueno afirma:
“O Império caiu como um fruto podre – e talvez nem estivesse tão podre assim.”
5. Ato que “proclamou” República foi improvisado
A fala de Deodoro no Campo de Santana, apresentada como “proclamação histórica”, é descrita por Bueno assim:
- mal redigida,
- cheia de generalidades,
- sem clareza jurídica,
- e solta no ar.
O documento oficial só foi escrito depois, meio às pressas, para dar aparência de ordem institucional.
6. A “República” já excluia geral: não tinha povo, nem projeto
Eduardo Bueno enfatiza sempre:
- não houve plebiscito,
- não houve debate público,
- não houve transição democrática,
- não houve Constituição imediatamente,
- não houve inclusão de negros recém-libertos.
Ou seja, uma República sem republicanos, criada apenas para atender às elites agrárias, aos militares e a grupos urbanos ilustrados, mas diminutos.
Bueno costuma resumir assim:
“A República nasceu como nasceu: de um golpe – e isso deixou marcas profundas. A história do Brasil é uma sucessão de rupturas sem povo.”
7. Mito republicano serviu à propaganda posterior
A imagem épica do 15 de novembro veio depois – com livros, pinturas e discursos encomendados que transformaram um golpe confuso num ato heróico.
Bueno reforça que a história oficial foi cuidadosamente construída para legitimar o novo regime, criar heróis artificiais e apagar vacilos e bastidores pouco nobres.
Em resumo, a visão de Eduardo Bueno:
- Foi golpe, não proclamação.
- Foi militar, não popular.
- Foi improvisado, não planejado.
- Foi elitista, não democrático.
- Foi aceito pelo Império com resignação.
- E marcou a política brasileira com a lógica do quartel.
Um Golpe de Estado chucro
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