Dom Pedro II
D. Pedro II, o último imperador
ARTIGO |
DON OLEARI HISTÓRIA

MANOEL GOES NETO
Na próxima terça-feira, 2 de dezembro, comemoramos os 200 anos de nascimento do último imperador do Brasil, Dom Pedro II.
Monarca central na construção da identidade nacional e no fortalecimento das instituições, deixou um legado cultural e intelectual que atravessa gerações.
Pedro II nasceu em 2 de dezembro de 1825 no Rio de Janeiro. Foi um grande incentivador das ciências, das artes e da educação.
Dedicado ao desenvolvimento do país, é lembrado como um líder progressista por ter impulsionado a industrialização, apoiado a expansão das ferrovias, aprimorado o sistema de telégrafos, estimulado a abertura de escolas e defendido a abolição da escravidão.
Sua visão de progresso, porém, também recebeu críticas.
Embora existisse um modelo parlamentarista previsto na Constituição de 1824, o imperador utilizou o Poder Moderador para intervir diretamente na política, alternando partidos no comando e dissolvendo a Câmara.
Era um “parlamentarismo às avessas”, visto por alguns como excessiva centralização, capaz de frear inovações.
visita ao Espírito Santo
O Espírito Santo teve o privilégio de recebê-lo em 1860.
Pedro II visitou o Convento da Penha, o Frade e a Freira, o Mestre Álvaro, a então Cidade de Anchieta e a Lagoa Juparanã, em Linhares.
Sua estada de 15 dias está detalhada no livro “Viagem de Pedro II ao Espírito Santo”, de Levy Rocha, um documento histórico.
No diário da viagem, o imperador registrou encantamento com as belezas naturais e culturais do estado.
Antes de pernoitar no Convento da Penha, visitou a Igrejinha de Nossa Senhora do Rosário, então em estado de abandono, e doou recursos para sua manutenção emergencial.
Também esteve na Fonte de Inhoá, único ponto de captação de água potável de Vila Velha.
Determinou e financiou a canalização da água até um chafariz na praça em frente à Igrejinha do Rosário.
Esse foi o primeiro sistema de água encanada de que se tem notícia no Espírito Santo.
Fim do Império
Dom Pedro II foi deposto na Proclamação da República em 15 de novembro de 1889.
Doente e desiludido, não ofereceu resistência ao golpe militar conduzido pelo Marechal Deodoro da Fonseca.
A família imperial partiu para o exílio poucos dias depois, encerrando oficialmente o Império e inaugurando a era republicana.
Com a chegada da energia elétrica a Vila Velha em 1910, foi construída a primeira caixa d’água de captação e distribuição vinda de Cariacica.
A obra finalmente amenizou o histórico problema de abastecimento de água na cidade canela-verde, questão que Pedro II já havia tentado enfrentar meio século antes.
Mesmo após a queda da monarquia, a figura de Pedro II foi recuperada e valorizada por diferentes governos, consolidando sua imagem como imperador progressista e verdadeiro “pai” da nação brasileira.
Manoel Goes Neto — escritor, produtor cultural e diretor no IHGES
Dom Pedro II
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