Cena aberta
Cena aberta para 2026, muito promissor

ESPECIAL RETROSPECTIVA 2025
MANOEL GOES NETO
A retrospectiva de 2025 nas artes cênicas no Espírito Santo, assim como no país, foi marcada por grandes novidades.
Houve uma forte retomada dos eventos presenciais. E também a celebração de datas importantes de festivais e instituições.
O ano teve ênfase na diversidade, na inclusão e na circulação de espetáculos por diversos territórios do ES.
Festival Nacional de Teatro
A 21ª edição do Festival Nacional de Teatro de Vitória consolidou-se como a maior das artes cênicas do Espírito Santo.
O festival celebrou a maioridade com uma programação robusta. Reuniu espetáculos nacionais e produções locais.Confirmou seu papel central na cena cultural capixaba.
Diversidade em cena
O ano de 2025 foi marcado por um esforço notável em trazer à tona questões contemporâneas.
Temas como raça, gênero e diversidade estiveram presentes nas curadorias de festivais e editais na busca foi por maior representatividade nos palcos.
O resultado foi a demonstração de uma cena vibrante e resiliente, focada na expansão do acesso à cultura e na valorização da produção artística local e diversa.
Salas de grande porte
Existe uma carência de salas de teatro no Espírito Santo. Principalmente espaços com capacidade para mais de 500 espectadores.
Faltam salas com instalações adequadas, modernas e acessíveis. Capazes de receber produções nacionais e locais de artes cênicas.
Cineteatro das Artes
Apesar das dificuldades conhecidas, há boas notícias. O Estado ganhou um importante espaço cultural em janeiro de 2025.
O Cineteatro das Artes está localizado no Shopping da Terra, no Centro de Vila Velha, dedicado principalmente à exibição de produções audiovisuais.
E ao incentivo à formação de novos públicos para o cinema local e nacional. A abertura contou com programação diversificada e grande sucesso.
Entre os destaques estão sessões de cinema brasileiro.
FOCA – Festival de Ópera Capixaba
Ambos são projetos aprovados por editais da Lei Paulo Gustavo e do Fundo de Cultura do Espírito Santo.
Vocação cultural
O Cineteatro das Artes foi reformado e readequado com recursos do Edital de Apoio a Salas de Cinema, da Lei Paulo Gustavo em parceria do Ministério da Cultura e a Secretaria da Cultura do ES.
Tem capacidade para 110 pessoas e está preparado para se tornar referência cultural em Vila Velha e no Espírito Santo, com programação inclusiva, diversa e conectada às identidades estaeduais

Os históricos Armazéns do Porto de Vitória também receberam atenção especial.
O Armazém 4 e o prédio anexo serão a sede do Museu Vale numa área total de 3,9 mil metros quadrados, reformada para abrigar exposições temporárias.
Haverá também uma exposição permanente, que contará a história da Estrada de Ferro Vitória a Minas.
Essa mostra ocupará dois dos cinco andares do prédio anexo, que contará ainda com centro de memória ferroviária. sala para o programa educativo do museu, áreas para ateliês e residências artísticas, auditório e biblioteca.
No topo do prédio, funcionará um restaurante com vista panorâmica para a baía de Vitória e o centro histórico da cidade.
Cultura no Porto
O Armazém 3 abriga o Senai Porto. A unidade é focada na formação profissional.
Atua nas áreas de logística, gestão portuária, tecnologia da informação e economia do mar. O espaço recebeu investimentos superiores a R$ 34 milhões.
Os recursos foram destinados à reforma, adequação das instalações e montagem de laboratórios e também à aquisição de equipamentos.
É a primeira unidade do Senai no Espírito Santo situada em área portuária. Tem capacidade para atender cerca de 1,8 mil alunos por dia – 600 alunos por turno.
Armazém 5: espaço multiuso
O Armazém 5 foi inaugurado em outubro com cerca de 1,8 mil metros quadrados.
Foi transformado em um espaço cultural multiuso e conta com arena de espetáculos, área expositiva, espaço formativo e ativações nas áreas de arte, design e gastronomia.
A inauguração ocorreu com a exposição coletiva temporária do projeto artístico-cultural “Baía de Vitória”.

Fechado desde fevereiro de 2017, o Theatro Carlos Gomes, localizado na Praça Costa Pereira, no centro de Vitória/ES, foi totalmente restaurado, requalificado e reinaugurado em novembro deste ano.
O teatro foi projetado pelo arquiteto italiano André Carloni em estilo arquitetônico eclético.
Foi inaugurado em 5 de janeiro de 1927, inspirado no Teatro Scala de Milão. A pintura do teto é de autoria do artista mineiro Homero Massena
O teatro passou oito anos fechado. As obras incluíram revitalização do telhado e mais os seguintes quesitos:
Climatização.
Parte cênica.
Restauração do lustre principal.
E da pintura do teto.
Agora, o espaço comporta 450 pessoas.
Conta com sonorização e climatização modernas.
Acessibilidade plena.
E equipamentos de segurança contra incêndios.
A cor original também foi recuperada.
O antigo amarelo deu lugar ao tom camurça.
Uma tonalidade entre o cinza e o bege.
A reabertura de uma sala de teatro é um evento de grande importância.
Representa o resgate de um espaço vital para a formação cultural.
Para o desenvolvimento social.
E para a dinamização econômica da comunidade.
O teatro é o lugar do encontro com o outro.
Onde a vida acontece.

O Cais das Artes, Praia do Suá, teve suas obras retomadas. Na primeira fase, receberá a exposição “Amazônia” do renomado fotógrafo Sebastião Salgado.
A previsão é que a exposição seja inaugurada no primeiro trimestre de 2026, após a entrega do espaço físico, também prevista para o primeiro trimestre de 2026.
A segunda fase inclui o teatro, com previsão para o segundo semestre de 2026.
Terá capacidade para 1.300 pessoas e foi projetado para receber concertos, Danças. Óperas e espetáculos teatrais.
O palco terá 600 metros quadrados.
Após concluído, o Cais das Artes tem potencial para se tornar referência artística, turística e educacional.
Será uma plataforma para artistas capixabas, nacionais e internacionais.
A gestão será realizada em parceria entre o Governo do Estado e a Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura.
Citação
“O teatro é um dos mais expressivos e úteis instrumentos para a edificação de um país e o barômetro que marca sua grandeza ou a sua decadência. Um teatro sensível e bem orientado pode mudar em poucos anos a sensibilidade do povo.” (Federico García Lorca).
Por Manoel Goes Neto
Escritor, produtor cultural e diretor no IHGES
Cena aberta
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