Transcendência histórica e prática da mensagem do líder iraniano Mojtaba Khamenei

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Transcendência histórica

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Transcendência histórica analisa a posição do líder iraniano Mojtaba Khamenei

foto-autor-texto-wislon-coelho.jpg 3 de junho de 2026
Luis Manuel Arce

LUIS MANUEL ARCE ISAAC | 

Exclusivo para Al Mayadeen Espanhol – 

REPRODUÇÃO AUTORIZADA PELO AUTOR E PELO TRADUTOR

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Wilson Côelho

TRADUÇÃO: WILSON CÕELHO

“As nações muçulmanas estão entrando numa fase histórica em que as realidades regionais mudam irreversivelmente e a influência militar americana diminui progressivamente”, expressou o Líder do Irã.

Pela primeira vez em muito tempo, desde os alertas visionários de Simón Bolívar, José Martí e Fidel Castro, não se ouvia uma mensagem de transcendência histórica sobre o futuro da humanidade, de tanta importância universal quanto a que acaba de lançar o líder iraniano, na qual ele insta a criar uma ordem mundial que transcenda a hegemonia dos Estados Unidos.

Para aqueles que ainda não assimilam que estamos, em pleno, em um período de transição de uma época de mudança para uma mudança de época, convido-os a refletir com a atenção que merece o momento no qual Donald Trump — mas em particular o capital altamente concentrado do qual ele é apenas um expoente e seu cargo como presidente o transforma na cabeça desse pensamento chantagista de freio à mudança — tem sido o instrumento para revelar os elementos desse processo de transformação irreversível, mas não linear, do atual modo social de produção.

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Trump 2025, o Trump de Stephen Miller

Parodiando Lenin na época do início do século XX de confronto entre bolcheviques e mencheviques, a sociedade atual como um todo (com suas divisões de classe, religiosas, filosóficas ou culturais), está justamente dando um passo à frente e dois para trás desde a queda do muro de Berlim, o que algumas pessoas de boa fé entendem como um retrocesso político, ideológico e socioeconômico da esquerda e uma vitória do conservadorismo extremo, quando é absolutamente tudo ao contrário.

Que ninguém honesto, revolucionário, democrata de verdade, participativo, defensor consciente dos sentimentos da nação em que nasceu e cresceu, se angustie nem tema por desfechos horríveis como os conflitos militares que a geoestratégia, o petróleo, a posse de terras raras e outros recursos geram desde o desaparecimento da União Soviética e do campo socialista da Europa Oriental.

Também não dos golpes eleitorais e judiciais que colocam a direita nas presidências de países fracos.

É hora de compreender que o aquecimento da guerra fria desde a primeira agressão ao Iraque até o Irã é expressão do transcendente movimento dialético que protagonizamos, o qual se distingue do refluxo das águas do oceano, que não tem uma costa que detenha seu avanço por muito recife que haja.

O chamado de Mojtaba Khamenei, embora limitado ao mundo muçulmano, indica que, embora a dialética seja a característica principal do movimento e atue segundo leis que o regem à margem da vontade do homem, essa realidade não é um axioma inflexível porque a pessoa humana tem a capacidade de freá-lo ou acelerá-lo, e possui os instrumentos para fazê-lo.

Transcendência históricaDaí que Khamenei tenha expressado de maneira pontual no Dia de Arafat, segundo da peregrinação do Hajj, o porquê de o mundo muçulmano poder agir para criar com sucesso uma nova ordem que transcenda os Estados Unidos.

Explicou:

“As nações da região possuem muitas capacidades compartilhadas e interesses comuns que moldarão a nova ordem e a futura arquitetura mundial”

Sustentou que: “as nações muçulmanas estão entrando em uma fase histórica na qual as realidades regionais mudam irreversivelmente e a influência militar dos Estados Unidos diminui progressivamente”.

E muito importante:

“O tempo não voltará, e as nações e terras da região já não servirão de refúgio para suas maldades nem para estabelecer bases militares na região, e se afasta cada dia mais de seu antigo status”.

Para quem não entende, não é uma parábola de Jesus ou do Messias, é uma expressão que retrata o momento histórico que Donald Trump e seus bilionários pressentem: os EUA “se afastam cada dia mais de seu antigo status”.

Ou seja: o imperialismo americano está acabando, e seu caminho para a desintegração é objetivo e irrefutável. Nada mais acontece devido à sua influência como império dominante, mas como potência militar e econômica. Eis o sumo de sua fraqueza.

Khamenei aponta dois fatos básicos pelos quais o mundo muçulmano pode influenciar a mudança de época que traça o caminho para o desaparecimento do imperialismo estadunidense: ‘as forças muçulmanas enfrentaram a influência estadunidense, desafiaram a ocupação israelense e combateram o grupo terrorista Daesh.

O regime israelense é instável e se aproxima das etapas finais de sua existência. Os golpes do Irã aos Estados Unidos e à entidade sionista foram decisivos apesar da poderosa agressão conjunta de duas potências nucleares’.

Analise-se com toda escrupulosidade as palavras de Khamenei, e será fácil entender que Trump age violentamente, com todo o poder que lhe resta e o cinismo que o caracteriza, a partir de uma posição de fraqueza respaldada por uma administração impecável dos reflexos condicionados e da teoria do medo, que são os fatores onde precisamente residem os maiores perigos para aqueles que não têm caráter ou não podem se opor a ele, algo que não acontece com China, Rússia nem Coreia do Norte, porque os três são farinha de outro saco, não apenas por sua situação econômica e tecnológica favorável, mas porque são potências nucleares cujos mísseis chegam facilmente aos Estados Unidos.

É nesse contexto que a Europa falha.

Poderiam ter a mesma força que Pequim, Moscou e Pyongyang frente a Washington, mas para isso teriam que esquecer da Ucrânia e fazer uma reconversão da OTAN, não para enfrentar essas três potências, mas para se fortalecer sob a proteção delas e terminar definitivamente de ser peões de Trump.

Isso é difícil de conseguir, porque a Europa OTANista cria lobos e hienas da mesma ninhada americana, e isso explica por que Trump os trata com pontapés enquanto de Londres, Alemanha, Paris e os outros, colocam o traseiro para que ele faça.

Se na Europa se pensasse com inteligência sobre o que acabou de expressar Khamenei, se o realismo no velho continente se sobrepusesse aos interesses de casta e de grupos, e se pensasse mais nos povos europeus estressados e angustiados, a nova ordem mundial à qual se refere o líder iraniano se construiria mais rápido do que se pode imaginar.

Mudaríamos a atmosfera de insegurança, retornaríamos a um equilíbrio racional, estável e duradouro, acabariam-se a valentia de bairro, os crimes contra a humanidade, e embora haja lua cheia o lobo nunca mais sairá das entranhas do homem e os uivos vindos da Casa Branca, do Pentágono e do Departamento de Estado, seguramente não voltariam a se ouvir.

Capa: Aiatolá Mojtaba Khamenei

Transcendência histórica

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