Aquarela do Brasil

CRÔNICA |
ALENCAR GARCIA DE FREITAS
Vitória – ES, 7/10/2025 – 21h15m
Quem não se lembra — os mais antigos, como Don Oleari e o autor deste texto — do grande Ary Barroso e de seu lendário programa de rádio Calouros do Ary?
Lá estava ele, com sua inseparável gaitinha, celebrando mais um gol do seu Flamengo.
Gol rubro-negro era festa: a gaitinha tocava várias vezes. Se o gol fosse contra, apenas uma. Regras claras, paixão declarada.
Se estivesse vivo hoje, dá até para imaginar Ary Barroso em êxtase, vendo o Flamengo fazer o sucesso que tem feito nos últimos tempos.
Mas deixemos o Flamengo de lado e voltemos ao tema central desta crônica: “Aquarela do Brasil”.
Pelo que se sabe, nenhum outro mineiro — e olha que Ary também compôs “Aquarela Mineira” — reuniu tantas pérolas da música brasileira quanto ele.
Seu repertório é vasto, diverso e definitivo.
Entre tantas obras-primas, destacam-se “Dá nela”, “Na Baixa do Sapateiro”, “Terra Seca”, “Faceira”, “Maria”, “No Rancho Fundo”, “Três Lágrimas”, entre muitas outras.
Ary Barroso só parou de compor em 1969, quando morreu. Até o fim, viveu intensamente sua grande paixão: o samba.
Paixão que, às vezes, se traduzia em irreverência.
Conta-se que, ao perguntar a um calouro o que iria cantar e ouvir como resposta “vou cantar um sambinha”, Ary reagia sem piedade:
“Então, a gente queima pestana compondo um samba e vem um mequetrefe dizer que vai cantar um sambinha?”
Todas as vezes que vejo brasileiros cantando o Hino Nacional, faço uma associação quase automática com “Aquarela do Brasil”.
A meu ver, ela se tornou, com o tempo, um verdadeiro segundo hino pátrio.
Para recordá-la melhor, vale reproduzir aqui uma de suas estrofes mais emblemáticas:
“Brasil, meu Brasil brasileiro,
meu mulato inzoneiro,
vou cantar-te nos meus versos.
Meu Brasil samba que dá,
bamboleiro que faz gingar,
o Brasil do meu amor,
terra de Nosso Senhor.
Brasil!… Brasil!… Pra! Pra mim!”
Já que mencionei o Editor Chefão, Don Oleari, ele me lembrou que tem uma versão instruimental qie fez muito sucesso.
O trombonista e arranjador Ray Connif fez uma versão de Aquarela no Brasil que estorou geral. Vejam aí:
Alencar Garcia de Freitas é jornalista
Vitória (ES), 10 de dezembro de 2025, 12h05m
Aquarela do Brasil
Edição, Don Oleari – [email protected] | https://twitter.com/donoleari
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