Ateliê Kleber Galvêas
Veja também: “Trote da Cidadania” da UVV, em 2010; Como a arte transforma a vida?
COLUNA DIA A DIA

KLEBER GALVEAS
A turma do 9º ano B da Escola Tuffy Nader, da Barra do Jucu, Vila Velha/ES, foi conhecer o Ateliê Kleber Galvêas na última sexta-feira (6).
Durante a palestra, reforçamos a ideia de que a arte não existe sem o público. Comparámos a arte ao amor: ambos só acontecem quando compartilhados.

Por isso, ao passarem por uma galeria ou museu, os alunos foram convidados a entrar e explorar.
O visitante é parte fundamental, pois completa a obra do artista e do organizador da exposição.
“Sabemos que tudo que é novo pode parecer difícil, mas nosso ateliê está aqui para tornar essa experiência mais fácil e acolhedora. Que venham as crianças, os estudantes, os curiosos, e todo o público”.
Tenho me dedicado intensamente, pincelada por pincelada, à criação dessas coleções de flores, todas únicas. Presentes entre namorados, essas obras poderão um dia se reencontrar, lado a lado, na parede de um lar. Coloridas, eternas, serão memória viva de momentos felizes.
“Diferente das flores naturais, essas não murcham. São para sempre, como o carinho e a felicidade que você deseja àqueles que ama,” Afirmou Kléber Galvêas.
Utilidade da Arte
Durante o “Trote da Cidadania” da UVV, em 2010, fui convidado a palestrar na noite de recepção aos calouros. O tema, proposto pela própria universidade, “A arte como transformadora da vida”, me tocou profundamente.
Como pintor local, foi gratificante poder compartilhar com quase 400 estudantes atentos a influência da perspectiva artística em nosso dia a dia.
Eles estavam iniciando a etapa final de sua formação acadêmica, preparando-se para atuar como profissionais a serviço da sociedade em diversas áreas do mundo concreto e objetivo.
Como a arte transforma a vida?
A resposta passa pela troca de experiências humanas. A arte desperta, provoca, sensibiliza. E isso só acontece quando há alguém disposto a se abrir à experiência estética, seja por meio da visão, da audição, do tato. Em essência, não existe arte sem público.
A obra só se torna arte quando é percebida e sentida por alguém.
A arte acontece na relação entre quem cria e quem observa. Sua natureza não está apenas na obra em si, mas na conexão que ela estabelece com o outro.
Assim como o amor, a arte exige parceria. Por isso o interesse dos artistas pelo público e pela crítica não é vaidade, é necessidade vital.
Ser artista, afinal, não é pertencer a uma classe separada. É ter atitude. É comunicar com sensibilidade. Qualquer pessoa que se expressa e toca os outros com sua visão de mundo pode ser um artista.
Durante a palestra, compartilhei uma história simples, mas reveladora, que ilustra como a arte refina a percepção e transforma a forma como lidamos com a vida:
Imagine duas famílias a “A” e a “B” morando em apartamentos vizinhos na cobertura de um prédio.
Têm estilos de vida semelhantes: frequentam igreja, shopping, praia, os filhos estudam na mesma escola, e os pais têm empregos equivalentes. Convivem cordialmente, mas sem intimidade.
Em uma manhã comum, algo trivial acontece nas duas casas: alguém derrama café na toalha da mesa durante o café da manhã.
Na família A, o incidente vira motivo de discussão: gritos, acusações, lembranças negativas, clima pesado. A tensão acompanha todos até o carro.
No trajeto, o motorista, distraído, colide com um ônibus parado. O dia começa com prejuízo, estresse e mágoa.
Já na família B, que além das atividades comuns também aprecia arte frequentando museus, exposições, peças teatrais, ouvindo música, lendo poesia, o café derramado é visto sob outra luz.
Alguém comenta que a mancha lembra uma pintura vista recentemente. A conversa gira em torno das formas, dos tons castanhos, das possibilidades visuais.
O episódio, apesar de exigir uma toalha lavada, gera encantamento e conexão. Todos saem de casa tranquilos, o dia começa leve.
Essa diferença não está apenas nas circunstâncias, mas no olhar. A vivência da arte não evita o acidente, mas transforma a maneira como se lida com ele.
A arte não serve só para adornar paredes ou entreter. Ela tem o poder de transformar a forma como sentimos, reagimos e convivemos.
O ateliê está aberto todos os dias, das 9h às 18h, no Centro Histórico da Barra do Jucu, em Vila Velha, ES, Telefone: (27) 3244-7115, Site: www.galveas.com | E-mail: [email protected]
Ateliê Kleber Galvêas
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