ato solitário
ato solitário – Não pensar é mais cômodo e é aceitar o domínio imposto, em vez de rebelar-se contra as forças de opressão
Pensando, pensando, pensando…

ARTIGO |
FRANCISCO HILÁRIO BRANDÃO
Entendia, até poucos instantes atrás, que cidadãos que ainda apoiam petistas e/ou bolsonaristas não poderiam ser considerados “homens de bem”.

O que me fez repensar essa posição foi uma das cenas do filme sobre o julgamento de Adolf Eichmann e a filósofa judia Hannah Arendt, que espelha o conteúdo de sua obra sobre a teoria da Banalidade do Mal.
Poder do Estado
O ponto mais importante — e que sempre será central — é o comportamento dos chamados líderes da sociedade diante das forças nefastas que detêm o Poder do Estado.

A partir dessa premissa, procuro compreender a postura atual de grande parte da chamada “inteligência” brasileira e de seus líderes políticos.
Aprendemos com a filósofa que o homem que pensa só se encontra na solidão do seu próprio pensar.
É no diálogo entre o eu exterior e o eu interior que nasce o norte de toda linha de comportamento.
Partindo daí, podemos constatar que o ser que não se permite pensar não pode ser visto como um humano pleno de sua consciência.
Quando não há pensamento para reger o comportamento humano, não há regras.
Há apenas um caminho sem tréguas rumo a uma existência comprometida apenas com o passar do tempo, sem compromisso algum com o destino da humanidade, ou mesmo de parte dela.
É esse tipo de ser humano que faz nascer as grandes tragédias.
A resistência ao ato de pensar, que afasta o indivíduo do aprendizado pleno, torna-o refém dos movimentos sociopolíticos que alimentam o que há de mais nefasto no comportamento social:
o domínio de grupos mal-intencionados sobre uma sociedade incapaz de pensar.
Não pensa porque é mais cômodo aceitar o domínio imposto do que rebelar-se contra as forças de opressão.
A covardia, nesse caso, não nasce do medo, mas da facilidade da omissão do ato de pensar.
Pensar nos confronta com uma realidade que, na maioria das vezes, nos oprime e nos machuca.
Ao ler certos comentários em defesa dos atuais donos do poder, percebo que sua finalidade é apenas servir como rota de fuga ao pensamento que se faz necessário.
Não estamos falando aqui de iletrados ou semianalfabetos, mas de pessoas com curso superior completo, ditas — e vistas — como formadoras de opinião.
Falamos de pseudolíderes que, assim como nos casos analisados por Hannah Arendt, amanhã rebaterão com furor qualquer tentativa de lhes imputar responsabilidades sobre o que hoje acontece com a nação brasileira.
A amoralidade é sempre companheira do não pensar. O “laissez-faire, laissez-aller, laissez-passer” moral será inevitavelmente negado quando a razão finalmente se fizer presente.
ato solitário
Edição, Don Oleari – [email protected] | https://twitter.com/donoleari
http://www.facebook.com/oswaldo.oleariouoleare –
Instagram do Don Oleari Portal de Notícias
https://www.instagram.com/donolearinoticias/
ato solitário
ato solitário
Alencar Garcia de Freitas | Aquarela do Brasil, segundo hino nacional do nosso país




