Coqueluche | Queda na vacinação e diagnóstico rápido preocupam especialistas com a volta e causa de mortes no Brasil

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O número de registros de Coqueluche é 30 vezes maior do que o registrado no ano anterior, quando houve 216 casos

DA REDAÇÃO DON OLEARI PN

Com mais de 7.500 casos registrados apenas em 2024, a coqueluche — doença respiratória altamente contagiosa — voltou a preocupar autoridades de saúde no Brasil.

O número é 30 vezes maior do que o registrado no ano anterior, quando houve 216 casos.

Foram confirmadas treze mortes, todas em bebês com menos de um ano, filhos de mães que não receberam a vacina durante a gestação.

O cenário acende um alerta para a queda da cobertura vacinal no país e reforça a importância de tecnologias como os testes sindrômicos, capazes de detectar rapidamente a causa da infecção.

A pneumologista pediatra Dra. Eliandra da Silveira de Lima alerta:

“Infelizmente, estamos vivenciando um retrocesso. A hesitação vacinal e a desinformação têm consequências graves, principalmente para os mais vulneráveis, como os recém-nascidos. De acordo com dados do Ministério da Saúde e do Programa Nacional de Imunizações, em 2023 o Brasil apresentou cobertura vacinal de 85,71% para a vacina penta e 78,28% para a vacina DTP, no primeiro reforço. Para conter o avanço dos casos de coqueluche, o objetivo é chegar à meta de 95%”, alerta a pneumologista pediatra Dra. Eliandra da Silveira de Lima.

Bactéria Bordetella pertussis

A coqueluche é causada pela bactéria Bordetella pertussis e provoca crises intensas de tosse, que podem durar semanas e levar a complicações como pneumonia, convulsões, encefalopatia e até a morte.

A transmissão ocorre por gotículas respiratórias, tornando a doença altamente contagiosa.

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instituto adolfo lutz, sp

Segundo a Dra. Daniela Leite, coordenadora do Centro de Referência Nacional para Coqueluche no Centro de Bacteriologia do Instituto Adolfo Lutz, o diagnóstico rápido é essencial.

“Entre as metodologias para diagnosticar a doença, a cultura, realizada a partir da coleta da secreção de nasofaringe, ainda é considerada padrão ouro de diagnóstico, mas a PCR em tempo real, capaz de detectar o DNA do agente causador, é o método mais sensível e rápido disponível. No setor privado e em laboratórios de referência, tecnologias como as dos painéis sindrômicos, que utilizam esse método de PCR, permitem identificar, com uma única amostra, se o patógeno é Bordetella pertussis ou outro vírus ou bactéria respiratória”, explica.

Ela destaca que essa diferenciação é fundamental, já que os sintomas da coqueluche podem ser confundidos com os de outras infecções respiratórias, como gripe, VSR e rinovírus, que costumam ter alta circulação no outono e inverno.

Um diagnóstico incorreto ou tardio pode atrasar o início do tratamento, aumentar a transmissão e levar a internações desnecessárias.

“Com esses testes por PCR em tempo real, é possível detectar múltiplos patógenos ao mesmo tempo e com alta sensibilidade. Os resultados saem em aproximadamente uma hora, o que ajuda a definir a conduta clínica de forma muito mais eficiente”, acrescenta Dra. Daniela.

 qiagen_logo.jpgPara André Santos, Medical Science Liaison da QIAGEN – além do benefício direto para o paciente, os testes sindrômicos trazem ganhos para todo o sistema de saúde.

“Eles permitem reduzir o tempo de permanência em unidades de pronto atendimento, evitar o uso indiscriminado de antibióticos — importante para conter a resistência bacteriana —, melhorar a vigilância epidemiológica de surtos e otimizar recursos hospitalares e laboratoriais”, afirma.

Ainda assim, a adoção desses testes em larga escala enfrenta obstáculos no Brasil.

“Custo, logística e desigualdade regional dificultam a implementação nos serviços públicos, embora os benefícios sejam evidentes”, pontua Dra. Eliandra.

Enquanto o Ministério da Saúde trabalha para elevar as taxas de imunização — que vêm caindo desde 2016 —, especialistas defendem a retomada da confiança na vacinação, reforços em adolescentes e adultos, e investimentos em diagnósticos rápidos e precisos.

“Estamos diante de uma crise evitável. Precisamos agir com responsabilidade, baseados na ciência, para evitar novas epidemias como a da coqueluche e tantas outras infecções respiratórias graves que já conhecemos”, conclui Dra. Daniela.

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Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
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