Entre a Goleada e o Susto
A crônica de pós-jogo, Entre a Goleada e o Susto, no melhor estilo narrador raiz com um pezinho na poesia da bola
COPA DO MUNDO 2026
SPORTOTAL | TODOS OS ESPORTES PARA TODOS

CRÔNICA | JESUS MARIA
Capa | Foto: ReutersTakuya Yoshino | Agência Brasil
No país do futebol, onde até o silêncio do estádio parece vibrar, a Seleção brasileira voltou a campo com a velha esperança de reencontrar o bom jogo.
Aquele jogo que faz o torcedor esquecer as contas e lembrar o drible.
E olha… contra a Coreia do Sul parecia que o baile estava de volta.
Um Brasil leve, sorridente, com Estêvão flutuando como quem joga pelada na praia, Vinícius Jr. comandando o ritmo e Rodrygo tocando o samba da bola com os pés.
Foi um baile.
Um verdadeiro 5 a 0 de autoridade, daqueles que fazem o narrador gritar “é show, Brasil!”.
Parecia que Ancelotti havia encontrado o ponto de sal do feijão.
Mas, como o futebol não tem roteiro fixo — e o script é sempre uma bola dividida — veio o Japão.
E aí, meu amigo, a Seleção mequetrefe – como diz nosso Editor Chefão, Don Oleari – mostrou suas rachaduras.
Fez 2 a 0 e achou que o jogo tava ganho.
Só que do outro lado tinha um time disciplinado, com vontade de fazer história.
Com uma história belíssima, de muito trabalho, o que é raiz no povo japonês, iniciado em 1991.
No ano de 1991, Zico chegou ao Japão para atuar pelo Kashima Antlers, estão lembrados? (***).
E fez. Três gols depois, o Japão virou o jogo e virou manchete.
A goleada contra a Coreia virou lembrança; a virada sofrida pro Japão virou lição.
Foi o tipo de jogo que lembra que craque também erra passe, que camisa pesada não segura o placar, e que futebol, no fim das contas, é feito de gente — com brilho e com apagões.
Vinícius seguiu guerreiro, Estêvão manteve o brilho, mas a zaga… ah, a zaga cochilou na rede antes do apito final.
Marquinhos e companhia olharam uns pros outros com aquele semblante de “como é que deixamos isso acontecer?”.
A torcida, que já tava ensaiando o “olé”, engoliu seco e aprendeu junto: o Brasil ainda é promessa — e promessa, no futebol, só vale com bola rolando.
Ancelotti, de semblante tranquilo, deve ter pensado no vestiário: “melhor tropeçar agora do que lá na frente”.
Será quitá tá certo?
Dizem que amistoso é pra isso mesmo — pra errar, ajustar, testar.
A Seleção sai dessa rodada como quem passa por um banho de realidade.
Mostrou que sabe encantar, mas também que ainda precisa aprender a sofrer.
Porque seleção boa não é a que só goleia; é a que não se desmonta quando leva o primeiro golpe.
Entre a festa de Seul e o susto de Yokohama, o torcedor brasileiro ficou no meio do caminho:
com o coração dividido entre o aplauso e o resmungo.
Mas, no fundo, o que todo mundo quer é o mesmo de sempre.
Um time que jogue bonito, mas que também saiba suar o manto até o último minuto.
E é isso que o futebol tem de mais bonito: a esperança, teimosa, que sempre volta pro campo.
Mesmo quando a Seleção é… mequetrefe.
(***) – Vamos acionar o Don Oleari Pesquisa para resgatar a bela história de Zico e a evolução do futebol no Japão e na região.
Entre a Goleada e o Susto
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Capa | Foto: Agência Brasil
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