
IN MEMORIAM

CRÔNICA CURTA E TRISTE
RENATO FISCHER
Tamos meio órfãos hoje.
Aliás, vínhamos sofrendo essa perda há 4 anos, quando o AVC o tirou do combate.
Mas, hoje se foi definitivamente o nosso maior cronista de todos os tempos.

O grande Analista de Bagé.
Ou, como quisesse, a Velhinha de Taubaté.
Ou, simplesmente, Luis Fernando Veríssimo.
Não deixa vazio porque sua obra está aí, viva, pra nos encher de gargalhadas (Renato Fischer).
O cronista Renato Fischer escolheu dois contos de fada de Luis Fernando Veríssimo para complementar sua fala de que a obra dele continua viva.
Os dois menores e melhores contos de fadas do mundo
Luis Fernando Veríssimo
1. Conto de fada para mulheres do século 21
Era uma vez uma linda moça que perguntou a um lindo rapaz:
– Você quer casar comigo?
Ele respondeu:
– Não!
E a moça viveu feliz para sempre, foi viajar, fez compras, conheceu muitos outros rapazes, visitou muitos lugares, foi morar na praia, comprou outro carro, mobiliou sua casa, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe faltava nada, bebia cerveja com as amigas sempre que estava com vontade e ninguém mandava nela.
O rapaz ficou barrigudo, careca, o pinto caiu, a bunda murchou, ficou sozinho e pobre, pois não se constrói nada sem uma mulher.
2. Conto de fada para mulheres do século 21
Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa independente e cheia de autoestima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã.
Então, a rã pulou para o seu colo e disse:
– Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os
nossos filhos e viveríamos felizes para sempre.
E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava:
– Nem morta!
Ficamos órfãos hoje




