Renato Fischer: “Ficamos órfãos hoje. Perdemos nosso maior cronista, Luis Fernando Veríssimo”

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Ficamos órfãos hoje

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IN MEMORIAM

renato-fischer-a-da-assinatura.jpg 16 de novembro de 2023 40 KB
renato fischer

CRÔNICA  CURTA E TRISTE

RENATO FISCHER

Tamos meio órfãos hoje.

Aliás, vínhamos sofrendo essa perda há 4 anos, quando o AVC o tirou do combate.

Mas, hoje se foi definitivamente o nosso maior cronista de todos os tempos.

CRÔNICA  CURTA E TRISTE
Monumento ao Analista de Bagé

O grande Analista de Bagé.

Ou, como quisesse, a Velhinha de Taubaté.

Ou, simplesmente, Luis Fernando Veríssimo.

Não deixa vazio porque sua obra está aí, viva, pra nos encher de gargalhadas (Renato Fischer).

O cronista Renato Fischer escolheu dois contos de fada de Luis Fernando Veríssimo para complementar sua fala de que a obra dele continua viva.

Os dois menores e melhores contos de fadas do mundo

Luis Fernando Veríssimo

1. Conto de fada para mulheres do século 21

Era uma vez uma linda moça que perguntou a um lindo rapaz:

– Você quer casar comigo?

Ele respondeu:

– Não!

E a moça viveu feliz para sempre, foi viajar, fez compras, conheceu muitos outros rapazes, visitou muitos lugares, foi morar na praia, comprou outro carro, mobiliou sua casa, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe faltava nada, bebia cerveja com as amigas sempre que estava com vontade e ninguém mandava nela.

O rapaz ficou barrigudo, careca, o pinto caiu, a bunda murchou, ficou sozinho e pobre, pois não se constrói nada sem uma mulher.

2. Conto de fada para mulheres do século 21

Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa independente e cheia de autoestima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã.

Então, a rã pulou para o seu colo e disse:

– Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os
nossos filhos e viveríamos felizes para sempre.

E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava:

– Nem morta!

Ficamos órfãos hoje

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Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham