Hitler na pele de Trump | Europa deve ajudar EUA a reformar a ordem mundial como pediu Marco Rubio em Munique?

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Hitler na pele de Trump

Hitler na pele de Trump

No seu “desmonte” de princípios, tratados, convenções, anteriores até à Primeira Guerra mundial, Trump se espelha no catastrófico líder nacional-socialista alemão e aí temos um autên

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Wilson Côelho

tico Hitler na pele de Trump

ARTIGO | INTERNACIONAL | 

AUTOR: LUIS MANUEL ARCE ISAAC |

TRADUTOR: WILSON COELHO

Análise: A Europa deve ajudar os EUA a reformar a ordem mundial como pediu Marco Rubio em Munique?

Na recente Conferência de Munique, Marco Rubio disse aos europeus, sem rodeios,  que a Europa é crucial para o Maga (***) e para a elevação do ego do presidente republicano.

(***) MAGA“Make America Great Again”Torne a América Grande Novamente!

A do título é uma boa pergunta para a velha e cansada Europa que acredita que o mundo caiu sobre ela com a Rússia e a China, quando na realidade seu maior desastre é o que os Estados Unidos lhe provocam desde as próprias reuniões de Yalta e Potsdam, em fevereiro e agosto de 1945, quando a Europa Ocidental ficou à mercê da Casa Branca.

Essas reuniões foram, por assim dizer, um fechamento (que acabou sendo parcial) do que havia se iniciado em 1914 com a Primeira Guerra Mundial – muito antes da Revolução Russa de 1917 – prosseguindo com a quebra bancária de 1929.

A partir da quebra de 1929 se deu a ascensão de Hitler e de seu partido nazista nacional-socialista no fatídico janeiro de 1933 e sua passagem, um ano depois, ao cargo de Führer, o que fazia parte de sua estratégia rumo à ditadura e depois à guerra expansionista.

Seu avanço foi meteórico: abandonou a Sociedade das Nações, rompeu os fatores de diálogo, quebrou a ordem internacional, retirou-se da Conferência de Desarmamento, aumentou ao máximo o orçamento de guerra, violou o Tratado de Versalhes, aumentou a produção de seu arsenal ofensivo, da força aérea e do exército.

Tudo isso lhe levou seis anos

Começou a governar sem prestar contas ao parlamento, elevou as tensões internacionais, enviou tropas para a zona desmilitarizada na fronteira com a França.

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Hitler, o Führer

Assinou pactos militares com Japão e Itália e começou a exigir mais espaço vital para criar uma Alemanha todo-poderosa que dominaria a Eurásia.

A intenção dessas lembranças não é buscar paralelos perversos, mas lembrar que tudo isso conduziu à Segunda Guerra Mundial e a um banho de sangue.

Ao final do qual foi tecido um programa econômico e financeiro oportunista chamado Marshall, o sobrenome de seu inspirador, que foi decisivo para a expansão do domínio político e financeiro dos Estados Unidos e a submissão de uma Europa que cedeu demasiada soberania à sombra de uma farsa histórica e maldosa, de que o berço da cultura universal não poderia voltar a caminhar sem muletas alheias.

Já se passaram mais de 80 anos desde então, sob uma aparente recuperação daquele desastre continental e a crença de que a Europa havia largado as muletas emprestadas.

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Marco Rubio

Mas, de repente, em uma Conferência de Segurança em Munique, um filho de migrante cubano, que odeia e despreza os de sua mesma origem, de qualquer país que sejam, revela a eles, de forma insultante e exultante, que, de fato, já não caminhava com aqueles apoios, porque agora anda numa cadeira de rodas conduzida por Washington.

E não se pense que é uma metáfora ou uma parábola, e o exemplo é a Ucrânia e a OTAN.

Tem-se repetido à exaustão que não foi Moscou o inspirador da guerra na Ucrânia, mas sim Joe Biden quem a induziu e empurrou a Europa para ela.

Mas incrívelmente isso não é aceito, ou talvez seja disfarçado. No íntimo os europeus não podem ignorá-lo porque sobre eles paira uma temerosa espada de Dâmocles, não pelo fio nuclear da voracidade americana, mas pelo dano econômico e comercial em caso de desobediência, e temem uma quebra nos níveis de bem-estar e felicidade que desencadeie paixões.

Infelizmente esse não é o ponto do grande debate na Europa em torno da Ucrânia e, sim, se o ataque da Rússia foi ou não uma operação especial de sobrevivência, ou se é correto evitar a guerra com a guerra rumo ao encontro da vitória, o santo graal da falsa busca da paz.

Deve-se entender que isso não é o crucial; é o marginal e subalterno que deixa de lado o essencial: a defesa da soberania e independência da Europa e a batalha obrigatória para impedir uma derrota da cultura milenar do velho mundo.

E esse senhor, que se chama Marco Rubio, com seu cabelo negro, em contraste com seu sobrenome, e traços faciais bem distantes dos anglo-saxões de olhos verdes, dava instruções àqueles que estão culturalmente na estratosfera, enquanto ele está colado ao chão como o limo de um caracol.

Rubio dizia ao público: Washington quer “revitalizar” a relação transatlântica para que “uma Europa forte ajude a reformar a ordem mundial com a visão do presidente americano, Donald Trump”.

Ou seja, disse sem pudor que a Europa é crucial para o MAGA e para o aumento do ego do presidente republicano.

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Caricatura gerada por app IA

Foi uma confissão com aparência de ameaça, aparentemente não respondida. E quem cala, consente.

Ele disse em Munique – pode parecer uma comparação, talvez seja – que as Nações Unidas não cumprem nenhum papel, e pediu cooperação europeia para “uma reforma das instituições internacionais”.

Já Trump abandonou 66 acordos, tratados, instituições.

Mas, o mais interessante, o latino admitiu sem escrúpulos que, apesar das repetidas difamações de seu chefe aos países que com sua cultura deram origem ao século das luzes, os EUA não querem se separar deles, mas sim “renovar a maior civilização da história humana”.

“Queremos uma aliança revitalizada”.

Foi um convite para atacar com força o ordem internacional já transformada em escombros por Trump, o qual, apesar de tantas deficiências e injustiças, havia conseguido que o planeta não se transformasse em pó cósmico.

Agora, ao menos na teoria, isso pode acontecer.

Rubio denunciou “um culto ao clima”, e destacou com uma falácia atroz, que as políticas climáticas “empobrecem nossos povos” (tudo o contrário da realidade, se cuidarmos do planeta), talvez porque essa mudança visível que está derretendo a crosta de gelo na Groenlândia, revela as enormes riquezas minerais protegidas por esse bloco de 2,4 milhões de quilômetros quadrados, e torna possível sua extração, com as quais Trump sonha até acordado.

Ele se irrita com a Europa por defender esse pedaço de gelo que já acredita ser seu, e é grosseiramente irreverente com a gênese de seus povos.

Em linha com esse pensamento irracional, Rubio fez uma admissão brutal:

– a euforia da “vitória” ocidental na Guerra Fria levou a uma “ilusão perigosa” de que “cada nação seria agora uma democracia liberal, que os laços formados apenas pelo comércio e pelos negócios substituiriam a nacionalidade em um mundo sem fronteiras, no qual todos se tornariam cidadãos de todos os países”.

A culta Europa deve ter se estremecido com tamanha barbaridade, mas o fórum de Munique parecia estar adormecido naquele instante e não entendeu a mensagem, a qual poderia ser interpretada como:

– ninguém é cidadão do mundo, a Terra não é a casa comum, a paz é “uma perigosa ilusão”, abaixo a democracia liberal, fora a globalização, nada de adeus às armas.

Infeliz Hemingway! É uma forma de falar temerária, mas compreensível.

“Cometemos esses erros juntos; agora devemos enfrentá-los e avançar para reconstruir”, apontou.

Mas, quais foram esses erros que França, Itália, Alemanha, Espanha, Suécia, Suíça, Reino Unido, etc., etc., “cometeram junto com os Estados Unidos”, e agora estão obrigados a expiar por mandado divino de Washington?

Por que Trump exige: “agora todos devemos enfrentar e avançar para reconstruir”; o que ele quer construir?

Pois, nada menos que “a ordem mundial com a visão do presidente Donald Trump”, segundo a instrução do senhor Rubio a uma região civilizada de tanta história própria, não alheia.

Não importa que a Europa se revolte, parece que quis advertir, pois “embora estejamos dispostos, se necessário, a fazê-lo sozinhos: preferimos e esperamos fazê-lo junto a vocês, nossos amigos da Europa”, acrescentou.

Isso dá uma esperança de que a Europa se levante de sua cadeira de rodas e comece a andar por conta própria, embora no início tenha um pouco de dificuldade.

O secretário de Estado criticou a ONU por não ter parado os conflitos em Gaza – onde Washington impõe seu Conselho de Paz – nem na Ucrânia, cujas terras raras deseja, embora não tanto quanto transformar essa parte da geografia oriental em um calçadão para continuar cercando a Rússia e seus aliados, sempre com a tocha na mão e pedindo à velha Europa que a sopre e regue com combustível para mantê-la acesa.

Foi uma fraude de sua campanha eleitoral garantir que em dois dias ele acabaria com a guerra.

A que ponto da história europeia Trump está retrocedendo o velho continente com a mensagem de Rubio?

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Trump 2025, o Trump de Stephen Miller

Sentenciou a ONU – como Hitler – à Sociedade das Nações, também rompeu os fatores de diálogo, quebrou a ordem internacional, retirou-se de mais de 60 instituições internacionais por considerá-las obstáculos para seus planos hegemônicos.

Como Berlim nazista fez com a Conferência de Desarmamento, e muitas outras, multiplicou o orçamento e transformou o secretariado de Defesa em Departamento de Guerra.

Violou tratados internacionais, até os nucleares, como o nazismo violou o Tratado de Versalhes, militarizou as águas internacionais do mar do Caribe e do mar Arábico, e tudo em um ano, não em seis.

Começou a governar sem prestar contas ao congresso, aumentou as tensões internacionais, elevou tarifas, enviou tropas para todos os lugares, assinou pactos com o diabo, como os sionistas israelenses, e exigiu mais espaço vital como o homem do bigodinho, para criar um Estados Unidos mais poderoso e dominar o hemisfério ocidental.

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stephen miller, o tutor ideológico de Trump

Curiosamente, o Fouché de Trump também se chama Miller, para desgosto da Europa; seu nome é Stephen e, segundo o analista e assessor britânico Sam Freedman, ele é quem redige ou edita pessoalmente cada ordem executiva que Trump assina, além de conduzir reuniões sobre assuntos tão diversos quanto a política econômica e o uso das forças armadas.

Stephen Miller foi quem impulsionou um bombardeio ao Iémen e à Nigéria; é o principal incentivador, junto com Rubio, da decisão de atacar a Venezuela e sequestrar Nicolás Maduro; reativou o interesse de Trump em ocupar a Groenlândia, e contribuiu para dar forma à Estratégia de Segurança Nacional ou Corolário trumpista.

Millrt estimula os partidos de direita radical na Europa para, como Lutero, colocar a Europa totalmente nas mãos do “King”.

Que não restem dúvidas: esse é o cerne da mensagem que Rubio transmitiu a Munique, e não a narrativa de que os Estados Unidos continuam buscando uma aliança com a Europa.

O verdadeiro objetivo é subordiná-la ao MAGA.

A essência de sua frase final, “o destino do continente europeu nunca será irrelevante para os EUA”, é, portanto, a ameaça real de aplicar sua política do medo com toda a força dissuasiva, especialmente nos setores comercial e financeiro, que afete o Estado, mas também a família, como em Cuba, mas sem bloqueio.

O triste é que as respostas em Munique foram tímidas e o chanceler alemão, Friedrich Merz, deu como certo que a ordem mundial baseada em regras «já não existe».

É uma aceitação muito grave da ruptura da ordem internacional destruída por Trump com sangue e fogo, dor, lágrimas, sofrimentos e incertezas, mesmo que o chanceler alemão tenha expressado que «uma profunda brecha se abriu entre a Europa e os Estados Unidos».

Este capítulo da civilização humana está apenas começando, embora não se saiba quando nem como será encerrado.

Mas diante do ataque do pensamento crítico, da teoria do medo, da ressurreição dos fantasmas mais perversos que assombram a moralidade e a vergonha do homem, das ambições desmedidas e das aspirações de poder absoluto, está a força da cultura que gera ideais imbatíveis.

Como disse o herói da independência de Cuba, José Martí, trincheiras de ideias valem mais do que trincheiras de pedra e, apesar de suas grandes e ásperas contradições, a Europa que Trump pretende manter como refém, possui um potencial histórico e cultural intacto.

Ali reside sua força, inversamente proporcional à cosmogonia americana destrutiva, formada com as lascas de aço cortante que desprendem o ódio, a violência e a ignorância do governo republicano.

Mas são os povos europeus, não outros, os que devem responder à inquietante pergunta deste artigo:

– a Europa deve ajudar os EUA a reformar a ordem mundial como pediu Marco Rubio em Munique?

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