Trump impõe tarifa de 50% e reacende discussão: economistas veem impacto direto sobre exportações, juros e crédito

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impacto direto sobre exportações

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DA REDAÇÃO DON OLEARI PN

Foto de capa:  https://agenciabrasil.ebc.com.br/

Muitos produtos ficaram de fora, mas alguns do topo das exportações, como café e carne ainda vão demandar muita negociação

A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, oficializa um novo cenário de incertezas para o Brasil, especialmente para empresas exportadoras e setores ligados à cadeia global de suprimentos.

João Kepler, CEO da Equity Group, observa:

“A tarifa de 50% imposta por Trump oficializa um cenário mais difícil para empresas brasileiras que dependem da exportação ou da integração com cadeias globais”.

Para ele, o momento exige cautela por parte dos negócios em crescimento, que devem lidar com retração da demanda externa, custos operacionais mais altos e capital escasso.

“A curva de juros não vai destravar tão cedo, e o dólar deve manter alta volatilidade. Para quem lidera negócios, é hora de priorizar tração validada, modelos resilientes e disciplina em caixa”, afirma.

Mary Elbe Queiroz, advogada tributarista, presidente do Centro Nacional para a Prevenção e Resolução de Conflitos Tributários (CENAPRET) e sócia da Queiroz Advogados, defende que a medida dos EUA reacende um debate urgente sobre a estrutura tributária brasileira nas exportações.

“O Brasil precisa rever sua estrutura tributária sobre exportações para preservar competitividade internacional. Atualmente, exportadores ainda enfrentam distorções como o acúmulo de créditos tributários não ressarcidos e a complexidade no acesso a regimes especiais, o que reduz margem e previsibilidade.”

Aviões ficaram fora

 EMB-312-Tucano.jpgO famoso Tucano – Embraer EMB-312 Tucano, aeronave de treinamento militar brasileira mundialmente reconhecida. A Embraer produziu 624 unidades da aeronave turboélice entre 1980 e 1996, “reconhecida por sua excepcional manobrabilidade e confiabilidade por conta do seu motor Pratt & Whitney PT6A-25C de 750hp”.

Ela destaca que a resposta do Brasil precisa ser coordenada e incluir desde o aperfeiçoamento do drawback até incentivos setoriais temporários e medidas estruturais de desoneração.

“O tarifaço de Trump impõe não só barreiras alfandegárias, mas também exige resposta tributária estratégica e coordenação política do Brasil para evitar perdas de receita, empregos e participação global.”

Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital, avalia que a combinação entre tarifas elevadas e juros altos coloca o país em um contexto global adverso.

“Para gestores e empresários, o desafio passa a ser pensar capital e estratégia num ambiente de crédito caro e com menos incentivos à expansão.”

Ele observa que a manutenção da Selic em 10,50% mostra que “não haverá espaço para juros mais baixos enquanto não houver sinal de âncora fiscal crível”. Segundo ele, o que está em jogo agora não é apenas a taxa de juros, mas a reconstrução de um modelo de negócios viável.

Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX, chama atenção para o impacto direto nas empresas com margens comprimidas.

“O tarifaço de Trump cria uma nova camada de estresse sobre empresas que dependem de liquidez para girar capital.”

Ele acredita que, diante do aumento da incerteza e da postergação dos cortes na Selic, o mercado de crédito seguirá seletivo.

“As soluções estruturadas, como os FIDCs, ganham ainda mais relevância.”

Para André Matos, CEO da MA7 Negócios, o momento exige atenção total à estrutura financeira das empresas.

“A oficialização da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelos EUA é um novo ponto de pressão sobre a economia real.”

Ele alerta que, com margens apertadas e crédito restrito, o risco operacional aumenta.

“Empresas que exportam diretamente sentirão o impacto imediato, mas mesmo aquelas que atuam no mercado interno devem se preparar para efeitos indiretos na cadeia de suprimentos.”

Felipe Vasconcellos, sócio da Equus Capital, analisa que o Brasil foi recolocado “no epicentro das tensões comerciais globais”:

“A Selic mantida em 10,50% não é apenas uma resposta à inflação doméstica, mas também à imprevisibilidade externa e à dificuldade do Brasil em ancorar expectativas fiscais.”

Ele acredita que o cenário exigirá dos investidores institucionais uma postura mais estratégica, com foco em ativos estruturais e inovação energética.

Carlos Braga Monteiro, CEO do Grupo Studio, entende que a decisão do Copom de manter a Selic reflete o ambiente de incerteza externa.

“A medida deve encarecer importações e pressionar a inflação nos próximos meses, especialmente em setores ligados ao agro e à indústria de base.”

Para ele, a Selic deve continuar elevada até o fim do ano, prejudicando a recuperação do PIB e exigindo rigor ainda maior na gestão de custos e caixa pelas empresas.

Pedro Ros, CEO da Referência Capital, afirma que a antecipação do tarifaço muda o jogo para o fim de ano.

“A moeda tende a pressionar, o dólar pode subir e isso respinga na curva de juros. O Copom agora tem um dilema maior.”

Ele observa que a pressão cambial e o risco de repasse de preços podem frear novos cortes na Selic:

“Inflação pode subir, PIB pode desacelerar.”

Jorge Kotz, CEO da Holding Grupo X, alerta:

“Esse tipo de ruptura exige mais do que ajustes financeiros: demanda um fortalecimento da cultura organizacional e um modelo de gestão orientado por dados.”

Ele acredita que o custo do crédito continuará alto e que as empresas precisarão revisar estratégias com foco em eficiência e resiliência.

Sidney Lima, analista CNPI da Ouro Preto Investimentos, vê na tarifa de Trump um fator que afeta diretamente a percepção de risco do Brasil.

“Para o mercado de renda variável, isso gera pressão sobre empresas exportadoras e sobre setores ligados ao agro e commodities.” Ele ressalta que o Banco Central poderá adotar uma postura mais conservadora diante desse choque externo.

Fábio Murad, economista e CEO da Super-ETF Educação, afirma:

“a oficialização do tarifaço, com aumento das tarifas de energia, combustível e serviços essenciais, reflete a tentativa do Copom de controlar a inflação, mas também traz impactos imediatos sobre a economia”.

Ele aponta que o cenário pode provocar migração de investimentos para ativos internacionais, como forma de proteger o patrimônio da desvalorização do real e das incertezas internas.

Volnei Eyng, CEO da gestora Multiplike, reforça que o mercado está em alerta diante da confirmação da tarifa de 50% sobre exportações brasileiras.

“Acredito que o Copom deve ser cauteloso em manter a Selic em 15%, até mesmo para avaliar melhor o impacto real desse tarifaço.”

Para ele, a pressão sobre as empresas será grande, com margens espremidas, possíveis prejuízos e planejamento estratégico mais difícil.

“Com a economia mais imprevisível, empresários tendem a ser mais cautelosos na tomada de crédito, na mesma medida em que a concessão fica mais restrita também.”

As opiniões reunidas evidenciam um consenso: o tarifaço imposto por Trump reacende desafios antigos e cria novas pressões para a economia brasileira.

Com juros elevados, crédito difícil e exportações encarecidas, a resposta exigirá coordenação entre governo, setor privado e instituições financeiras.

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Edição, Don Oleari[email protected] | https://twitter.com/donoleari

Com Fabrizio Gueratto

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Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
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