papo furado da diplomacia das COP
papo furado da diplomacia das COP prometeu muito mãs não cumpriu grande coisa
DON OLEARI PESQUISA

DON OLEARI
Ao preparar duas matérias sobre a Cop 30 neste sábado pra fechar o expediente da semana, um capetinha zuniu no meu zouvido e disse:
– Tá sabenu o que as COP anteriores prometeram e não cumpriram?
Respondi pro capetinha:
– Nuntô sabenu e nem tinha pensado nisso.

Capetinha é fogo, né? Logo acrescentou:
– “Vai passar pano e não vai pesquiisar? Óia que tem coisa: pouca carne seca por baixo desse angu”.
Caraaammmbaaaa, em vez de ir pro meu chope no “escritório” do amigo @Gaucho, ao lado do nosso muquifo, lá fui eu pras inferneti da vida.
E toca a pesquisar, pedir dados iuiscambau.
O quadro é mais negro duqui esse aí, do retratim (Don Oleari).
Promessas não cumpridas: esqueceram de fazer o combinado
Relatórios recentes da ONU mostram que as Conferências das Partes da UNFCCC (as COPs) acumulam promessas descumpridas e metas insuficientes.
Apesar de avanços pontuais, o mundo ainda está longe de conter o aquecimento global dentro dos limites seguros definidos pelo Acordo de Paris.
1. Metas de redução de emissões (NDCs)
As Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), apresentadas por cada país, deveriam garantir que o aquecimento global fosse limitado a 1,5°C, com margem máxima de 2°C.
Mas a maioria das nações não apresentou metas atualizadas ou suficientemente ambiciosas.
Resultado: o planeta segue no caminho de um aquecimento entre 2,4°C e 2,6°C, segundo estimativas da ONU, o que significaria impactos severos e irreversíveis no clima global.
2. Financiamento climático
Um dos compromissos mais repetidos — e menos cumpridos — é o apoio financeiro dos países ricos aos países em desenvolvimento, para ações de mitigação e adaptação.
A promessa era de US$ 100 bilhões anuais, valor que nunca foi integralmente atingido.
Essa falta de recursos impede projetos locais de energia limpa, reflorestamento e proteção de comunidades vulneráveis, alimentando tensões entre Norte e Sul globais.
3. Transição energética e combustíveis fósseis
Apesar do consenso científico sobre a necessidade de eliminar o uso de carvão (foto de capa), petróleo e gás, as negociações climáticas continuam esbarrando em pressões de grandes produtores.
Muitos documentos finais, inclusive o da COP29, evitaram mencionar explicitamente o “fim dos combustíveis fósseis”.
A linguagem diplomática substitui termos como eliminação por expressões mais brandas, como “redução gradual”, o que adia a transição energética.
4. Iniciativas descontinuadas
Desde o início das COPs, centenas de compromissos foram firmados, mas muitos não tiveram continuidade.
Estima-se que cerca de 300 iniciativas climáticas específicas lançadas ao longo das últimas conferências foram descontinuadas ou ficaram sem acompanhamento efetivo.
5. Justiça climática e perdas e danos
Os países mais pobres e vulneráveis continuam cobrando justiça climática — ou seja, não apenas recursos financeiros, mas também apoio real para lidar com perdas e danos causados por eventos extremos.
Mesmo após debates intensos, como na COP26, o mecanismo de compensação por “perdas e danos” ainda carece de recursos e de um sistema de gestão transparente.
Conclusão
As COPs continuam sendo o principal fórum global de negociação climática, mas os avanços diplomáticos não têm se traduzido em ações concretas.
Faltam ambição política, recursos financeiros e compromisso real para romper a dependência dos combustíveis fósseis.
Sem isso, o Acordo de Paris corre o risco de se tornar apenas um marco simbólico — distante da transformação que o planeta exige.
Promessa e Realida | COPs: o que foi prometido e o que não saiu do papel
| PROMESSA | REALIDADE |
|---|---|
| Limitar o aquecimento global a 1,5°C | O planeta caminha para 2,4°C a 2,6°C. As metas nacionais (NDCs) são insuficientes e pouco atualizadas. |
| Apoiar financeiramente países em desenvolvimento com US$ 100 bilhões anuais | O valor nunca foi integralmente entregue. Muitos projetos de adaptação e mitigação ficaram sem recursos. |
| Transição energética e fim dos combustíveis fósseis | Documentos finais evitam citar o “fim” dos fósseis. Prevalece a expressão “redução gradual”. A matriz energética global ainda depende de carvão, petróleo e gás. |
| Acelerar ações e manter compromissos firmados em COPs anteriores | Cerca de 300 iniciativas lançadas em conferências passadas não foram realizadas ou foram abandonadas. |
| Garantir justiça climática e apoio a países vulneráveis | O fundo para perdas e danos foi criado, mas sem fontes claras de financiamento nem mecanismos efetivos de compensação. |
| Transformar promessas em ações concretas | O avanço diplomático não se reflete na prática. Falta ambição política e coordenação global. |
Resumo
As COPs seguem como palco central da diplomacia climática, mas as distâncias entre palavra e ação mostram que o mundo ainda falha em enfrentar a crise com a urgência necessária.
https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/12/o-que-sao-os-combustiveis-fosseis-e-quais-sao-eles
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