
COP 30 |
ESPECIAL MUDANÇAS CLIMÁTICAS
REDAÇÃO DON OLEARI PN
Imagem destacada | Capa: Foto de Nadia Shira Cohen, da National Geographic
Uma vista aérea do desmatamento em Campeche, Brasil.
Um levantamento divulgado pela Agência Brasil –https://agenciabrasil.ebc.com.br/ – revela um dado preocupante: mais de 85% dos municípios brasileiros ainda não possuem planos de adaptação às mudanças climáticas.
Isso significa que a grande maioria das cidades e municípios do país segue sem estratégias estruturadas para lidar com eventos extremos, como enchentes, secas e deslizamentos, que se intensificam com o avanço da crise climática.
O estudo, baseado em dados do IBGE de 2021, cruzou 25 indicadores relacionados a habitação, mobilidade, gestão ambiental, produção de alimentos e riscos climáticos, criando um “índice de adaptação urbana”.
A pesquisa mostra que apenas uma pequena parcela dos municípios está preparada para formular e executar políticas públicas de adaptação.
As cidades com maior capacidade de resposta, em geral, são as capitais e os grandes centros urbanos, onde há mais estrutura técnica e recursos financeiros disponíveis.
Mesmo assim, as desigualdades regionais permanecem marcantes.
Segundo o climatologista Roger Torres, da Universidade Federal de Itajubá (MG), não há diferenças claras entre as cinco regiões do país, mas os níveis de preparo variam significativamente entre as capitais.

Foto: Fernando Brazão | Agência Brasil
Os pesquisadores destacam que um bom desempenho no índice não significa que o município já esteja adaptado.
Em muitos casos, a nota reflete apenas a existência de leis, dados ou equipamentos voltados à prevenção de riscos — o que não garante, necessariamente, que essas políticas estejam sendo efetivamente implementadas.
Em diversas cidades, faltam planos específicos de prevenção de desastres, estrutura de defesa civil e instrumentos de planejamento urbano capazes de reduzir a vulnerabilidade da população.

O estudo aponta ainda que a ausência de planos de adaptação é mais crítica nos municípios pequenos e médios, que representam a maior parte do território nacional e são justamente os mais expostos a eventos climáticos extremos.
Sem preparo adequado, essas cidades ficam vulneráveis a prejuízos materiais, perdas humanas e impactos sociais que tendem a se agravar com o aumento da frequência e intensidade das chuvas, secas e ondas de calor.
A falta de planejamento local preocupa especialistas e ganha ainda mais relevância diante da realização da COP30, em 2025, na cidade de Belém (PA).
O evento reunirá representantes de 144 países para debater estratégias globais de mitigação e adaptação.
Enquanto outras nações já avançam em planos estruturados e políticas de longo prazo, o Brasil ainda apresenta uma lacuna significativa entre compromissos assumidos e ações efetivamente implementadas em nível municipal.

“Adaptar não é opcional — é condição para que nossas cidades continuem sendo lugares seguros para todos”, destaca Luana Romero, diretora executiva do Ideias.
A instituição reforça que o enfrentamento à crise climática precisa começar no território, com planejamento urbano, infraestrutura resiliente e políticas públicas que integrem meio ambiente, habitação, saneamento e proteção social.
Sem planos municipais de adaptação, o Brasil corre o risco de retroceder em seus compromissos climáticos e aumentar as desigualdades que tornam determinadas populações mais vulneráveis aos impactos do clima.
Enquanto o tempo avança e os efeitos da emergência climática se intensificam, a ausência de políticas de adaptação locais torna-se um dos maiores desafios da agenda ambiental brasileira.
O país precisa transformar diagnósticos em ação — e fazer das cidades o centro da resiliência climática que o futuro exige.
Tempotempo
Edição, Don Oleari
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