Vasco Fernandes Coutinho
ESPECIAL COLONIZAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO
TUDO É CULTURA \ TODAS AS CULTURAS

MANOEL GOES NETO
Uma versão muitas vezes repetida acaba virando verdade.
E depois, para se desmentir, passados séculos, fica muito difícil — algumas vezes até impossível. Mas assim é a história (ou estória) da maioria dos fatos e personagens históricos.
Alguns historiadores afirmam que o donatário Vasco Fernandes Coutinho morreu pobre e abandonado e que lhe faltou até um simples lençol para cobrir o corpo.
Esquecem, os que mantêm essa versão, que não havia necessidade de lençol algum: o calor tropical era muito grande para o fidalgo europeu e, com certeza, ele aprendera com os índios a dormir em redes.
Concordo com os historiadores sérios: Vasco Fernandes Coutinho foi mais um injustiçado da história oficial.
Essa versão cai por terra quando questionamos: o donatário Vasco Coutinho iniciou aqui a construção de uma extensão do império português, ao qual deu o nome de Espírito Santo — nome que se mantém até hoje.
Mais: se permaneceu no poder com sua família e herdeiros por 140 anos, não pode ter sido um incompetente.
Como um homem de desafios e batalhas, solicitou ao rei D. João III uma capitania para administrar no Brasil — a décima primeira das quinze capitanias criadas.
Todos os demais donatários passaram por terríveis problemas até 1548. Por que só Vasco Coutinho levou a fama de “desastrado, infeliz, miserável, fracassado”?
Ao contrário da maioria dos donatários, Vasco Coutinho manteve a posse e a autonomia de sua capitania, que se tornou Província e Estado com o mesmo nome, Espírito Santo, enquanto outras desapareceram ou se tornaram apenas cidades.
A família dos Coutinho manteve a Capitania do Espírito Santo em seu poder de 1535 a 1675, por 140 anos. O último da família, Antônio Luiz Gonçalves da Câmara Coutinho — rico e letrado — foi governador de Pernambuco e governador-geral do Brasil.

Vendeu a Capitania por 40.000 cruzados, uma fortuna na época. Vasco Coutinho não morreu pobre, sem um lençol que o cobrisse, em Portugal, mas sim em sua Capitania, no seu “Vilão Farto”, que deixou para o seu filho de mesmo nome.
O mestre professor Francisco Aurélio Ribeiro contesta a versão de um Vasco Fernandes Coutinho fracassado:
“É hora de mudar essas narrativas e de fazer justiça a quem de direito”, diz ele. Acompanhem Mestre Aurélio em seu excelente livro/documento histórico (***):
“Enfim, passou a hora de reabilitar o nome de Vasco Fernandes Coutinho e de lhe fazer justiça. Não foi um vilão, nem fracassado, mas um homem de seu tempo, corajoso, guerreiro, conciliador, que fundou uma capitania abençoada pelo nome de Espírito Santo — hoje, o nosso belo, diverso, mestiço, plural Estado do Espírito Santo. Vitória, nossa capital, consagrada a S. Maurício e a Nossa Senhora, nunca foi tomada por franceses, ingleses ou holandeses, pela coragem de sua população constituída de mulheres como Maria Ortiz, indígenas como Arariboia e Maracajaguaçu, negros, caboclos, cafuzos e mamelucos, nossos antepassados”.
O professor Aurélio denuncia o que considera uma injustiça:
“O Espírito Santo continua injustiçado pelo desconhecimento do resto do país e pelas inverdades históricas. É hora de mudar essas narrativas e de fazer justiça a quem de direito”.
(***) Personagens e Fatos Históricos Capixabas — Editora Calêndula, 2025 - Francisco Aurélio Ribeiro
Para comemorar os 490 anos de Vila Velha/ES no próximo dia 23 de maio – de 1535 – o IHGVV está preparando uma belíssima exposição na galeria da Casa da Memória com o título “O Vasco do Espírito Santo”.
A mostra resgata a verdadeira história desse grande donatário, lembrando sempre que nossa cidade é a terceira mais antiga do país.
A mostra contará com três belíssimas esculturas em bronze, em tamanho natural, intituladas As Etnias, obras do escultor internacional Nilson Camizão.
A exposição terá também depoimentos de personalidades nacionais importantes da nossa história, como Conceição Evaristo, Ailton Krenak e Francisco Aurélio Ribeiro.
Comporão ainda a exposição pinturas históricas do jovem e talentoso artista canela-verde Roger Di Araujo e do consagrado artista Guilherme Merçon.
Luiz Paulo Rangel, presidente do IHGVV, fala sobre as atrações da exposição:
“A atração maior dessa exposição serão as esculturas em bronze, em tamanho natural, representando as três etnias — brancos, indígenas e negros — de rara beleza. Obras do excelente escultor Nilson Camizão, que contarão com textos de reflexão sobre o delicado momento da colonização do solo espírito-santense, levando ao conhecimento dos visitantes e turistas a rica história do Espírito Santo” — afirma Luiz Paulo Rangel, presidente do IHGVV.
Estarão na exposição:
Esculturas de Nilson Camizão;
pinturas de Guilherme Merçon e Roger Di Araujo;
artista Cissa Marcielle
SERVIÇO:
Exposição: 13 de maio
Apoio: do edital da Lei de Incentivo à Cultura Paulo Gustavo, Funcultura, SecultES
Apoio: Prefeitura de Vila Velha/ES.
Horário: 9 horas, Casa da Memória da Prainha, Vila Velha/ES
Visitação: terça a domingo e feriados, das 8h30m às 17h30m
Entrada gratuita.
Vasco Fernandes Coutinho
Edição, Don Oleari – [email protected] –
https://www.facebook.com/oswaldo.oleariouoleare – https://twitter.com/donoleari
Banda Dallas Country está no Domingão do Huck neste domingo, 11
Jardim Camburi | Vereador Mauricio Leite desmente boatos sobre eleição comunitária




