Edilson Lucas do Amaral | No comando do PSDB, Arnaldinho Borgo numa encruzilhada

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WhatsApp-Image-2025-01-16-at-10.18.04-1-e1748565390398.jpegEDILSON LUCAS DO AMARAL

A política, quando jovem e midiática, seduz pelo brilho do agora e pelo risco do amanhã. Arnaldinho Borgo, prefeito de Vila Velha, encarna essa ambiguidade.

Reeleito com mais de 190 mil votos, consolidou-se como liderança local, mas agora enfrenta uma encruzilhada que separa prudência de ousadia excessiva.

Recentemente, assumiu o comando do PSDB no Espírito Santo.

Um partido histórico, que já teve protagonismo no estado e que passou por uma intervenção direta da Executiva Nacional.

A mudança não foi casual. Foi avalizada por Luiz Paulo Vellozo Lucas, figura respeitada no tucanato nacional, e sinaliza uma tentativa de reconstrução partidária sob nova estética e novo comando.

encruzilhada.jpgArnaldinho assume prometendo formar chapas competitivas para deputado estadual e federal.

A vaga ao Senado, no entanto, já tem dono político: Luiz Paulo.

É nele que repousa a sustentação nacional do projeto, e é a partir dessa relação que o prefeito se projeta no tabuleiro maior.

Mas toda escolha tem custo. Arnaldinho enfrenta dois caminhos, ambos com riscos claros.

No primeiro, deixa a prefeitura, transfere o cargo ao vice-prefeito Cael, pai do deputado federal Victor Linhalis, e aposta tudo numa jogada de alto risco.

Um movimento de tudo ou nada.

No segundo, permanece no cargo, preserva o mandato e tenta construir, nos bastidores, um projeto próprio, agora amparado por um partido que passou a controlar.

É um caminho mais lento, menos vistoso, porém mais seguro.

Se optar por sair da prefeitura, Arnaldinho ficará impedido de disputar cargos executivos por quatro anos.

Em caso de derrota, restaria apoiar nomes como Ferraço ou Pazolini em um eventual segundo turno, em troca de espaços administrativos — um desfecho pouco compatível com alguém em ascensão.

Há ainda a hipótese de uma chapa ao Senado ao lado de Luiz Paulo, com boa perspectiva eleitoral e possível articulação indireta de Paulo Hartung, que segue influente mesmo fora das urnas.

Seria uma jogada de fôlego longo, menos ruidosa e mais consistente.

Hoje, Arnaldinho governa uma prefeitura poderosa, mas intensamente loteada por acordos políticos.

A reeleição expressiva não se converteu, automaticamente, em liberdade plena de articulação estadual.

Um mandato fora do Executivo municipal pode ser, paradoxalmente, a saída elegante para preservar capital político.

Arnaldinho fala como quem já está em campanha, flerta com o governo do Estado e mantém o nome em circulação.

Mas a política não premia a pressa. O tempo não se impõe; amadurece.

Este analista arrisca: o Senado parece uma porta aberta e estratégica.

Uma travessia segura, com Hartung como maestro informal, permitiria crescimento sem desgaste.

pricipicio.jpgDisputar o governo sem medir consequências não é projeto.

É precipício.

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Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
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