Acidentes domésticos
Quedas afetam até 35% dessa população todos os anos, e a maioria dos acidentes domésticos acontece dentro de casa
DA REDAÇÃO DON OLEARI PN
A rotina ativa de Luís João da Silva, de 75 anos, mudou drasticamente após um acidente doméstico. Conhecido por sua disposição mesmo após a aposentadoria, Luís sofreu uma fratura no fêmur ao tentar ajustar uma parede recém-construída em sua casa.
O incidente deu início a um longo processo de internação, cirurgia e reabilitação.
Infelizmente, esse tipo de situação é mais comum do que se imagina. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 35% das pessoas com mais de 65 anos sofrem quedas anualmente, e essas quedas são responsáveis por 45% das mortes por lesões nessa faixa etária.
O mais alarmante é que a maioria desses acidentes acontece dentro do lar, um espaço que deveria oferecer segurança.

Para o fisioterapeuta Alexandre Peres, com mais de 20 anos de experiência no cuidado com idosos no Brasil e na Austrália, a recuperação após uma queda vai além do aspecto físico.
“Com pacientes idosos, o foco não é só a força muscular. É restaurar a autonomia, a autoestima e a confiança”, afirma.
Segundo ele, a reabilitação precisa ser progressiva e personalizada. Inicialmente, trabalha-se com mobilidade leve e prevenção de complicações, como trombose.
Em seguida, entram os treinos de marcha, equilíbrio e fortalecimento, sempre respeitando os limites do paciente.
Além disso, o ambiente doméstico precisa ser adaptado.
“Uma casa segura é parte fundamental do tratamento. Tapetes soltos, escadas sem corrimão e má iluminação são riscos constantes que podem ser evitados”, alerta Alexandre.
Redescoberta da autonomia
Luís, após meses de fisioterapia e apoio familiar, voltou a andar com independência. Mas os ganhos foram além da mobilidade. “No começo, achei que nunca mais ia sair de casa sozinho. Mas fui me superando. Recuperei não só os passos, mas a minha liberdade”, compartilha.
Para Alexandre, histórias como a de Luís reforçam a importância da escuta ativa no tratamento. “Cada idoso traz um histórico único. Quando ele se sente acolhido e respeitado, o processo de recuperação se transforma.”
“O envelhecimento não precisa ser sinônimo de perda. Com estímulos adequados, ele pode ser um tempo de transformação e reconquista da autonomia”, conclui.
Sobre o especialista
Alexandre Peres é fisioterapeuta com formação pelo Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva (IMES-SP), especializado em reabilitação geriátrica.
Atua no Brasil e na Austrália com foco em idosos com comorbidades e limitações funcionais. Sua prática une técnica, empatia e foco em resultados duradouros.
É reconhecido por sua abordagem humanizada na prevenção de quedas e na promoção de qualidade de vida na terceira idade.
Acidentes domésticos
Edição Don Oleari, [email protected]
Com Kaísa Romagnoli
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