Antônio Carlos de Medeiros No Blog do Noblat: Às sombras de Lula e Jair | Cientista político ensina como ler pesquisas

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Antônio Carlos de Medeiros

Antônio Carlos de Medeiros

ESPECIAL TESOURA PRESS

NEC = Nota do Editor Chefão, Don Oleari | 

Uma excelente aula para todos aprendermos a ler as pesquisas eleitorais. É o que ensina Medeiros.

Prestenção, você, leitor de pesquisas que só lê o percentual do seu candidato e do outro.

O cientista político Antônio Cartlos Medeiros lê e explica o que realmente diz a pesquisa. Leia com atenção. Veja como ele “traduz” as pesquisas da Quaest e Atlas/Blomberg.

Capa | Foto: Reprodução/Ricardo Stuckert/Agência Senado.  (Don Oleari). 

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Antônio Carlos Medeiros – Foto: linkedin

REPRODUÇÃO DE ARTIGO DO CIENTISTA POLÍTICO ANTÔNIO CARLOS MEDEIROS

METRÓPOLES | BLOG DO NOBLAT

https://www.metropoles.com/blog-do-noblat/artigos/as-sombras-de-lula-e-jair-por-antonio-carlos-de-medeiros

Às sombras de Lula e Jair (por Antônio Carlos de Medeiros)

1/5/2026 –  atualizado 1/5/2026

Cuidado com o “wishful thinking”. As eleições estão em aberto.

É puro “wishful thinking” cravar agora que as eleições presidenciais serão polarizadas entre Lula e Flávio Bolsonaro.

E que não há espaço para a evolução de candidaturas situadas ao centro do espectro político.

As chamadas candidaturas “nem-nem” – (nem Lula nem Bolsonaro) – ou “independentes” .

As pesquisas divulgadas recentemente mostram que as eleições estão em aberto. A Quaest mostrou que existem ainda 62% de indecisos.

Mostrou também que 43% dos eleitores ainda podem mudar o voto (volatilidade). E que os independentes representam 32% do eleitorado.

Tem mais. Entre os independentes, a rejeição do presidente Lula é de 61% (dizem que não votariam nele), e 54% entre eles não votariam em Flávio.

O nem-nem é significativo. Ainda entre os independentes: 71% deles dizem que Lula não deve continuar na presidência.

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Qual é a novidade? A novidade é que os mitos estão com fadiga de material. Quem? Lula e Jair Bolsonaro.

A pesquisa Atlas/Bloomberg desta semana também corrobora a fadiga e o cansaço do eleitor com Lula e com o filho de Jair, Flavio Bolsonaro.

Medo do futuro

47,3% dos eleitores dizem ter medo do futuro com reeleição de Lula. E 45,4% declaram o mesmo com eventual eleição de Flavio Bolsonaro.

As pesquisas quantitativas permitem constatar este fenômeno. É o dado da rejeição, principalmente, aliado ao dado do medo do futuro com um ou com outro.

Ao lado das pesquisas qualitativas, as pesquisas apontam também para a clara percepção da mudança estrutural do espírito do tempo.

O espírito do tempo, isto é, o pensamento e olhar da sociedade, é o do caminho do tipo centro direita.

Pausa

O PT foi a novidade histórica dos anos 1980 na política brasileira. O partido do “rechaço” ao autoritarismo dos militares e do olhar para a sociedade com a chamada “economia do afeto”- com o combate à fome e as desigualdades sociais. O partido da pauta do trabalhador.

Foi gerado pela liderança de Lula. Gerou o mito Lula. O lulismo ficou maior que o petismo. Caminhou entre o rechaço oposicionista e o pragmatismo da luta pelo poder. O partido do poder. E do estatismo.

Jair Bolsonaro foi produto da novidade do espírito do tempo das manifestações de 2013. Soube ler ali que o Brasil tinha virado à direita, antes de virar.

Com grande capacidade de operar politicamente no ambiente das redes sociais levou a direita a sair do armário. Seu partido político era (é) o ambiente das redes sociais, agora ao lado do PL.

2013 virou 2018. Com um trabalho eficaz de redes sociais, construído gradualmente desde 2013, Jair ganhou as eleições de 2018.

O mito se fortaleceu. E governou o Brasil na base das narrativas e do acordo com o Centrão.

Lula voltou em 2022. Ambos – Jair e Lula – entenderam que a polarização era o caminho para o domínio de ambos do tabuleiro político-eleitoral da política brasileira. Na base de narrativas, ocuparam a ribalta. Mito “versus” Mito.

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Charge Claudio de Oliveira na Folha de São Paulo

Mas agora tem fato novo. Novo fenômeno estrutural de sociedade. Os dois mitos entraram em modo fadiga de material.

Não conseguem mais o domínio das narrativas do novo espírito do tempo: a cosmovisão social-liberal os afasta da ribalta.

O que mostra isto nas pesquisas? A grande avenida aberta no centro do espectro político. Desta vez é diferente do que foi em 2014, em 2018 e 2022. Trata-se do “enxame dos ANTIS”. Anti Lula e Anti Bolsonaros.

Com a ascensão de uma convergência para a ampliação potencial do espaço do Centro. Não é apenas centro/centro. É também do centro esquerda à centro direita. A avenida ficou mais ampla.

Vem daí as surpresas das preferências já mostradas nas pesquisas. Nem bem entraram em campo, as candidaturas de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) já mostraram viabilidade para enfrentar Lula ou Flavio em eventual segundo turno.

E tem mais. A mesma pesquisa Atlas/Bloomberg desta semana mostra a gradual ascensão da candidatura de Renan Santos.

Ele entrou em campo há pouco tempo, assim como Zema e Caiado. Renan começou com 0,3% e já chegou a 6%.

Ele também mira os eleitores nem-nem. E tem diálogo com os eleitores evangélicos. Não é pouco não, a esta altura do campeonato.

Não é pouco mesmo. Estas três candidaturas mudam o espaço político e o movimento do tabuleiro.

É preciso compreender que a polarização fica nos extremos. Ela parece não poder absorver o grande centro ampliado, ou seja, os nem-nem.

Portanto, cuidado com o “wishful thinking”. As eleições estão em aberto.

Os mitos podem não ter força política para conter a reviravolta potencial dos “ANTIS”.

Lula está tentando sair do isolamento. Sofreu outro grande desgaste nesta semana, com a rejeição de Jorge Messias pelo Senado. Desgaste político e eleitoral.

Jair está afastado da ribalta. Flavio joga parado, ainda no vestiário para entrar em campo.

As sombras (Lula e Jair) perderam força. Flavio ainda está por apresentar identidade própria.

O dado central é a rejeição. Na linguagem de pesquisas: “piso alto, mas teto baixo”.

Além das pesquisas quantitativas, as qualitativas também mostram uma outra possibilidade político-eleitoral: pode vir aí uma terceira via no segundo turno das eleições presidenciais. A volatilidade do voto é grande: 43% ainda podem mudar.

Outro dia, ouvi de um arguto observador da cena política brasileira ao longo dos anos que precisamos superar o paradigma “mudancista” expresso na famosa frase “plus ça change, plus cést la même chose”.

É quando a conservação é capaz de dirigir e condicionar a mudança. A famosa “revolução passiva” de Gramsci.

Antonio Carlos de Medeiros é Pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science.

Antônio Carlos de Medeiros

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Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham

Respostas de 5

  1. O PT perdeu o rumo quando deixou Dilma Rosskoff chegar à Presidência da República 2 vezes. Nada a reclamar: Lula e o PL de José de Alencar e Dilma e o MDB de Michel Temer. O país está acéfalo sem o simbólico, indispensável ao cargo de presidente em regime Presidencialista. E a corrupção e a violência são a realidade que o dia a dia nos presenteia. Sem reforma política com voto distrital, 2 senadores por estado ( como na maioria dos países democráticos do Ocidente) e o “recall” dos políticos indesejáveis, continuaremos a caminhar em areia movediça. Felizmente ser de centro direita ou de direita fica claro que os cidadãos não são nem fascistas e nazistas. E ser de esquerda ou centro esquerda não é passaporte
    para os cidadãos serem
    denominados de honesto e democrata, como a imprensa militante inculca desde sempre. Há 35 anos nosso PIB era maior que o da China. Hoje temos os piores resultados em testes educacionais no ranking mundial. Cada um vista a sua carapuça que lhe cabe ou convém.

  2. Alda Luzia Pessotti

    Medeiros prepara os desavisados para a candidatura de Alkimin, visto que o Molusco 🦑 está com alto índice de rejeição e a avaliação de seu governo em ladeira abaixo. Alkimin é candidato adequado para Lula mostrar seu altruísmo inexistente. De repente, o Alkimin PSB veste a camisa dos valores de centro e centro direita para atrair os descontentes e a polarização Lula 🦑 x Bolsonaro. E os partidos aliados cantariam a mesma música sertaneja, que já é cantada no Espírito Santo. Esqueceram de combinar com os eleitores antenados e avisados que conhecem o enredo teatro das tesouras.
    53 min
    Responder

    Alda Luzia Pessotti

    Este foi segundo comentário. O primeiro desapareceu.

    1. Aqui não apareceu. Manda o segundo comentário. Mais prático, quando acontecer avisar logo aqui pra redação, que alguém providencia o resgate do comentário.

      NO DON OLEARI NÃO SE PRATICA CENSURA, a professora sabe disso.

  3. Bom-dia caro Mestre/Guru. Falar em pesquisa agora é apenas escrever sobre uma aposta. Pesquisa correta é a próxima. Essas de agora retratam mais a visão dos donos das empresas. As rejeições são altas para todos. Mas o que interessa é saber prever o percentual de votos nulos, abstenções e votos em branco. Não há espaço para uma terceira via. Lula e Bolsonaro não vão permitir isso. Alkimin será vice e isso já está fechado. O que vejo como “divertido” é o pensamento dos “meninos”, inclusive o Governador de São Paulo, em relação a 2030. Apoiar Flávio hoje é correr o risco de jamais chegar ao “Nirvana”. O apoio vai ser “frappé” pois ninguém é debiloide em se tratando de eleições majoritárias. Então aconselho os “espertos” a aguardarem um pouco mais para tecer comentários abalizados. Abraços a todos/todas/todx.