
área da Samarco no ES
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REDAÇÃO DOPN
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O que foi o desastre de Mariana
Veja no final da reportagem
Mobilizações ocorreram em Anchieta (ES) e Tumiritinga (MG) e fazem parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, realizada entre 8 e 12 de março.
Cerca de mil pessoas participaram de mobilizações organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nos estados do Espírito Santo e Minas Gerais na madrugada desta segunda-feira (9).
As ações fazem parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, realizada entre 8 e 12 de março, período marcado pelo Dia Internacional de Luta das Mulheres.
No Espírito Santo, aproximadamente 300 famílias ocuparam uma área pertencente à Samarco no município de Anchieta, com participação também de integrantes do MST do Rio de Janeiro.

As mobilizações denunciam os impactos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), ocorrido em novembro de 2015, e cobram medidas de reparação às comunidades atingidas, além de pautas relacionadas à reforma agrária.
A Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra tem como lema em 2026: “Reforma Agrária Popular: Enfrentar as violências, ocupar e organizar”.
Bloqueio da ferrovia em MG
Em Tumiritinga, na região leste de Minas Gerais, cerca de 700 mulheres realizaram o bloqueio dos trilhos da Estrada de Ferro Vitória-Minas.
A ação integrou as atividades da jornada nacional e teve caráter simbólico de protesto.
As manifestantes cobram responsabilização judicial das empresas envolvidas no rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015 no município de Mariana.
Na ocasião, a barragem da Samarco — empresa controlada pela Vale e pela BHP Billiton — se rompeu, liberando mais de 30 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração na bacia do Rio Doce.
A lama percorreu mais de 600 quilômetros até o litoral do Espírito Santo, provocando impactos ambientais e sociais em diversas comunidades.
Segundo dados citados pelo movimento, dez anos após o desastre ainda não houve condenação criminal definitiva no Brasil relacionada ao caso.
O MST também afirma desenvolver, em territórios de reforma agrária em Minas Gerais e no Espírito Santo, projetos de restauração ambiental e agroecologia voltados às áreas atingidas.
De acordo com o movimento, ações desse programa já alcançaram cerca de 2 mil hectares na bacia do Rio Doce.
Durante a mobilização em Minas Gerais, as manifestantes apresentaram três reivindicações principais relacionadas às comunidades atingidas: restauração florestal em assentamentos da região, indenização a trabalhadores rurais atingidos e acesso à água potável para famílias afetadas.
Barragens em Minas Gerais
Relatórios da Agência Nacional de Mineração (ANM) citados pelo movimento indicam que Minas Gerais possui 319 barragens de mineração.
Segundo esses dados, parte dessas estruturas está classificada em níveis de risco ou alerta.
As barragens estão localizadas principalmente em áreas de bacias hidrográficas importantes para o abastecimento de água no estado.
Ocupação de área da Samarco
No Espírito Santo, cerca de 300 famílias ocuparam uma área pertencente à Samarco no município de Anchieta. A ação também integrou a jornada nacional de mobilização das mulheres do MST.
Entre as reivindicações apresentadas está o assentamento de famílias acampadas no estado. Segundo o movimento, o Espírito Santo possui cerca de 3.500 famílias assentadas e aproximadamente 1.500 famílias acampadas aguardando acesso à terra.
O MST afirma que a ocupação busca também chamar atenção para os impactos socioambientais associados à mineração na região e para a destinação de grandes áreas de terra a projetos industriais.
Segundo o movimento, a Samarco possui cerca de cinco mil hectares de terras no município de Anchieta.
As manifestantes também mencionam impactos ambientais em áreas como a Lagoa de Mãe-Bá e o Rio Benevente, além de conflitos fundiários envolvendo comunidades tradicionais e pescadores.
Organização das mulheres
A Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra reúne mobilizações em diversas regiões do país e busca debater temas como acesso à terra, produção de alimentos, violência contra mulheres e preservação ambiental.
Durante as ações, as participantes reforçam o lema do movimento para a mobilização deste ano:
“Reforma Agrária Popular: Enfrentar as violências, ocupar e organizar”.
O que foi o desastre de Mariana
O rompimento da barragem de Fundão ocorreu em 5 de novembro de 2015 no município de Mariana, em Minas Gerais.
A estrutura pertencia à mineradora Samarco, controlada pelas empresas Vale e BHP.
A barragem armazenava rejeitos de mineração de ferro. Com o rompimento, milhões de metros cúbicos de lama foram liberados, atingindo comunidades, rios e áreas de preservação ambiental.
A enxurrada de rejeitos destruiu o distrito de Bento Rodrigues e seguiu pela bacia do Rio Doce, percorrendo mais de 600 quilômetros entre Minas Gerais e Espírito Santo até chegar ao Oceano Atlântico, na foz do rio em Regência, município de Linhares.
O desastre provocou mortes, deslocamento de famílias, contaminação de rios e prejuízos ambientais e econômicos em diversas cidades ao longo da bacia.
Uma década depois do rompimento, o caso ainda envolve disputas judiciais, processos de reparação e discussões sobre indenizações e recuperação ambiental nas áreas atingidas.
área da Samarco no ES
Edição, Don Oleari – [email protected] | https://twitter.com/donoleari
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