Como bateu o coração cubano diante do acidente nuclear em Chernóbil

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Como bateu o coração – Cuba atendeu mais de 26 mil afetados de Chernobyl, na sua maioria crianças, com um programa médico gratuito que marcou um marco na cooperação internacional.

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Wilson Côelho

INTERNACIONAL

LUIS MANUEL ARCE ISAAC

TRADUÇÃO: WILSON CÕELHO

O acidente nuclear de Chernobyl fez o coração dos cubanos bater mais forte do que nunca quando receberam a terrível notícia de que em uma cidade da Ucrânia, a 130 quilômetros ao norte de Kiev, uma usina de energia atômica relatou danos à camada de proteção do reator, liberando para a atmosfera 100 milhões de curies de nucléidos radioativos que afetaram diretamente dezenas de milhares de pessoas.

Era um 26 de abril de 1986. Fez agora 40 anos. Imediatamente centenas de milhares de voluntários apareceram nos centros da Cruz Vermelha para doar sangue voluntariamente.

Mas já estava tudo pronto para enviá-lo se o solicitassem, e aí ficou marcada a ação de solidariedade que mais tarde faria história e que é lembrada como um dos gestos universais mais humanos de nossa época.

A iniciativa cubana

Desde esse mesmo momento, o governo cubano, através de seu Ministério da Saúde, iniciou a ajuda profissional permanente com as autoridades ucranianas até chegar à convicção de que a melhor maneira de tornar mais eficaz a participação dos médicos não era enviando-os para Kiev, mas sim que os afetados fossem transferidos para Cuba, um fato inédito nas relações de cooperação em matéria de saúde.

Dessa forma, foi o único país que organizou um programa integral de saúde, massivo e gratuito para a atenção a crianças afetadas pelo desastre.

Entre 1990 e 2016, foram atendidos na Ilha 26.114 pacientes, dos quais cerca de 23.000 eram crianças, para se curarem das terríveis sequelas do desastre, mais do que o dobro dos 10 mil pacientes que se havia comprometido a receber.

Para conseguir isso, foi necessário estabelecer um centro de atendimento muito amplo, em um local fora do comum e bem longe do ambiente hospitalar tradicional.

A União dos Pioneiros de Cuba, em atitude bela e solidária com as crianças ucranianas, russas e bielorrussas, cedeu sua cidade de recreio e férias aos seus congêneres, na acolhedora e bela praia de Tarará, no leste de Havana, onde os hóspedes ucranianos — que eram a maioria — viveram à vontade e com a devida atenção psiquiátrica profissional, que seu estado mental requeria, não apenas a atenção médica clássica.

Tarará se tornou um paraíso para as crianças ucranianas que puderam levar, de uma forma menos sofrida e com mais esperança, as numerosas doenças geradas pelos efeitos da radioatividade.

 mat-w-coelho-2.jpgO primeiro grupo de 139 crianças foi recebido pessoalmente por Fidel Castro no Aeroporto Internacional José Martí, em 29 de março de 1990.

Todos eram portadores de diferentes doenças onco-hematológicas, e foram atendidos no Instituto de Hematologia da capital e no Serviço de Oncologia do Hospital Pediátrico Docente Juan Manuel Márquez.

Com a atenção aos mais graves, dava-se início a um inédito programa cubano de assistência médica integral a esses pacientes, popularmente conhecido como Programa de Chernobyl, e o mais grandioso, em meio à pior crise econômica vivida até então pelos cubanos, que recebeu o nome de Período Especial causada pela desintegração da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e do campo socialista da Europa Oriental.

A Ucrânia deixava de ser soviética

Mas Cuba não misturou os assuntos políticos com os de natureza humanista, e não apenas continuou, como desenvolveu, até onde sua capacidade material permitia, o programa de atenção às vítimas da catástrofe, e salvou mais de 26 mil doentes com os mais diversos padecimentos derivados do contato com materiais radioativos. E salvou a visão de centenas que talvez hoje estivessem cegos.

Histoterapia Placentária, entre outros

Foi muito importante, decisivo, para a recuperação dos pacientes, o caráter intersetorial com a participação de diferentes organismos e instituições do Estado cubano permitiu desenvolver com sucesso esta atividade.

mat-w-coelho-4.jpgAmor e humanismo

Todos reconheceram que Cuba foi o único país que organizou um programa integral de saúde, massivo e gratuito de tal envergadura e com tal vontade de curar os pacientes que o pessoal de saúde, muito afetado no âmbito familiar pela crueldade daquilo que Fidel denominou então o duplo bloqueio porque a Europa do leste também desmontou sua tradicional ajuda a Cuba e a ilha perdeu da noite para o dia 85 por cento de seu comércio exterior, se erguia acima de suas próprias dificuldades familiares para não deixar de atender nem um único minuto àqueles crianças que tanto amor e carinho precisavam.

Esse trabalho foi realizado por Cuba por mais de duas décadas, entre 1990 e 2016, período em que atendeu 26.114 afetados, desses 23 mil crianças, a quem curou das terríveis sequelas deixadas por esse desastre nuclear.

Hoje são adultos saudáveis, que formaram suas famílias, e todos têm mais de 50 anos de idade, sem que lhes tenha sido pedido nada em troca, e nem sequer lhes foi censurado que, na última sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre o bloqueio econômico, comercial e financeiro, votassem contra Cuba e a favor dos Estados Unidos, precisamente quando a guerra econômica e psicológica que Donald Trump nos faz é mais dura, selvagem, desumana e criminosa.

Efeitos nucleares no organismo humano

O programa cubano permitiu diagnosticar pacientes com presença de afecções do sistema endócrino, entre os quais predominava a hiperplasia tireoidiana. Em ordem de frequência seguem as afecções do aparelho digestivo, as adenopatias banais, as afecções do sistema otorrinolaringológico e, em menor medida, as afecções da pele: entre as quais se destacam o vitiligo, a alopecia e a psoríase.

Entre as doenças oftalmológicas prevaleceram os distúrbios da refração, e pacientes com alterações cardiovasculares, fundamentalmente com sopros funcionais, e em menor quantidade, com cardiopatias funcionais. Até recentemente, constatava-se que os pacientes atendidos e salvos em Tarará — onde, ao contrário do que ocorreu, foram acolhidos quando lhes haviam sido negadas possibilidades de tratamentos em outras partes do mundo —, a maior parte com doenças onco-hematológicas, encontravam-se em perfeito estado de saúde.

Recordar Chernobil para entender com qual ameaça Trump

Em Chernobil não houve uma explosão atômica como a que os EUA lançaram em Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945 contra um Japão derrotado e capitulante.

Mas apenas uma reação incontrolável que causou uma expulsão de vapor, destruiu a camada protetora do reator e liberou milhões de curios de nucléidos radioativos cuja radiação se espalhou por grande parte da Europa setentrional e chegou até a Grã-Bretanha.

Considerar o que um vazamento relativamente pequeno de núcleos radioativos provocou em Chernobil, Rússia, Bielorrússia e até em lugares mais distantes como a Grã-Bretanha, é muito útil para entender o grau criminoso do pensamento de Donald Trump quando ameaça usar bombas nucleares táticas no Irã, e não apenas uma, para apagar do mapa essa civilização.

Também voariam as demais civilizações ao seu redor, incluindo Israel, porque assim como a radioatividade se espalhou de Chernobil até a Grã-Bretanha, a daquelas bombas faria com que por anos as costas do golfo se tornassem inabitáveis, e o câncer e outras doenças malignas acabariam com árabes, persas, hebreus, ianques que permanecessem vivos, sem importar religião ou país da área afetada, nem se estavam protegidos em um porta-aviões, um encouraçado ou nos subterrâneos de Tel Aviv nos quais Netanyahu se esconde como um rato de tubulação.

Tchernóbil, um exemplo do que se pode fazer

O programa cubano de atenção médica integral às crianças relacionadas com o acidente de Tchernóbil é um exemplo do que um país pode fazer, mesmo sendo pequeno e subdesenvolvido, quando, independentemente de seus recursos econômicos, dispõe de um capital humano capaz de enfrentar as situações mais diversas e complexas no campo da saúde na Ilha e em outras nações.

Mas Chernobil é apenas um caso, embora talvez o de maior impacto. É bom lembrar, neste 40º aniversário do acidente, que Cuba, assediada política e economicamente por uma superpotência como os EUA, foi capaz de enviar, nestes anos de Revolução, 407 mil 419 de seus colaboradores da saúde para curar o corpo e a alma de milhões de pessoas humildes em 164 países aos quais prestou ajuda médica.

É muito importante que esses fatos sejam reconhecidos e lembrados para que o mundo inteiro saiba das enormes mentiras e falácias dos imperialistas ianques contra Cuba, em primeiro lugar Donald Trump, o mais vil e canalha presidente que passou pela Casa Branca.

Que Chernobil mostre à humanidade a que tipo de povo e a que revolução humanista Trump quer destruir e faz sofrer ao negar a possibilidade de viver, privando as pessoas do mais elementar para sua subsistência.

A propósito, que também se conheça a índole da pessoa que governa a Ucrânia e por que essa guerra tão distorcida em sua gênese, não terminou quando nem sequer deveria ter começado se outros pensamentos mais racionais e menos corruptos e ambiciosos ocupassem a cabeça e a alma de seus atuais líderes.

Que se saiba o que significou para a saúde digna do povo cubano e daqueles a quem a Revolução Cubana ajudou de forma honrada e desinteressada em todos esses anos em termos médicos, e agora com Trump mal consegue atender seus próprios cidadãos e, em particular, suas crianças, que são as que mais sofrem com o bloqueio criminoso imperialista.

No obstante, e apesar das precárias condições materiais, econômicas e financeiras em que se encontra, o humanismo solidário dos cubanos se mantém, sempre a serviço do próximo, como demonstrou no caso de Chernobil em condições tão angustiantes quanto as de agora.

Luis Manuel Arce Issac é jornalista cubano com mais de seis décadas de trabalho profissional ininterrupto.

Foi correspondente de guerra no Vietnã, Laos, Camboja e Nicarágua, e correspondente da agência Prensa Latina em países como Venezuela, Uruguai, Espanha e México.

Wilson Côelho é professor, teatrólogo, tradutor, escritor | Colaborador do Don Oleari Portal de Notícias

Fonte da publicação original:

https://www.almaplus.tv/articulos/42379/c%C3%B3mo-lati%C3%B3-el-coraz%C3%B3n-cubano-ante-el-accidente-nuclear-en-ch

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Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
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